Os verdadeiros entusiastas das criptomoedas voltaram, de repente, a demonstrar entusiasmo.Há poucos dias, o Bitcoin ainda parecia preso a um mercado que passara meses em trajetória de queda. Então, quase do nada, disparou em direção aos US$ 80 mil, registrando seu maior ganho semanal em anos e trazendo de volta os memes, os gritos de “HODL” e a convicção de que o próprio impulso do mercado pode levar as criptomoedas ainda mais para cima.Emojis de foguete voltaram a aparecer no X, obituários do mercado de baixa ressurgiram e Michael Saylor publicou um meme de boate gerado por inteligência artificial incentivando seus seguidores a “comprar Bitcoin, manter por 10 anos, ignorar o ruído e sobreviver aos medos”.Bitcoin is pumping. Life is good. ₿ pic.twitter.com/bXYKJxFLYA— Alex (@AlexesNakamoto) August 20, 2026Parte do impulso veio do mercado de títulos. O plano do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de ao menos dobrar as recompras de Treasuries de longo prazo inicialmente fez os rendimentos caírem e enfraqueceu o dólar, enquanto o ouro disparou.Essa combinação reavivou o chamado debasement trade, a tese de que o agravamento das pressões fiscais e condições financeiras mais frouxas fortalecem o argumento a favor de ativos escassos que estão fora do sistema monetário governamental. Para os otimistas com o Bitcoin, foi uma nova munição macroeconômica justamente quando as posições pessimistas estavam excessivamente esticadas.Até Ray Dalio, que está longe de ser um entusiasta das criptomoedas, defendeu o Bitcoin, citando uma espiral “insustentável” da dívida.“É muito bom ver alguns sinais de vida no mercado de criptomoedas. E este rali parece diferente de outros impulsos frágeis que vimos nos últimos meses”— Noelle Acheson, autora da newsletter Crypto Is Macro Now.A grande esperança do mercado de criptomoedas sempre foi a de que o impulso possa gerar ainda mais impulso.Foi assim que o último boom se retroalimentou. A alta dos preços forçou investidores vendidos a encerrar suas posições, atraiu mais dinheiro para ETFs à vista, impulsionou ações ligadas a criptomoedas e empresas que mantêm ativos digitais em tesouraria, além de dar a algumas dessas companhias mais capacidade para levantar recursos e comprar ainda mais Bitcoin. Os preços mais altos, então, trouxeram de volta investidores que estavam à margem, acrescentando uma nova camada de demanda.Leia também: Bitcoin dispara 15% na semana; período de “vacas magras” finalmente passou?A última semana ofereceu o primeiro sinal concreto de que esse mecanismo pode estar tentando voltar a funcionar. Uma onda recorde de apostas pessimistas foi eliminada, os volumes de negociação à vista saltaram e os ETFs de Bitcoin receberam novos aportes. O ambiente político também ajudou: o presidente Donald Trump voltou a pressionar o Congresso pela aprovação do Clarity Act, reforçando a postura de seu governo, amplamente favorável aos ativos digitais ao longo deste ciclo.“O prêmio de risco regulatório está sendo reprecificado para baixo depois que Trump voltou a pressionar o Congresso a aprovar uma legislação sobre a estrutura do mercado de criptomoedas, o que é importante porque regras mais claras tornam mais fácil para as instituições avaliar e assumir exposição”, afirmou Lacie Zhang, analista de pesquisa da Bitget Wallet.Leia tambémTítulos longos dos EUA podem cair mais sem sinalização clara de WarshMercado aguarda discurso do presidente do Fed em Jackson Hole em meio à pressão sobre os Treasuries, inflação persistente e preocupações fiscaisMeta na venda e Berkshire na compra: carteira de Trump gira até US$ 263 milhões; vejaDeclaração financeira revela ampla reorganização da carteira do presidente dos EUA, com movimentações entre US$ 78,1 milhões e US$ 263,1 milhõesA alta foi tão rápida que o Bitcoin rompeu suas médias móveis de 100 e 200 dias, indicadores técnicos amplamente acompanhados pelo mercado, enquanto seu índice de força relativa de 14 dias avançou para uma região considerada de sobrecompra pelos traders.No Standard Chartered, Geoffrey Kendrick vê espaço para que o rali se retroalimente. Ele destacou liquidações recordes de posições vendidas nos dados disponíveis desde 2021 e mais de US$ 1 bilhão em entradas semanais nos ETFs de Bitcoin à vista, argumentando que preços mais altos podem atrair novos fluxos e, posteriormente, trazer de volta ao mercado investidores que operam alavancados.“Pela primeira vez neste ano, agora existe o risco de que minha previsão para o fim do ano, de US$ 100 mil, seja baixa demais. Quando os investidores se lembrarem de quão rapidamente os preços podem acelerar para cima, e depois que passarmos da data de 6 de outubro, 12 meses após a máxima histórica, pode ser possível um avanço além das expectativas em direção à máxima histórica de US$ 126 mil antes do fim do ano.”— Geoffrey KendrickMas uma única semana forte não comprova que esse ciclo de retroalimentação esteja funcionando novamente. A maior criptomoeda do mundo apenas recuperou os níveis vistos pela última vez em maio e ainda está cerca de 43% abaixo do recorde de outubro, longe de estabelecer uma nova faixa de negociação.Grande parte da disparada inicial veio do encerramento forçado de posições vendidas, muitos investidores de ETFs ainda acumulam prejuízos e as empresas com ativos digitais em tesouraria que ajudaram a amplificar altas anteriores continuam enfraquecidas. O Bitcoin também já ensaiou recuperações neste ano que perderam força quando novos compradores não apareceram.Estabelecer uma nova faixa de negociação exigirá algo que o aperto sobre as posições vendidas, por si só, não consegue oferecer: demanda sustentada.“Há alguns sinais encorajadores: à medida que os preços continuaram subindo, vimos novas compras entrarem no mercado, em vez de traders simplesmente encerrarem posições vendidas”, afirmou Tanay Ved, analista sênior da Talos.© 2026 Bloomberg L.P.The post Bitcoin volta aos US$ 80 mil e ressuscita euforia no mercado cripto; rali vai durar? appeared first on InfoMoney.