O presidente Lula (PT) ligou para seu homólogo norte-americano, Donald Trump, na manhã desta sexta-feira (21), em meio à tensão com os EUA pela imposição de um “tarifaço”.Segundo a Secretaria de Comunicação do governo brasileiro (Secom), a conversa durou 1h20 e ocorreu em um tom amistoso e cordial. A ligação abordou temas do relacionamento bilateral e da agenda global.Durante a conversa, Lula afirmou que os argumentos utilizados pelo governo dos EUA para impor tarifas no Brasil são infundados. De acordo com o comunicado, Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível.Os dois presidentes também falaram sobre as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. “Ambos concordaram sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos. O presidente Trump teceu considerações sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã. O presidente Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugerira aos Presidentes Xi Jinping e Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais”, diz um trecho do comunicado.“O Presidente Lula afirmou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”Trecho de nota divulgada pela SecomReciprocidadeNo último dia 13, o governo brasileiro deu início ao processo de reciprocidade contra os Estados Unidos por causa do tarifaços de Donald Trump. A nova leva de tarifas foi aplicada em julho. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores destacou que continuará atuando para reduzir os danos causados pelas tarifas dos Estados Unidos à economia e à renda dos brasileiros.As novas tarifas de Trump colocaram uma sobretaxa de 12,5% aos produtos brasileiros, mas mantém isenção ao café, à carne bovina, ao etanol, a aeronaves e peças da Embraer, a medicamentos e outros. O Brasil já sofria tarifa de 25%.A Lei da Reciprocidade, sancionada em 11 de abril de 2025, foi motivada também por decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Já naquela ocasião, Trump escalou em uma guerra comercial contra diversos países, inclusive o Brasil, e anunciou sobretaxas de importação. A Lei nº 15.122 estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais em resposta a ações, políticas ou práticas unilaterais de outro país que impacte negativamente a competitividade econômica do Brasil.‘Ego’ de LulaEm julho, quando tarifas de 25% foram anunciadas, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, atribuiu ao presidente Lula a falta de um acordo para evitar as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Segundo Rubio, o governo brasileiro não negociou “de boa-fé” e colocou “o próprio ego” à frente das negociações.“Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e estas tarifas são o preço por isso”, escreveu Rubio nas redes sociais.Segundo um funcionário de alto escalão do governo americano, a investigação concluiu que determinadas práticas comerciais adotadas pelo Brasil representam restrições ao comércio dos EUA. Em nota, o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que “as práticas comerciais desleais do Brasil impediram que trabalhadores e produtores americanos tivessem acesso a este importante mercado”.