A Oi (OIBR3) e suas subsidiárias tiveram falência decretada na terça-feira (25). Apesar de ter enfrentado duas recuperações judiciais na última década, a telecom ainda mantém alguns de seus serviços ativos, que atendem desde casas lotéricas até os principais canais de emergência do Brasil.A operadora, que já foi considerada a maior da América Latina, já havia encerrado a venda de chips de telefonia móvel, da Oi Móvel. Nesse processo, a companhia vendeu a operação para um consórcio formado por TIM, Claro e Telefônica (Vivo). Os números foram transferidos para as operadoras.Apesar desse encerramento, outros serviços se mantiveram ativos.Os serviços da Oi que estão ativosSegundo levantamento da administração judicial do Grupo Oi, a Oi Soluções, responsável pelas operações voltadas a clientes corporativos e principal negócio ainda mantido pela empresa, terminou fevereiro deste ano atendendo 9,2 mil clientes ativos.O total representa uma queda de 45% na comparação com os 16,9 mil clientes ativos contabilizados no mesmo período de 2025. Entre os clientes da divisão estão contratos relevantes com o setor público, especialmente com estatais e governos estaduais e municipais — inclusive o Governo da Bahia.Neste mês, a Sitelbra, fornecedora da Oi, teria interrompido a conexão devido a atrasos nos pagamentos. O problema é que esse circuito de dados dá suporte às câmeras da Secretaria da Segurança Pública da Bahia. Por isso, a Justiça determinou que os serviços fossem restabelecidos em até 12 horas.A Secretaria, no entanto, afirmou que o sistema de videomonitoramento não sofreu interrupções nem alterações e informou que acompanha a situação da operadora.Caixa Econômica Federal, 190 e a prefeitura de João PessoaA Caixa Econômica Federal figura entre os principais clientes corporativos da Oi. Documentos apresentados pela operadora à Justiça mostram que a empresa mantém 14 contratos ligados à conectividade de aproximadamente 13 mil casas lotéricas espalhadas pelo país.A importância dessa infraestrutura ficou evidente no início deste mês, durante a interrupção da Sitelbra, A medida afetou o funcionamento da rede de lotéricas em 18 estados, evidenciando a dependência de serviços essenciais da estrutura ainda operada pela companhia.Na área de telefonia, a Oi também continua responsável pela operação de linhas vinculadas a números tridígitos de utilidade pública. A infraestrutura sustenta serviços de emergência como o 190, da Polícia Militar; o 192, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu); e o 193, do Corpo de Bombeiros. Além disso, atende canais da Defesa Civil, das polícias Civil, Federal e Rodoviária Federal, da Marinha e de diversos outros serviços públicos que funcionam 24 horas por dia.Entre os clientes da operadora também está a Prefeitura de João Pessoa, na Paraíba. Segundo documentos da Oi, a administração municipal mantém contrato firmado em 2022 para a prestação de serviços de transporte de dados, internet dedicada, banda larga e telefonia fixa.Em nota, a prefeitura informou que já iniciou uma migração gradual para uma rede própria, com o objetivo de reduzir a dependência de operadoras terceirizadas. O município, no entanto, ainda verifica se o contrato com a Oi continua em vigor, quais unidades seguem sendo atendidas pela empresa e se houve registros de interrupções recentes nos serviços.O que acontece agora?Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os serviços essenciais continuarão sendo prestados durante uma fase de transição:“A Anatel aguarda o inteiro teor da decisão e atuará em cooperação com o administrador judicial e o Juízo para assegurar uma transição ordenada e sem descontinuidade dos serviços”, destacou o órgão regulador.A agência também afirmou que manterá um acompanhamento permanente da situação da operadora.A prioridade, segundo o órgão, será garantir a continuidade de serviços de relevante interesse social, incluindo a operação de linhas telefônicas, códigos de emergência e utilidade pública, além das interconexões que asseguram o funcionamento da infraestrutura de telecomunicações.*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.