Star Wars Zero Company é o novo jogo de estratégia por turnos da Electronic Arts, desenvolvido pela Bit Reactor em parceria com a Lucasfilm Games. Inspirado em clássicos do gênero, como XCOM, o título leva os jogadores aos momentos finais das Guerras Clônicas e coloca a Companhia Zero no centro da história. O grupo de mercenários é liderado por Hawks, ex-capitão ou capitã da Grande Armada da República que decide deixar as fileiras do governo para assumir trabalhos perigosos por conta própria.O que já me encantou logo de cara foi a escolha por uma história pouco usual no universo de Star Wars. O objetivo aqui é conter a Bobina Infinita, um culto paramilitar alinhado aos Separatistas, cujos membros foram infectados pela Praga das Sombras, uma doença misteriosa capaz de conceder resistência e habilidades letais fora do comum. O TechTudo pôde jogar o game antecipadamente pelo PS5 Pro e conta, a seguir, o que achamos do jogo. Star Wars Zero Company estará disponível para PlayStation 5 (PS5), Xbox Series X, Xbox Series S e PC, pelas plataformas Steam, EA App e Epic Games Store.🎮 Review | Metal Gear Solid Master Collection Vol. 2 é presente para fãs da saga📲 Comparador de celulares do TechTudo: Veja os melhores para jogarReview | Star Wars Zero CompanyArte/TechTudo➡️ Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews👉 Quais são os 10 melhores jogos na sua opinião? Opine no Fórum do TechTudoStar Wars Zero Company vale a pena?Assumo que estratégia por turnos não é meu gênero predileto, o que me deixou, logo de cara, com o pé atrás ao receber a oportunidade de testar Star Wars Zero Company. Some isso a uma certa desconfiança minha em relação à produção de qualquer conteúdo relacionado a Star Wars em 2026, especialmente diante da quantidade de produtos lançados em sequência, algo que também se reflete nos games da franquia. Por isso, entrei na experiência com uma pergunta em mente: se esse jogo fosse uma IP nova, eu gostaria de jogá-lo? E, bem, a resposta é mais ou menos.O ponto alto de todo o jogo é a história, que acontece em um período ainda pouco explorado: o fim das Guerras Clônicas. Em vez de repetir o eixo batido entre Jedi e Sith, tão presente em outras produções da franquia, Star Wars Zero Company prefere olhar para os bastidores desse conflito. É um recorte que funciona bem porque não depende do peso simbólico de heróis já consagrados no universo Star Wars para sustentar o interesse. Mesmo com um elenco totalmente inédito, o jogo constrói rapidamente a personalidade de cada agente, e é justamente esse foco em pessoas comuns, e não em salvadores da galáxia, que torna a história um dos maiores acertos de Star Wars Zero Company.Star Wars Zero CompanyVictor Bastos/TechTudoA maneira como a gameplay foi desenvolvida não assusta novos jogadores e certamente vai fazer os maiores fãs de XCOM se apaixonarem. A dinâmica entre os personagens também é bem interessante e funciona como um dos motores da trama, que se torna cada vez mais envolvente à medida que as missões são concluídas. Tudo isso ganha ainda mais peso com a possibilidade de perder agentes importantes para o sistema de permadeath. Ou seja: morreu, já era. Todos esses elementos reforçam o sentimento de pertencimento àquele grupo de mercenários. São pessoas normais. Você não quer vê-las morrer. E, se isso acontecer, será triste, mas a Companhia Zero precisará continuar funcionando.Star Wars Zero CompanyVictor Bastos/TechTudoApesar de todos os pontos positivos, é preciso dizer que, em alguns momentos, o jogo pode ser monótono, principalmente porque as missões acabam se parecendo muito entre si, sem grande diferença nas abordagens possíveis. Além disso, o modo em que é possível controlar o personagem livremente, como em outros jogos em terceira pessoa, é completamente dispensável.Esta é, inclusive, minha segunda experiência com o jogo. Ainda no início de agosto, pude testar uma versão anterior e já havia me surpreendido com o que vi. Nesta versão final, o título está mais lapidado, mas ainda apresenta falhas grandes de desempenho, que poderiam ser revistas em futuras atualizações. De fato, gosto de tudo o que experimentei, mas acredito que falta algo para tornar a experiência inesquecível.Uma história longe do eixo Jedi e SithA campanha se passa nos momentos finais das Guerras Clônicas, conflito entre a República Galáctica e os Separatistas retratado entre os episódios Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith. Controlamos Hawks, antigo oficial da República que agora lidera a Companhia Zero, grupo reunido para impedir os planos de Kundri Fathom, líder da misteriosa organização Bobina Infinita.Um dos acertos de Star Wars Zero Company está em manter distância do tradicional eixo entre Jedi e Sith, já bastante explorado em outras produções da franquia. Os integrantes da Companhia Zero são veteranos, mercenários e desertores tentando sobreviver a uma guerra que não escolheram, o que abre espaço para motivações mais humanas do que o habitual em Star Wars. Mesmo com um elenco totalmente inédito, a narrativa constrói rapidamente a personalidade de cada agente, tornando a equipe um dos principais atrativos da experiência.Star Wars Zero CompanyVictor Bastos/TechTudoTrick e Kabb foram, de longe, meus personagens favoritos para levar às missões, e me acompanharam durante boa parte dos primeiros momentos de gameplay. Aos poucos, somos apresentados aos poderes e habilidades de cada um em batalha, o que facilita entender como explorar a sinergia entre os agentes. Mas eles vão além do que oferecem em combate: todos carregam camadas que a narrativa revela aos poucos, trazendo uma humanidade que costuma ficar em segundo plano nas aventuras de Star Wars. Ninguém ali é exatamente um herói, e cada personagem tem seus próprios motivos para continuar lutando.Star Wars Zero CompanyVictor Bastos/TechTudoCombate tático que exige planejamento a cada movimentoDurante as missões, Star Wars Zero Company adota visão isométrica e combate por turnos, estilo do qual, sinceramente, não sou muito fã, mas que aqui funciona muito bem. Cada personagem conta com três Pontos de Ação, usados para movimentação, ataques, habilidades especiais e posicionamento no campo de batalha. Cobertura, flanqueamento e controle da altura do terreno pesam bastante nos confrontos, e não pensar duas ou três jogadas à frente pode custar a vida de um agente.O posicionamento também é fundamental por causa da porcentagem de chance de acerto, mecânica comum em jogos do gênero: quanto pior o ângulo em relação ao inimigo, menor a probabilidade de acertar o disparo. Por isso, é preciso equilibrar manter distância, buscar uma boa posição de ataque e evitar ficar exposto demais. Em muitos momentos, a experiência se aproxima de um jogo de xadrez, em que cada movimento precisa ser calculado antes de avançar.Star Wars Zero CompanyVictor Bastos/TechTudoFora das missões, também não sobra muito tempo livre. Administrar pesquisas, melhorar equipamentos e conversar com os integrantes da equipe são etapas importantes para preparar as próximas operações, e vale ficar de olho no arsenal do grupo, que permite equipar granadas e outros gadgets táticos. A gestão do hub é, assim, uma etapa tão importante quanto o próprio combate.Star Wars Zero CompanyVictor Bastos/TechTudoOs agentes e o sistema de vínculos são o ponto alto do jogoO elenco é formado tanto por agentes autorais, com história e habilidades próprias, quanto por personagens personalizados recrutados ao longo da trama. A maioria se encaixa em uma das oito especializações (Assault, Gunslinger, Heavy, Medic, Scoundrel, Scout, Sharpshooter e Soldier), cada uma com três tipos de habilidade: Suprema, Padrão e Passiva.Praticamente todos os integrantes da Companhia Zero podem ser personalizados, com liberdade para mexer em equipamentos, aparência, espécie, habilidades e armamento de cada agente, o que ajuda a criar um vínculo ainda maior com o esquadrão montado ao longo da campanha. O sistema de loadout também merece destaque: cada personagem pode equipar armas diferentes conforme sua função no grupo, e vale a pena parar entre uma missão e outra para pensar com cuidado no arsenal de cada um.Star Wars Zero CompanyVictor Bastos/TechTudoFoi aí, porém, que senti o maior desequilíbrio da prévia. Das quatro armas principais às quais tive acesso, duas metralhadoras, uma pistola e um rifle de precisão, o rifle e uma das metralhadoras se mostraram claramente superiores em praticamente qualquer situação, enquanto a pistola raramente justificou sua escolha nas minhas partidas. É um aspecto que a Bit Reactor ainda tem tempo de equilibrar até o lançamento, já que hoje a variedade de armas existe no papel, mas não se sustenta tanto na prática.Star Wars Zero CompanyVictor Bastos/TechTudoO sistema mais interessante do jogo, porém, não está no arsenal, e sim no vínculo entre os agentes. Quanto mais missões um mesmo grupo cumpre junto, maior se torna o laço entre seus integrantes, desbloqueando novas interações em combate e sessões de treinamento que concedem melhorias permanentes de atributos. Levei Hawks, Trick e Kabb juntos em algumas missões seguidas e pude notar essa evolução de perto: personagens que, no início, mal se falavam passaram a trocar comentários durante as batalhas e a executar ações cooperativas que facilitaram encontros mais difíceis.Star Wars Zero CompanyVictor Bastos/TechTudoO sistema recompensa manter o mesmo esquadrão ao longo da campanha, em vez de trocar constantemente os agentes só para testar builds diferentes, e é justamente esse investimento nas relações que torna o permadeath tão pesado. Se um agente morre em combate, ele se vai definitivamente, e isso pode afetar até o rumo da história, uma perda que pesa ainda mais depois de horas construindo relação com aquele grupo específico. É possível desativar a mecânica nas configurações, mas os próprios desenvolvedores recomendam mantê-la ligada, e faz sentido.Star Wars Zero CompanyVictor Bastos/TechTudoAntes de morrer de vez, um personagem ainda pode ser reerguido em campo algumas vezes, recuperando parte da energia, e essas "vidas" são repostas depois na baia médica da base. Na prática, é preciso cometer um erro grave de posicionamento ou enfrentar uma sequência considerável de azar para perder alguém definitivamente, o que torna o sistema tenso sem ser excessivamente punitivo.Desempenho ainda deixa a desejarNem tudo, porém, correspondeu ao nível de polimento visto no combate e na construção dos personagens. Notei quedas na taxa de quadros em alguns momentos, principalmente em áreas mais carregadas de efeitos visuais, mesmo quando não havia uma justificativa aparente para a sobrecarga da cena. Também esbarrei em problemas de câmera, com a visão sendo obstruída por elementos do cenário durante o posicionamento tático, o que atrapalha justamente nos momentos em que mais preciso de clareza para tomar uma decisão.Star Wars Zero CompanyVictor Bastos/TechTudoOutro ponto incômodo está na demora do sistema para dar continuidade ao combate em algumas situações. Ao que tudo indica, o jogo realiza cálculos em tempo real para processar determinadas ações e seguir com a simulação, mas alguns elementos técnicos parecem tornar esse processo mais lento do que deveria. São problemas que não chegam a comprometer a experiência como um todo, mas pesam mais em um jogo tático, no qual ler o campo de batalha com precisão é essencial. Fica a expectativa de que a Bit Reactor aproveite o tempo até o lançamento para resolver essas questões de otimização.Star Wars Zero CompanyVictor Bastos/TechTudo⭐ Nota final:Initial plugin textRequisitos de Star Wars Zero CompanyStar Wars Zero Company - Requisitos de Sistema (PC)Mais do TechTudoVeja também: CRIMSON DESERT É BOM?? Testamos o jogo por 100 horas!CRIMSON DESERT É BOM?? Testamos o jogo por 100 horas!