Bitcoin pode surfar crise da dívida dos EUA e atingir US$ 150 mil, diz Bernstein

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O Bitcoin pode atingir uma nova máxima histórica de US$ 150 mil até meados de 2027 e chegar perto de US$ 300 mil no pico do próximo ciclo, em 2029, segundo analistas da Bernstein. A projeção se apoia em uma tese macroeconômica cada vez mais discutida no mercado: a busca por ativos escassos em meio ao aumento da dívida pública e ao risco de perda de valor das moedas tradicionais.Em relatório enviado a clientes nesta quarta-feira, analistas liderados por Gautam Chhugani afirmaram que a era de 40 anos de queda dos juros chegou ao fim. Com a dívida soberana dos Estados Unidos em cerca de US$ 40 trilhões, governos enfrentam custos crescentes para financiar seus déficits, o que pode criar um ciclo de juros mais altos, mais despesas com dívida, déficits maiores e nova necessidade de emissão.Na avaliação da Bernstein, esse cenário torna a sustentabilidade da dívida um desafio cada vez maior para formuladores de política econômica. Por isso, os analistas acreditam que governos podem acabar aceitando algum grau de desvalorização monetária, em vez de enfrentar todo o ajuste fiscal necessário.Essa leitura favorece ativos que não podem ser criados ou diluídos facilmente. É aí que entram Bitcoin e ouro. No caso do BTC, a tese ganha força por causa da oferta limitada a 21 milhões de unidades, da base crescente de investidores institucionais e do acesso mais fácil por meio dos ETFs à vista.Leia também: Novo bull market do Bitcoin começou, diz Arthur Hayes após ação do Tesouro dos EUAA Bernstein também destacou que cerca de 59% da oferta de Bitcoin não se moveu nos últimos 12 meses, sinal de que uma parte relevante dos investidores segue segurando o ativo mesmo depois de uma correção forte. O BTC subiu 28% nos últimos dez dias, após ter caído cerca de 50% desde a máxima de outubro de 2025.Para os analistas, a queda mais limitada em comparação com ciclos anteriores pode ter relação com a entrada de investidores por ETFs à vista e compras de empresas que adotaram Bitcoin em tesouraria. Em mercados de baixa anteriores, o BTC chegou a cair entre 75% e 90%.Cenário otimista vê Bitcoin a US$ 500 milO cenário-base da Bernstein ainda considera que o Bitcoin seguirá seu ciclo histórico de quatro anos. Nesse modelo, o banco avalia o BTC como um múltiplo do custo marginal de produção. A projeção prevê o Bitcoin voltando para perto de US$ 125 mil até o fim de 2026, avançando para US$ 150 mil em meados de 2027 e chegando a aproximadamente US$ 300 mil em 2029.Mas a casa também apresentou um cenário mais otimista. Se a tese de perda de valor das moedas ganhar força e o capital institucional buscar Bitcoin de forma mais agressiva, o BTC poderia chegar a US$ 200 mil em meados de 2027 e atingir US$ 500 mil no pico de 2029.A Bernstein manteve ainda sua previsão de longo prazo de US$ 1 milhão por Bitcoin até o fim de 2033.A tese do chamado “debasement trade” também começa a aparecer na dinâmica dos ETFs. Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg, afirmou que essa busca por proteção contra desvalorização monetária começa a substituir a euforia em torno da inteligência artificial. Segundo ele, o ETF de Bitcoin da BlackRock, o IBIT, e o ETF de ouro da SPDR, o GLD, voltaram ao grupo dos dez ETFs mais negociados, deslocando alguns fundos de semicondutores que dominaram o ranking durante o verão no hemisfério norte.Esse movimento sugere uma rotação de parte do mercado. Depois de meses em que ações ligadas à IA concentraram o apetite por risco, investidores voltam a olhar para ativos de reserva de valor, especialmente em um ambiente de dívida elevada, juros longos pressionados e dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal dos EUA.A Bernstein também atualizou sua visão sobre a Strategy, empresa de Michael Saylor que acumula Bitcoin em seu balanço. A casa manteve recomendação outperform (acima da média do mercado) para a ação, mas reduziu o preço-alvo de US$ 450 para US$ 350, citando a nova leitura sobre o ciclo do Bitcoin e uma diluição acionária mais acelerada.Mesmo com o corte, o novo alvo ainda representa potencial de alta de 176% sobre o fechamento de terça-feira, de US$ 126,83. A Strategy possui atualmente 840.447 BTC, o equivalente a cerca de 4% da oferta total do Bitcoin.Segundo a Bernstein, o balanço da empresa está mais forte, com cobertura de caixa para aproximadamente 3,9 anos de despesas anuais com juros e dividendos preferenciais. Os analistas afirmam, porém, que a continuidade da alta do Bitcoin e a recuperação das ações preferenciais STRC para perto de US$ 100 poderiam fazer a Strategy voltar a comprar BTC de forma mais agressiva.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. Não adie uma carteira promissora e faça mais pelo seu dinheiro. Abra sua conta e invista em bitcoin agora!O post Bitcoin pode surfar crise da dívida dos EUA e atingir US$ 150 mil, diz Bernstein apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.