O PT pressiona Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a adotar uma postura mais incisiva em relação às investigações que envolvem seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O assunto passou a ocupar o centro das reuniões da coordenação de campanha do governo, segundo apuração da analista de Política da CNN Clarissa Oliveira, ao Live CNN.De acordo com informações obtidas nos bastidores do Palácio do Planalto, Lula está em processo de recálculo de rota para definir se mudará o tom em relação ao que vem a público sobre a atuação do filho.A avaliação interna é de que chegou o momento de ele ser mais duro e direto sobre o tema, especialmente diante da proximidade de uma sabatina considerada estratégica na TV Globo, dado o alcance do Jornal Nacional.Postura atual e possível mudança de abordagemAté o momento, Lula tem repetido que, caso haja algo de errado, o filho será investigado, que não haverá interferência na atuação da Polícia Federal para beneficiar ninguém e que acredita na palavra de Fábio Luís, que afirma não ter cometido irregularidades.Uma das linhas em discussão internamente seria o pai declarar publicamente que não pode ser responsabilizado pelos atos de um filho adulto, ressaltando que cada um deve responder pelos próprios atos — sempre com a ressalva de que a presunção de inocência deve ser respeitada e que a investigação deve correr de forma independente.A ideia seria que Lula passasse a dizer de forma mais enfática que não compactua com qualquer tipo de irregularidade, tráfico de influência ou comportamento antiético, e que, seja qual for o resultado das investigações, seu governo não tolerará corrupção de nenhuma espécie. Leia mais Amiga de Lulinha concentrou lobby em órgãos de tecnologia e saúde, diz PF Análise: Lula teme impacto de caso Lulinha na militância do PT Análise: PT avalia que o impacto de "caso Lulinha" já foi incorporado Constrangimento nos bastidoresUm interlocutor próximo ao presidente resumiu o sentimento interno com a seguinte expressão: “O que a gente está passando é um tremendo de um constrangimento.” A avaliação leva em conta que, depois de polêmicas anteriores envolvendo Lulinha — como o caso Gamecorp —, uma nova história do mesmo tipo surge no contexto de uma eleição presidencial.Segundo as informações disponíveis até o momento para a Polícia Federal, Roberta Luchsinger e seus sócios ou parceiros teriam tentado firmar negócios com o Ministério da Saúde relacionados ao canabidiol, com ao menos três tentativas de selar um contrato, todas frustradas.A defesa de Lulinha sustenta que ele se isenta dessa articulação e que, se Roberta agiu dessa forma, ela deve se explicar, pois teria agido sem nenhuma anuência do filho do presidente. Não há, até o momento, um contrato ou fato concreto que comprove que o alegado tráfico de influência foi bem-sucedido ou que beneficiou alguém de forma direta.Vídeo com inteligência artificial e derrota judicialParalelamente, a defesa de Lulinha também enfrentou uma derrota judicial ao tentar retirar do ar um vídeo produzido com inteligência artificial que o retratava de forma humorística no contexto das investigações.Em nota, a defesa argumentou que “a roupagem humorística não elimina a natureza difamatória dessas imputações” e que “uma acusação desonrosa não se converte em opinião apenas porque é inserida em charge, desenho, paródia ou animação.” Apesar disso, a tentativa de remover o conteúdo não foi bem-sucedida. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.