Os microplásticos deixaram de ser um assunto restrito a laboratórios. Eles aparecem em manchetes, em estudos e, cada vez mais, em análises de sangue, pulmão e placenta humanos. A quantidade de dúvidas cresceu junto. Reunimos cinco perguntas frequentes e as respostas que a ciência já consegue dar — e também aquilo que ela ainda não sabe.1. O que exatamente é um microplástico?São partículas de plástico menores que 5 milímetros. Cabem em várias categorias. Alguns já nascem pequenos, como as microesferas usadas em cosméticos e produtos de limpeza. Outros são fragmentos de objetos maiores que se quebraram com o sol, o atrito e as ondas: garrafas, embalagens, pneus, redes de pesca.Quando as partículas ficam ainda menores, na escala de bilionésimos de metro, ganham outro nome: nanoplásticos. Esses são os mais preocupantes, porque conseguem atravessar barreiras biológicas que os fragmentos maiores não atravessam.2. Onde eles estão?A resposta curta é desconfortável: praticamente em todo lugar. Pesquisadores já encontraram microplásticos no fundo da Fossa das Marianas, no gelo do Ártico e na neve dos Alpes. Também estão no ar que respiramos dentro de casa, onde a poeira doméstica carrega fibras sintéticas soltas por roupas e tapetes.Na comida, aparecem em sal marinho, frutos do mar, cerveja, mel e água engarrafada. Um estudo bastante citado estimou que uma garrafa de água pode conter centenas de milhares de fragmentos de nanoplástico por litro.3. Quanto plástico uma pessoa consome?Aqui é preciso cautela. Circula muito a ideia de que ingerimos o equivalente a um cartão de crédito de plástico por semana, cerca de 5 gramas. O número virou meme, mas é contestado por outros pesquisadores, que consideram a metodologia frágil e o valor superestimado.O ponto sólido é outro: há exposição contínua, por via oral e respiratória. A dose exata ainda está em disputa. Medir partículas minúsculas em tecidos vivos é tecnicamente difícil, e a contaminação das próprias amostras em laboratório é um problema real.4. Microplástico faz mal à saúde?Esta é a pergunta mais importante e a que tem a resposta menos definitiva. Estudos em animais e em células apontam inflamação, estresse oxidativo e alterações no intestino. Em humanos, as evidências ainda são preliminares.Um trabalho publicado em 2024 chamou atenção ao associar a presença de microplásticos em placas de artéria carótida a maior risco de infarto, AVC e morte em um grupo de pacientes acompanhados por cerca de três anos. É um sinal forte, mas é um estudo observacional: mostra associação, não causa comprovada.Há ainda um agravante. O plástico raramente é só plástico. Ele carrega aditivos como ftalatos e bisfenóis, além de absorver poluentes do ambiente. Parte do risco pode vir dessas caronas químicas, não da partícula em si.5. Dá para reduzir a exposição?Não dá para zerar, mas alguns hábitos ajudam:Evite aquecer comida em recipientes plásticos no micro-ondas;Prefira água de torneira filtrada a água engarrafada;Troque potes e garrafas plásticas por vidro ou aço inox;Ventile e limpe a casa com pano úmido, para reduzir poeira com fibras;Lave roupas sintéticas com menos frequência e em ciclos mais curtos.Ainda assim, a mudança relevante é coletiva. Reduzir a produção global de plástico virgem é o único caminho apontado por especialistas para conter o problema na origem. Negociações internacionais para um tratado global sobre plásticos seguem em andamento.Enquanto isso, a ciência corre atrás de uma pergunta que parece simples e não é: quanto disso, afinal, faz mal?O post Cinco perguntas sobre microplásticos que você precisa fazer apareceu primeiro em Olhar Digital.