CNI diz que fim da “taxa das blusinhas” pode ameaçar 109 mil empregos

Wait 5 sec.

A retirada do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 pode colocar em risco cerca de 109 mil empregos no Brasil e reduzir em R$ 21,8 bilhões a produção doméstica em 2026, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta quarta-feira (26/8).Em nota técnica sobre os efeitos do fim da chamada “taxa das blusinhas”, a CNI considera o impacto da medida sobre o volume e o valor das remessas internacionais de pequeno valor, que entram no país por meio do Programa Remessa Conforme.Segundo a entidade, a desoneração tende a ampliar a competitividade dos produtos importados em relação aos nacionais, com reflexos diretos na atividade econômica interna. Leia também BrasilAlcolumbre promete votação da MP da taxa das blusinhas na próxima semana BrasilTaxa das blusinhas: Motta anuncia avanço na comissão após reunião com Lula Igor GadelhaAs três senadoras cotadas para relatar a MP do fim da “taxa das blusinhas” BrasilLula se reúne com Motta e Alcolumbre por taxa das blusinhas e prioridades A projeção é de que o número de encomendas desse tipo alcance 249,5 milhões em 2026, alta de 56,3% na comparação com 2025.Caso o imposto seja mantido, o volume seria menor, de 194,9 milhões, ainda assim, crescimento de 22,1% em relação ao ano anterior. O fim da taxação deve elevar em 28% a quantidade de remessas, segundo estimativas da CNI.A entidade projeta que as importações via Remessa Conforme devem somar R$ 23,6 bilhões, avanço de 65,7% frente a 2025. Com a cobrança do imposto, o montante ficaria em R$ 16,6 bilhões, o que representaria alta de 16,2%. A mudança, portanto, tende a ampliar em 42,3% o valor das compras internacionais de pequeno valor.Para a CNI, o efeito não se limita ao comércio. O estudo aponta que, para cada R$ 1 gasto com produtos importados nesse formato, deixam de ser gerados R$ 3,11 ao longo das cadeias produtivas no país.O impacto recai principalmente sobre a indústria de transformação, segmento que concentra boa parte dos bens adquiridos por meio dessas plataformas, como eletrônicos, roupas e itens de consumo. Como esses produtos competem diretamente com a produção nacional, cerca de dois terços das perdas estimadas se concentram nesse setor.A avaliação da entidade é de que a medida cria uma distorção tributária ao favorecer produtos importados de baixo valor, em detrimento da produção doméstica. O fim da cobrança está previsto na Medida Provisória nº 1.357/2026, em tramitação no Congresso Nacional.Encontro entre Lula, Alcolumbre e MottaNesta quarta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, se reuniram no Palácio da Alvorada.O encontro, que também contou com o presidente da Câmara, Hugo Motta, teve como objetivo alinhar a tramitação da MP que zera a taxa das blusinhas para compras internacionais de até US$ 50.De acordo com Lula, houve acordo para priorizar a análise da proposta no próximo esforço concentrado do Congresso, previsto para o fim de agosto e início de setembro, diante do prazo apertado para votação, já que a MP perde a validade no começo de setembro.