Os candidatos que disputam as eleições de 2026 declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mais de R$ 1 bilhão em bens relacionados a criptomoedas e ativos digitais, segundo levantamento feito a partir da base pública de patrimônio dos postulantes. Ao todo, foram 320 registros de bens ligados ao universo cripto em 162 candidaturas espalhadas pelo país.O número chama atenção pelo tamanho, mas tem uma ressalva importante. R$ 500 milhões do total estão concentrados em um único ativo ainda desconhecido, descrito pelo próprio candidato como um “Community Token” que seria lançado. Sem esse caso atípico e outros quatro registros em que criptomoedas aparecem misturadas a diferentes tipos de investimento, o valor considerado de forma mais conservadora cai para R$ 502,5 milhões.Mesmo nesse recorte, o patrimônio é altamente concentrado. Só Leonardo Avalanche (PRTB), candidato a vice-presidente, declarou R$ 491,17 milhões em Bitcoin, respondendo por quase 98% dos R$ 502,5 milhões do cálculo conservador.O levantamento considera os bens informados pelos próprios candidatos ao TSE e identificados por descrições como criptomoedas, moedas virtuais, ativos digitais, nomes ou siglas de tokens, como Bitcoin ou BTC, além de alguns registros de custódia, exchanges e produtos de investimento ligados ao setor. Os valores são os declarados pelos candidatos e, portanto, não significam necessariamente o valor de mercado atual dos ativos.Leia também: Como as criptomoedas podem impactar as eleições de 2026A base de candidatos de 2026 do TSE reúne, entre outros arquivos, as declarações patrimoniais apresentadas à Justiça Eleitoral. Os dados são gerados a partir do sistema DivulgaCand.Vice-presidente e deputado estadual concentram quase 99%A maior declaração relacionada a ativos digitais não é de Leonardo Avalanche, mas de Fernando Irineu de Souza, o Fe, candidato a deputado estadual pelo PDT em São Paulo.Fe informou possuir 10% de um “Community Token”, avaliado em R$ 500 milhões. Na própria descrição entregue ao TSE, no entanto, o candidato afirma que o token “será lançado” pelo Jornal Super Heróis News. Sozinho, ele representa praticamente metade do R$ 1,002 bilhão encontrado no levantamento. Por se tratar de um ativo que, segundo a própria declaração, ainda seria lançado, ele foi mantido na soma mais ampla, mas retirado do cálculo conservador.Na sequência aparece Leonardo Avalanche, candidato a vice-presidente pelo PRTB. Ele declarou R$ 491.174.496 em Bitcoin, dentro de um patrimônio total de aproximadamente R$ 495 milhões. A posição em BTC, portanto, representa mais de 99% de todos os bens informados por Avalanche à Justiça Eleitoral.Somados, o token declarado por Fe e os bitcoins de Avalanche chegam a R$ 991,17 milhões, o equivalente a 98,9% de todo o R$ 1 bilhão encontrado. A concentração é tão grande que, retirados os R$ 500 milhões do Community Token e os R$ 491,17 milhões de Avalanche, sobra uma fração do valor para todas as demais candidaturas.O terceiro maior patrimônio ligado diretamente a cripto encontrado no levantamento já está em uma escala muito menor. Ednailson Leite Rozenha, o Rozenha, candidato a deputado estadual pelo PSD no Amazonas, declarou aproximadamente R$ 2,51 milhões em ativos digitais.Depois aparecem Kaue Luiz de Oliveira, candidato a deputado federal pelo Novo em Santa Catarina, com cerca de R$ 822 mil, e Rodrigo Antonio Paes de Andrade Lopes de Oliveira, segundo suplente ao Senado pelo MDB no Ceará, com aproximadamente R$ 745 mil em diferentes registros ligados a criptoativos.Também figuram entre os maiores valores Thiago Ganem (PL-MG), candidato a deputado federal, com R$ 527,2 mil; Teresa Surita (MDB-RR), candidata ao Senado, com R$ 404 mil; Dr. Frederico (PL-MG), candidato a deputado federal, com R$ 385 mil; e Lucas Pocay (PSD-SP), candidato a deputado estadual, com R$ 340 mil.Deputados são 85% das candidaturas com criptoSe o dinheiro está concentrado em poucos nomes, a presença de ativos ligados ao mercado cripto aparece de forma muito mais espalhada quando o recorte é feito por cargo.Dos 162 registros de candidatura encontrados no levantamento, 76 são de candidatos a deputado estadual. Outros 62 disputam uma vaga de deputado federal. Juntos, portanto, candidatos às assembleias legislativas e à Câmara dos Deputados representam 138 das 162 candidaturas, ou aproximadamente 85% do total.A predominância acompanha, em parte, o próprio tamanho das eleições proporcionais. Em 2026, os cargos de deputado estadual e federal concentram a ampla maioria dos pedidos de registro de candidatura do país. Dados do TSE divulgados após o encerramento do prazo de registro mostravam mais de 11 mil candidaturas para deputado estadual e mais de 7,6 mil para deputado federal.Mas os ativos digitais também aparecem nas disputas majoritárias O levantamento encontrou bens relacionados ao setor entre sete candidatos ao Senado, além de quatro primeiros suplentes e três segundos suplentes. Há ainda três candidatos a governador, seis concorrentes a deputado distrital no Distrito Federal e o caso de Avalanche na disputa pela Vice-Presidência.Leia também: MPF reforça que doações com criptomoedas são proibidas nas eleiçõesNão foi encontrada, porém, uma declaração comparável entre os candidatos diretamente à Presidência. O maior patrimônio cripto no núcleo da corrida presidencial está justamente no candidato a vice do PRTB.O dado mostra que a exposição a ativos digitais deixou de aparecer apenas em candidaturas identificadas diretamente com tecnologia ou com o mercado financeiro. Os registros atravessam diferentes cargos e partidos e vão de patrimônios milionários a posições de valor bastante reduzido.São Paulo lidera em candidaturas, mas Rio tem mais registros de bensA distribuição geográfica também é desigual. São Paulo aparece na liderança em número de candidaturas com algum patrimônio ligado a cripto, com 32 registros de candidatura e 44 declarações de bens identificadas no levantamento.O Rio de Janeiro vem logo depois em número de candidatos, com 20 candidaturas, mas supera São Paulo quando são contados individualmente os bens: são 59 registros patrimoniais ligados ao setor.Isso acontece porque uma mesma pessoa pode declarar vários ativos separadamente. Um candidato com Bitcoin, outro token e saldo mantido em uma plataforma, por exemplo, pode aparecer em diversas linhas da base patrimonial mesmo representando apenas uma candidatura.Somados, São Paulo e Rio de Janeiro reúnem 52 das 162 candidaturas, pouco mais de 32% do total nacional.Na sequência aparece o Paraná, com 17 candidaturas, seguido por Santa Catarina, com 12, e Minas Gerais, com dez. Assim, os cinco estados com maior presença estão concentrados nas regiões Sudeste e Sul.A distribuição dos valores, entretanto, não acompanha necessariamente a quantidade de candidatos. São Paulo, por exemplo, carrega o impacto dos R$ 500 milhões atribuídos ao Community Token de Fe. Já o patrimônio de quase meio bilhão de reais de Leonardo Avalanche entra no registro da disputa nacional à Vice-Presidência.Fora do eixo Sul-Sudeste, também aparecem valores relevantes. O Amazonas abriga o terceiro maior patrimônio do levantamento, com os mais de R$ 2,5 milhões declarados por Rozenha. A única unidade da Federação em que não foi encontrado patrimônio relacionado ao universo cripto foi a Paraíba.Valores declarados exigem cautela na comparaçãoAs cifras do levantamento ajudam a dimensionar como os ativos digitais passaram a integrar o patrimônio declarado por candidatos brasileiros, mas não devem ser interpretadas como uma fotografia exata do valor financeiro dessas carteiras hoje.A declaração ao TSE registra o valor informado pelo candidato, e não uma marcação automática dos ativos a mercado no dia em que os dados são consultados. Isso é especialmente relevante para criptomoedas, cujo preço pode variar fortemente entre a aquisição, o momento da declaração e a eleição.Também há diferenças grandes na forma como cada candidato descreve os bens. Enquanto alguns informam explicitamente o ativo, a quantidade e até detalhes de custódia, outros fazem registros genéricos como “moeda digital”, “ativo digital” ou investimentos mantidos em plataformas.Há ainda fundos, ETFs e outros produtos financeiros ligados ao mercado cripto, além de saldos em exchanges nos quais não é possível determinar pela descrição pública exatamente quais ativos estão presentes.Por isso, o número de R$ 1,002 bilhão deve ser entendido como o universo mais amplo de registros relacionados ao setor encontrados na base.O caso do Community Token é o principal exemplo dessa dificuldade. Os R$ 500 milhões foram declarados formalmente ao TSE e, portanto, fazem parte do patrimônio informado pelo candidato. Ao mesmo tempo, a própria descrição diz que o ativo ainda seria lançado, o que faz necessário uma separação do resto, sem contar o fato de ser um ativo que não há nenhuma informação disponível publicamente.É justamente por isso que os R$ 502,5 milhões no recorte conservador ajudam a dimensionar melhor o patrimônio efetivamente associado ao mercado cripto. Mesmo depois desse ajuste, porém, a conclusão continua expressiva: centenas de registros patrimoniais ligados a ativos digitais aparecem nas eleições brasileiras de 2026, espalhados por praticamente todo o país e por diferentes cargos.A porta de entrada para o bitcoin, a maior criptomoeda do mundo, está no MB. É simples, seguro e transparente. Deixe de adiar um investimento com potencial gigantesco. Invista em poucos cliques!O post Candidatos das eleições de 2026 declaram mais de R$ 1 bilhão em criptomoedas ao TSE apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.