NASA vai lançar telescópio Roman para criar o “Google Maps” do Universo

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A NASA está nos preparativos finais para lançar o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman. Esse novo observatório promete revolucionar a astronomia ao criar uma espécie de “Google Maps” do Universo, mapeando bilhões de galáxias com uma rapidez impressionante. Com transmissão ao vivo pelo Olhar Digital, o lançamento marca o início de uma missão que pode ajudar a responder a uma das perguntas mais antigas da humanidade: estamos sozinhos no Universo ou ainda não tínhamos as ferramentas necessárias para encontrar nossos possíveis vizinhos cósmicos? Telescópio Roman tem testes concluídos e rota traçada para o espaçoO projeto homenageia Nancy Grace Roman, astrônoma reconhecida como a “Mãe do Hubble”. Como primeira chefe de astronomia da NASA, ela foi a mente articuladora que convenceu o governo e a comunidade científica sobre a importância de colocar telescópios no espaço. Liderada pelo Centro de Voos Espaciais Goddard, em parceria com o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) e o Instituto de Ciência do Telescópio Espacial (STScI), a missão celebra esse legado histórico.Nas últimas semanas, a estrutura do equipamento enfrentou testes pesados na Terra. Os engenheiros simularam os tremores e as forças extremas do lançamento do foguete. O sistema também passou por testes de ruído alto e câmaras térmicas que imitam o frio e o calor do espaço. Com a aprovação nesses exames, o telescópio ficou pronto para a jornada.O lançamento será a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX. O destino é o Ponto de Lagrange 2, uma região estável no espaço a 1,5 milhão de quilômetros da Terra. Essa distância equivale a cerca de quatro vezes o trajeto até a Lua e garante condições ideais para observar o cosmos.Operar nessa região traz grandes vantagens operacionais. O alinhamento com a Terra e o Sol permite que o escudo térmico do telescópio bloqueie o calor, mantendo as câmeras supergeladas. Além disso, o observatório terá uma visão livre, sem a interferência do nosso planeta, operando no mesmo local onde já trabalha o famoso Telescópio James Webb (JWST).Como o Telescópio Roman vai mapear o Universo e revelar novos mundos A grande inovação do Roman está na sua capacidade de visão panorâmica. Enquanto o telescópio Hubble funciona como um microscópio focado em uma área pequena, o Roman atua como uma câmera fotográfica grande-angular. Seu instrumento principal possui 300 megapixels de resolução e consegue fotografar vastas regiões do céu com extrema clareza.Na prática, cada imagem capturada pelo Roman cobrirá uma área cem vezes maior do que uma foto equivalente do Hubble, mantendo a mesma qualidade. O observatório também fará varreduras mil vezes mais rápidas. Em apenas cinco anos, ele fotografará uma área cinquenta vezes maior do que o Hubble registrou ao longo de mais de trinta anos – consolidando, na prática, esse atlas estelar equivalente a um verdadeiro “Google Maps” cósmico.Toda essa velocidade permitirá registrar eventos cósmicos passageiros que antes passavam despercebidos. O telescópio conseguirá capturar explosões de estrelas no exato momento em que acontecem. Ele também vai monitorar colisões entre estrelas mortas e outros fenômenos violentos pelo espaço, gerando um volume inédito de informações para a ciência.Para descobrir novos planetas fora do Sistema Solar, o telescópio usará duas técnicas especiais. A primeira delas usa um instrumento chamado coronógrafo, que funciona como uma máscara interna. Ele tapa a iluminação direta das estrelas para que a luz dos planetas ao redor possa finalmente ser enxergada pelos cientistas.Raíssa Estrela é pesquisadora da NASA e concedeu entrevista ao OD. – Crédito: Arquivo PessoalEm participação no programa Olhar Espacial, apresentado pelo astrônomo Marcelo Zurita, a astrobióloga Raíssa Estrela explicou que quando os cientistas bloqueiam essa iluminação, conseguem enxergar a luz refletida pelos planetas, permitindo fazer a fotografia direta desses sistemas.A pesquisadora ressalta que essa mudança será um grande divisor de águas na astrofísica. “Vai deixar de ser uma medida indireta, como é o caso que a gente faz hoje com o James Webb, para também ter agora o imageamento mesmo dos planetas”, destacou Raíssa.Com o coronógrafo, o foco principal será fotografar planetas gigantes gasosos, parecidos com Júpiter. Para encontrar mundos menores, o Roman usará a microlente gravitacional. Esse fenômeno acontece quando a gravidade de uma estrela deforma a luz de outra ao fundo, revelando a presença de planetas invisíveis por meio dessa distorção.Matéria escura, energia escura e o caminho para futuras missõesAlém de procurar novos mundos, o telescópio vai investigar os dois maiores mistérios da física: a matéria escura e a energia escura. Juntas, elas compõem cerca de 95% do Universo, mas ninguém consegue enxergá-las. A matéria escura funciona como uma cola invisível entre galáxias, enquanto a energia escura acelera a expansão do espaço.Para entender essas forças invisíveis, o Roman criará um mapa tridimensional do cosmos com precisão dez vezes maior que a atual. Ao medir a distância de bilhões de galáxias e a velocidade com que elas se afastam, os cientistas conseguirão entender melhor como a estrutura do próprio Universo mudou ao longo de bilhões de anos.Simulação de uma observação do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, mostrando exemplos de lentes gravitacionais que poderão ajudar a investigar a matéria escura. – Crédito: NASA, Bryce Wedig (Universidade de Washington), Tansu Daylan (Universidade de Washington), Joseph DePasquale (STScI)Embora não consiga procurar vida em planetas pequenos como a Terra, o Roman serve como um passo fundamental para missões futuras. A tecnologia testada por ele abrirá caminho para o Observatório de Mundos Habitáveis, projetado para as próximas décadas com a meta de buscar sinais de vida cósmica.Como explicou Raíssa, a ciência ainda não possui a tecnologia necessária para detectar moléculas na atmosfera de uma Terra 2.0. Por isso, as missões atuais preparam o cenário para que, no futuro, os astrônomos tenham um equipamento capaz de realizar esse tipo de análise detalhada.“O Roman vai estudar outros planetas, mas vai ser mais voltado para os gigantes gasosos. A tecnologia não vai chegar a ponto de caracterizar planetas como o caso da Terra. Mas vai trazer essa tecnologia que a gente precisa entender, que é o imageamento direto dos exoplanetas”, esclareceu a cientista.Leia mais:O novo “olho” da NASA no espaço está quase pronto para voarSaiba tudo sobre o supertelescópio espacial da NASA que vai investigar o Universo escuroNASA espera novas visões do ‘amanhecer cósmico’ com Telescópio RomanBig Data astronômico transformará a ciência moderna Quando iniciar suas atividades, o observatório vai inaugurar a era do Big Data na astronomia. A previsão é que a missão colete cerca de 20 petabytes de dados. Para ter uma ideia, a quantidade de dados gerada pelo Roman em um único ano superará tudo o que o Hubble produziu em mais de três décadas.Toda essa torrente de informações exigirá o uso de algoritmos modernos de inteligência artificial para catalogar e analisar as imagens que chegarão diariamente. A promessa é que o Roman execute em apenas doze meses um volume de trabalho de processamento que levaria dois milênios para ser concluído com as tecnologias mais antigas.Mais do que bater recordes de velocidade ou fotografar bilhões de estruturas distantes, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman colocará a ciência em um patamar inédito. Ao mapear o céu de forma tão detalhada, a humanidade estará cada vez mais perto de responder às suas dúvidas mais antigas sobre o cosmos.O post NASA vai lançar telescópio Roman para criar o “Google Maps” do Universo apareceu primeiro em Olhar Digital.