Famílias portuguesas vivem no limite: 66% já ficaram sem dinheiro antes do fim do mês

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Chegar ao fim do mês sem dinheiro já faz parte da realidade de uma maioria das famílias portuguesas em idade ativa. Segundo o Barómetro de outono do Oney, 66% dos inquiridos já passaram pela experiência de o salário acabar antes do final do mês e 74% dizem sentir stress financeiro de forma recorrente. Apenas 21% conseguem poupar.O estudo, realizado pela More Results junto de 1.017 adultos ativos residentes em Portugal, mostra ainda que a pressão financeira varia fortemente consoante o rendimento. Entre quem recebe menos de 1.000 euros líquidos por mês, 37% afirmam sentir stress financeiro constante. A percentagem cai para 5% entre os inquiridos com rendimentos de 4.000 euros ou mais.Apesar das dificuldades, 37% afirmam que o salário cobre tranquilamente as despesas básicas mensais. No extremo oposto, 3% dizem que o rendimento nunca chega até ao final do mês.Alimentação pesa mais no orçamentoÉ a alimentação que representa a maior fatia das despesas familiares: 74% dos inquiridos apontam-na como um dos principais encargos mensais. Seguem-se a habitação, incluindo renda ou prestação da casa, referida por 59%, e as despesas com serviços como água, eletricidade, gás e internet, que pesam no orçamento de 51% das famílias.Quando surge uma despesa inesperada, a margem de manobra é reduzida. Apenas 22% dizem conseguir enfrentá-la tranquilamente. Outros 41% admitem que essa capacidade depende do mês ou que não conseguem, de todo, suportar este tipo de encargos.Perante a necessidade de equilibrar as contas, o lazer acaba por ser uma das áreas mais sacrificadas, num orçamento onde as despesas essenciais ocupam cada vez mais espaço.Crédito visto como solução para projetosNeste contexto, o crédito mantém uma presença significativa nas decisões financeiras das famílias. 56% dos consumidores consideram-no uma forma rápida e simples de concretizar projetos e 40% afirmam que recorreriam ou ponderariam recorrer a um empréstimo pessoal para esse objetivo.A perceção é particularmente forte entre os consumidores com rendimentos líquidos entre 3.000 e 4.000 euros, dos quais 66% consideram o crédito uma solução rápida e simples. A mesma opinião é partilhada por 63% dos inquiridos entre os 55 e os 65 anos.Também existe uma diferença entre homens e mulheres: 61% dos homens consideram o crédito uma forma rápida e simples de concretizar projetos, contra 51% das mulheres.Regresso às aulas acrescenta pressãoO regresso às aulas representa mais um teste à capacidade financeira das famílias. Entre os agregados com filhos em idade escolar, 30% dizem que o rendimento disponível não é suficiente para suportar as despesas associadas ao novo ano letivo.Para fazer face a estes custos, 22% admitem recorrer ao crédito. O cartão de crédito surge como a opção mais escolhida, apontada por 67% destes consumidores, enquanto 30% indicam o crédito pessoal.Os resultados traçam, assim, um retrato de famílias que continuam a gerir o orçamento num equilíbrio apertado entre despesas essenciais, capacidade de poupança e encargos inesperados.«Os resultados deste Barómetro mostram que a pressão financeira faz parte do quotidiano de muitas famílias em Portugal e que condiciona a capacidade de poupança e de responder a despesas inesperadas», afirma Richard Demory, diretor de Marketing do Oney em Portugal. Para o responsável, este contexto reforça a importância de uma gestão mais informada do orçamento, de maior literacia financeira e de um acesso responsável ao crédito, ajustado à capacidade financeira de cada família.O conteúdo Famílias portuguesas vivem no limite: 66% já ficaram sem dinheiro antes do fim do mês aparece primeiro em Revista Líder.