Demanda por cripto no exterior cai quase 80% após aperto na regulação do BC

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Os gastos de brasileiros com criptoativos no exterior despencaram em julho, primeiro mês após o Banco Central aprovar novas regras que endurecem o enquadramento das prestadoras de serviços de ativos virtuais no país.Segundo dados de estatísticas do setor externo do BC, a rubrica de criptoativos com passivo correspondente somou US$ 571,5 milhões em julho de 2026, ante US$ 1,37 bilhão em julho de 2025, uma queda de 58,4% na comparação anual.O recuo é ainda mais forte quando a comparação é feita com o mês imediatamente anterior. Na coletiva das estatísticas do setor externo, Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, afirmou que essa conta vinha rodando acima de US$ 2 bilhões por mês no primeiro semestre e chegou a US$ 2,6 bilhões em junho. Em julho, caiu para os US$ 572 milhões, uma redução próxima de 80%.“Essa redução das transações reflete um momento de reorganização desse mercado de ativos virtuais num contexto de intensificação da regulação e da supervisão de conduta do Banco Central sobre esse setor”, afirmou Rocha.A rubrica aparece no balanço de pagamentos dentro de “outros investimentos — ativos”. Rocha explicou que ela captura operações feitas no mercado de câmbio brasileiro quando empresas envolvidas na negociação de criptoativos demandam ativos de contrapartes no exterior para atender clientes no Brasil.Leia também: Regras do Banco Central redesenham o mercado de criptomoedas e forçam saídas de corretoras menoresNa explicação do BC, esses criptoativos incluem aqueles com emissor associado ou passivo correspondente. Rocha diferenciou esse grupo dos ativos “parecidos com os bitcoins”, que aparecem em outra classificação estatística.Regulação começa a aparecer nos númerosA queda ocorre no mesmo mês em que o Banco Central aprovou a Resolução BCB nº 580, em 1º de julho, ampliando exigências prudenciais para sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais. A norma classifica essas empresas em um regime mais robusto e prevê regras de capital, governança e controles semelhantes às aplicadas a instituições financeiras reguladas.Esse endurecimento se soma às Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, publicadas em 2025, que disciplinam autorização, funcionamento e enquadramento de atividades com ativos virtuais no mercado de câmbio e capitais internacionais. O próprio BC afirma que a Resolução 521 estabelece regras para operações de prestadoras de serviços de ativos virtuais que passam a ser tratadas como operações de câmbio e capitais internacionais.Para Rocha, o ponto central é que a queda nos fluxos está ligada especialmente às exigências de governança e prevenção à lavagem de dinheiro. Ele disse que esse é “um fator importante por trás da redução dos fluxos” observada no balanço de pagamentos e que será necessário acompanhar os próximos meses para entender como essa rubrica vai se comportar.A retração de julho interrompe um movimento forte observado no acumulado do ano. Mesmo com a queda no mês, os dados da planilha mostram que as operações de criptoativos com passivo correspondente ainda somaram US$ 15,25 bilhões de janeiro a julho de 2026, contra US$ 7,61 bilhões no mesmo período de 2025. Ou seja, o mercado chegou a julho com volume acumulado ainda elevado, mas sofreu uma freada brusca no primeiro mês de vigência do novo aperto regulatório.O dado reforça que a regulação cripto no Brasil deixou de ser apenas uma discussão jurídica ou operacional e já aparece nas estatísticas externas do país. Para as empresas, o novo ambiente exige mais controles, documentação, compliance e adaptação às regras do Banco Central. Para o BC, a leitura preliminar é que parte da queda dos gastos no exterior reflete justamente esse processo de reorganização.Ainda não está claro se julho marcou uma mudança estrutural ou apenas um ajuste inicial das empresas às novas exigências. O próprio Rocha evitou cravar tendência e afirmou que as próximas divulgações serão necessárias para medir o comportamento do mercado. Mas o tamanho da queda, de quase 80% em relação a junho, mostra que o impacto regulatório foi imediato.A porta de entrada para o bitcoin, a maior criptomoeda do mundo, está no MB. É simples, seguro e transparente. Deixe de adiar um investimento com potencial gigantesco. Invista em poucos cliques!O post Demanda por cripto no exterior cai quase 80% após aperto na regulação do BC apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.