A OpenAI, a Anthropic, o Google, a Microsoft, a AMD e outras empresas e organizações do setor de tecnologia assinaram uma carta nesta quinta-feira (27) pedindo que empresas e governos priorizem a cibersegurança diante do avanço das ameaças potencializadas por inteligência artificial (IA).Ao todo, 116 entidades aderiram ao documento, que defende uma ação coordenada para fortalecer as defesas digitais e ampliar o acesso a ferramentas de segurança capazes de acompanhar a evolução dos ataques realizados com auxílio de sistemas de IA. “Temos uma janela limitada para fortalecer as defesas cibernéticas”, afirma a carta.O grupo pede que todas as organizações elevem o nível de segurança de suas ferramentas de defesa, modernizem seus sistemas e utilizem uma combinação de modelos de IA de baixo custo e modelos de fronteira, considerados os mais avançados disponíveis.Os signatários também defendem uma atuação coordenada dos governos para financiar a ciberdefesa e facilitar o acesso a tecnologias de proteção por setores de infraestrutura crítica que possuem menos recursos para investir em segurança digital.Entre os exemplos citados estão hospitais e instalações de tratamento de água, que estão entre os alvos frequentes de ataques cibernéticos.Ataques realizados por agentes de IAA preocupação ganhou força com o avanço de modelos de IA capazes de executar tarefas cada vez mais complexas de maneira autônoma.Segundo a carta, sistemas sofisticados já são capazes de orquestrar ataques cibernéticos conduzidos por agentes de IA em questão de minutos. A evolução alterou o cenário da indústria de cibersegurança e aumentou a necessidade de ferramentas capazes de identificar e bloquear novas formas de ameaça.Empresas de IA e segurança cibernética vêm observando uma mudança no perfil dos ataques à medida que modelos mais avançados passam a ser utilizados para automatizar diferentes etapas de operações maliciosas.Microsoft é uma das signatárias do documento – Imagem: PJ McDonnell/ShutterstockUm dos episódios recentes envolveu justamente uma organização que assinou a carta. A plataforma de IA de código aberto Hugging Face foi alvo de uma invasão atribuída a agentes da OpenAI, que teriam agido de maneira considerada inadequada ou não autorizada.O incidente chamou a atenção do setor de tecnologia e cibersegurança e levantou novos questionamentos sobre os riscos associados à aceleração do desenvolvimento de sistemas de IA.O episódio também reforçou a preocupação de que agentes autônomos possam realizar operações digitais com velocidade e escala superiores às de ataques conduzidos exclusivamente por humanos.Leia mais:Muito além de deepfakes: o impacto da IA nas eleições e os planos dos EUAG20 reúne gigantes da tecnologia para discutir o futuro da IANem todo problema de IA precisa de um modelo giganteEmpresas querem elevar o nível de proteçãoA carta pede que empresas de todos os setores aumentem o padrão de segurança de suas ferramentas e adotem sistemas capazes de acompanhar o ritmo de evolução das ameaças;Os signatários defendem ainda o uso combinado de diferentes tipos de modelos de IA, incluindo alternativas de menor custo e sistemas de fronteira. A estratégia, segundo o documento, permitiria ampliar o acesso às tecnologias de defesa sem depender exclusivamente dos modelos mais caros e avançados;A iniciativa reúne organizações de diferentes áreas. Entre os signatários estão empresas de IA, companhias de cibersegurança, instituições financeiras, fabricantes de semicondutores e provedores de serviços de computação em nuvem;Além da adoção de novas tecnologias pelo setor privado, o grupo considera necessária uma participação maior dos governos;A proposta é criar esforços coordenados para financiar ferramentas de ciberdefesa e garantir que organizações responsáveis por serviços essenciais, mas com menor capacidade financeira, também consigam implementar sistemas de proteção mais avançados.Mercado de cibersegurança ganha forçaO aumento da preocupação com ataques potencializados por IA também vem impulsionando empresas de cibersegurança.Segundo a CNBC, companhias do setor tiveram forte valorização à medida que empresas passaram a reconhecer a necessidade de ampliar os investimentos em proteção digital. O movimento também ajudou o segmento a superar preocupações anteriores relacionadas à disrupção provocada pela IA no mercado de software.A CrowdStrike e a Palo Alto Networks, duas das principais empresas de cibersegurança, mais do que dobraram de valor no último ano.Na quinta-feira (27), a Okta e a própria CrowdStrike registraram altas de dois dígitos depois da divulgação de resultados considerados fortes, impulsionados pelo crescimento da demanda por soluções de segurança relacionadas à IA.O post OpenAI, Google e outras empresas pedem ação urgente contra ataques de IA apareceu primeiro em Olhar Digital.