O Pentágono realiza uma revisão sobre o posicionamento de tropas dos Estados Unidos na Europa. Entre os aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), há a preocupação de que o processo resulte em cortes nas forças ou em penalização aos países que, na avaliação de Trump, não apoiaram os EUA na guerra com o Irã.A analista de Internacional Fernanda Magnotta comentou o tema durante o CNN 360º desta quinta-feira (27). Ela lembrou que atualmente há cerca de 80 mil militares norte-americanos na Europa, e o processo em curso envolve pelo menos quatro grandes alternativas de remanejamento.“Isso significa desde avaliação de bases, análise sobre direito de acesso, projetos de sobrevoo, planos de inteligência, envolve capacidades espaciais, cibernéticas, infraestrutura de guerra, várias coisas”, explicou a analista. Trump assina decreto para renomear o Lago Ontário como Lago América EUA marcam julgamento de suposto mentor dos ataques de 11 de Setembro Análise: seis consequências de seis meses de guerra entre EUA, Israel e Irã Magnotta destacou que os quatro planos em avaliação refletem uma lógica consolidada desde a primeira administração Trump no trato com a aliança: a ideia do retorno sobre o investimento.“O presidente Trump sempre foi muito cético com relação a esse tipo de arranjo e está, mais uma vez, reavaliando o que os Estados Unidos ganham em relação àquilo que provém para esse tipo de arranjo”, afirmou.Na visão de Trump, os americanos assumem um protagonismo excessivo enquanto os europeus não cumprem seu papel à altura, especialmente no financiamento da segurança coletiva.Instrumento de barganhaA analista apontou que, apesar de os europeus terem aumentado progressivamente os percentuais do PIB destinados à Otan desde que as críticas norte-americanas começaram, a revisão do Pentágono carrega uma dimensão coercitiva.“Essa solicitação por alternativas, por remanejamento de forças na Europa, tem, em uma primeira frente, essa nova dimensão coercitiva para levar os europeus a uma condição de preocupação e, evidentemente, quem sabe, aumentar a capacidade de participação deles. Não deixa de ser, de novo, um instrumento de barganha”, disse.Além da pressão sobre os aliados europeus, Magnotta identificou um segundo elemento ligado às prioridades geoestratégicas dos Estados Unidos.Segundo ela, o país estaria priorizando outras regiões do mundo, em particular o Indo-Pacífico, considerando o Mar do Sul da China e os desafios provenientes da Ásia de forma mais ampla, e o hemisfério ocidental, que passou a ser tratado como “prioridade inegociável” na nova estratégia de segurança nacional americana.“De alguma forma, esse remanejamento de forças reflete aquilo que está no plano da grande estratégia: sair um pouco da ênfase dessa parte do mundo e olhar para outras direções“, analisou.A analista, no entanto, ponderou que a execução prática dessa reorientação enfrenta desafios concretos. Os Estados Unidos ainda precisam administrar as ameaças provenientes da Rússia em direção à Europa e as questões do Oriente Médio.Magnotta lembrou que, no passado, Washington já tentou realizar essa guinada, o chamado “pivô para a Ásia”, e encontrou dificuldades porque as circunstâncias se impuseram sobre a estratégia.“De qualquer maneira, é uma notícia relevante porque mostra essas duas dimensões: um desengajamento progressivo e uma tentativa de aumentar a autorresponsabilização dos europeus“, concluiu. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.