Rio de Janeiro, agosto de 2026 – Da formulação de políticas públicas à construção da infraestrutura tecnológica que sustenta a nova economia digital, mulheres estiveram presentes em algumas das discussões mais estratégicas do Blockchain.RIO 2026.Durante os dois dias do Main Event, elas passaram pelos 11 palcos da programação e participaram de 67 dos 129 painéis realizados, o equivalente a aproximadamente 52% dos debates do evento.Ao todo, a edição reuniu 2.819 mulheres entre os participantes, representando 33,1% do público. Entre os speakers, foram 121 mulheres, o equivalente a 23,2% dos 522 especialistas, executivos, autoridades e lideranças que integraram a programação.Os números mostram uma presença que foi além da audiência. Ao longo dos dois dias, foram registradas 95 participações femininas em painéis, considerando cada presença individual de uma speaker nas diferentes discussões.Mais relevante do que a presença quantitativa foi a transversalidade dos temas. Executivas, especialistas e lideranças femininas participaram de debates relacionados à modernização do sistema financeiro, regulação de ativos digitais, tokenização, stablecoins, pagamentos internacionais, infraestrutura blockchain, interoperabilidade e formação de novos profissionais para a economia on-chain.Da regulação à infraestrutura: mulheres nas agendas que estão redesenhando o mercadoA amplitude dessa participação pode ser observada nas trajetórias e agendas de algumas das executivas presentes no ecossistema do Blockchain.RIO.No campo da regulação e das políticas públicas, Marina Fuzeti Fagali, diretora do Juntos por Cripto, representa uma agenda que ganhou relevância à medida que o setor de ativos digitais amadurece: como construir segurança regulatória sem comprometer a capacidade de inovação.“À medida que o debate regulatório sobre o ecossistema cripto avança, percebemos um distanciamento entre as decisões políticas e a realidade dos mais de 29 milhões de brasileiros que utilizam essa tecnologia. Limitar a regulação apenas à ótica do mercado financeiro traz o risco de sufocar a inovação em diversos outros setores da economia”, afirma Marina Fagali, Diretora do Movimento Juntos por Cripto no Brasil.Sua atuação conecta advocacy, relações institucionais e participação da comunidade cripto no processo regulatório, ampliando a discussão sobre o papel do próprio ecossistema na formulação das políticas públicas para ativos digitais.“O movimento Juntos Por Cripto nasce para aproximar a comunidade de seus representantes por meio de uma plataforma de monitoramento e análise legislativa. Nosso objetivo é qualificar o debate técnico para construir um arcabouço regulatório equilibrado, que garanta segurança jurídica sem travar o desenvolvimento sustentável do país”, complementa Fagali.Outra frente de transformação está na aproximação entre o mercado financeiro tradicional e a infraestrutura blockchain.Melanie Steiner, Marketing Director para América Latina da Ondo Finance, atua em um dos temas de maior expansão no mercado global de ativos digitais: a tokenização de ativos do mundo real, os chamados RWAs.A discussão parte de uma mudança estrutural. A tokenização começa a avançar de experimentos para produtos e infraestruturas capazes de conectar ativos financeiros tradicionais a mercados on-chain.Nesse movimento, questões como distribuição global, acesso a produtos financeiros e redução de fricções entre mercados ganham relevância especialmente para uma região como a América Latina.Stablecoins deixam a fronteira cripto e entram na infraestrutura de pagamentosTambém esteve entre as grandes discussões do evento a transformação dos meios de pagamento.Antônia Souza, diretora de Moedas Digitais para América Latina e Caribe da Visa, atua diretamente na convergência entre stablecoins, blockchain e as redes tradicionais de movimentação de dinheiro.Nesse contexto, as stablecoins deixam de ser analisadas apenas como instrumentos do mercado cripto e passam a fazer parte da discussão sobre infraestrutura financeira, liquidação e pagamentos transfronteiriços.A evolução dessa tecnologia também levanta uma questão especialmente relevante para o Brasil: como novos trilhos baseados em blockchain podem coexistir com infraestruturas já consolidadas, como o Pix, e com as redes financeiras tradicionais.Para blockchain ganhar escala, infraestrutura e formação técnica entram no centro da agendaA transformação do mercado, no entanto, não ocorre apenas nas camadas financeira e regulatória.Por trás de produtos tokenizados, pagamentos digitais e aplicações institucionais existe uma infraestrutura tecnológica que precisa operar com segurança, interoperabilidade e acesso confiável a dados.Essa é uma das frentes representadas por Solange Gueiros, DevRel Education Manager da Chainlink Labs, educadora e desenvolvedora com atuação em Ethereum, smart contracts, oracles e infraestrutura on-chain.Sua trajetória coloca uma questão fundamental no centro do debate: o que ainda precisa acontecer para que blockchain deixe de ser percebida como tecnologia experimental e passe definitivamente a operar como infraestrutura de produção?“Empresas não vão jogar fora todos os sistemas desenvolvidos por anos para usar blockchain, então a conexão de blockchain com o mundo real, ou seja, Oracles, é a chave para a adoção de Blockchain como infraestrutura de produção”, afirma Solange Gueiros.O avanço desse mercado também traz outro desafio: formar desenvolvedores e especialistas capazes de construir a próxima geração de aplicações, incluindo a ampliação da presença feminina entre os profissionais responsáveis pela infraestrutura da economia digital.“Minha mensagem para as mulheres que desejam trabalhar com Blockchain é estudar muito, com dedicação, acreditar que você pode fazer qualquer coisa que quiser, e que a única pessoa capaz de criar limites é você”, afirma Solange.Participação proporcional de mulheres entre speakers cresceA presença feminina na programação também avançou proporcionalmente na comparação com a edição anterior.Em 2025, o Blockchain.RIO contou com 125 mulheres entre 584 speakers, o equivalente a 21,4% do total.Em 2026, mesmo com a redução do número geral de speakers para 522, a participação feminina permaneceu praticamente estável em números absolutos, com 121 mulheres, elevando sua representatividade para 23,2%.O movimento representa um crescimento de 1,8 ponto percentual na participação feminina entre os especialistas e lideranças que ocuparam os palcos do evento.Enquanto o número total de speakers diminuiu aproximadamente 10,6% entre as duas edições, a quantidade de mulheres speakers teve redução de apenas 3,2%, ampliando proporcionalmente a participação feminina na programação.Uma em cada três pessoas no Blockchain.RIO foi mulherA representatividade também se manteve consistente entre o público.Em 2026, as 2.819 mulheres presentes corresponderam a 33,1% dos 8.505 participantes contabilizados. Na edição de 2025, eram 3.347 mulheres, aproximadamente 33,3% do público.Na prática, o indicador permanece praticamente estável: uma em cada três pessoas presentes no Blockchain.RIO é mulher.A combinação entre participação no público, presença nos palcos e inserção em mais da metade dos painéis oferece uma leitura mais ampla sobre o espaço ocupado por mulheres no ecossistema.A presença feminina não esteve concentrada em uma trilha dedicada à diversidade, mas distribuída pelas agendas de tecnologia, mercados, infraestrutura financeira, regulação e inovação que estruturaram o evento.Mulheres em todos os palcosDurante os dois dias do Main Event, mulheres estiveram presentes em todos os 11 palcos: Main Stage, Stablecoin Stage, Crypto Stage, AI Stage, FAPERJ Stage, Finance Stage, GOV Stage, LATAM Stage, SEBRAE Stage, Talks Stage e Trends Stage.Dos 67 painéis com participação feminina, 41 ocorreram no primeiro dia e 26 no segundo.A distribuição reforça uma mudança importante de perspectiva: falar de presença feminina no setor de ativos digitais significa também falar sobre quem participa das decisões, desenvolve infraestrutura, influencia políticas públicas e constrói os produtos que podem definir a próxima etapa das finanças digitais.Blockchain.RIO 2026 | Presença feminina em números2.819 mulheres entre os participantes33,1% do público composto por mulheres121 mulheres speakers23,2% dos speakers eram mulheres67 painéis com pelo menos uma mulher52% dos painéis tiveram participação feminina95 participações femininas nos painéis11 de 11 palcos com presença de mulheres100% dos palcos do Main Event tiveram participação feminina+1,8 ponto percentual na representatividade feminina entre speakers em relação a 2025Sobre o Blockchain.RIOO Blockchain.RIO é uma das principais plataformas de conexão e discussão sobre blockchain, ativos digitais, tokenização e infraestrutura financeira da América Latina.O evento conecta reguladores, instituições financeiras, empresas de tecnologia, provedores de infraestrutura, investidores, especialistas e lideranças de mercado em uma agenda dedicada à transformação da economia digital e do sistema financeiro.Realizado no Rio de Janeiro, o Blockchain.RIO promove o encontro entre mercado, setor público, academia e ecossistema de inovação, criando um ambiente para desenvolvimento de negócios, relacionamento institucional, conhecimento e construção das agendas que estão moldando o futuro da infraestrutura digital e financeira.Fonte: Mulheres ocupam 100% dos palcos e ajudam a conduzir debates centrais sobre o futuro das finanças digitaisVeja mais notícias sobre Bitcoin. 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