A Marcopolo (POMO4) admite que espera um segundo semestre mais difícil em rentabilidade, haja vista a reação negativa do mercado aos números mais recentes da companhia. Depois que a empresa divulgou os resultados do 2T26, em 3 agostos, as ações tombaram cerca de 25%, de R$ 5,37 para uma mínima de R$ 4,05. Nos últimos dias, os papéis reagiram um pouco, mas ainda seguem abaixo do patamar de R$ 4,50. new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "POMO4", "POMO4" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "09870b0"} ); Segundo André Armaganijan, CEO da fabricante de ônibus, o principal fator por trás da pressão nos resultados não é apenas a retração da demanda, mas a mudança na composição das vendas.O mercado de ônibus urbanos e rodoviários caiu entre 18% e 20% no período analisado pela companhia. A Marcopolo, porém, afirma ter preservado uma participação relevante nesses segmentos. Ao mesmo tempo, o mercado de micro-ônibus apresentou crescimento, puxado principalmente por programas como Caminho da Escola e Caminho da Saúde.O problema é que os micro-ônibus vendidos nesses programas têm menor valor agregado e margens inferiores às de outros produtos do portfólio.“Essa mudança de mix afeta muito a nossa rentabilidade, porque são produtos de menor valor agregado, são produtos que têm uma margem menor”, afirmou Armaganijan em entrevista ao Money Minds, programa do Money Times no YouTube. Assista à íntegra da entrevista:Mercado menor, participação preservadaA avaliação do CEO é que a Marcopolo está conseguindo manter uma posição competitiva mesmo com a retração do mercado.Nos segmentos urbano e rodoviário, a companhia não está acompanhando integralmente a queda da indústria em termos de participação. A estratégia é preservar presença nesses mercados enquanto espera uma recuperação do ciclo de renovação de frota.No micro-ônibus, por outro lado, a demanda tem sido mais positiva. A empresa tem forte participação nesse mercado por meio da Volare e também se beneficiou de compras vinculadas a programas públicos. O Caminho da Escola, voltado ao transporte escolar, e o Caminho da Saúde, do Ministério da Saúde, contribuíram para preencher parte da demanda no primeiro semestre.O efeito sobre o resultado, contudo, é diferente do que seria observado com uma recuperação mais forte dos segmentos rodoviário e urbano, aponta o executivo.Produtos foram precificados antes do aumento de custosAlém do mix, existe outro problema: parte dos veículos destinados aos programas públicos foi precificada antes do período de aumento de custos de matérias-primas e componentes.Isso significa que, mesmo com os produtos sendo vendidos agora, os preços foram definidos em um ambiente diferente.“São produtos que foram precificados há um bom tempo”, explicou o CEO. Segundo ele, a combinação de preços antigos, menor valor agregado e margens menores acaba pesando sobre a rentabilidade da companhia.Argentina e México pesam no resultadoA pressão também veio das operações internacionais. A retração de mercados externos contribuiu para reduzir a rentabilidade da Marcopolo.A Argentina, que havia apresentado contribuição relevante para o resultado em 2025, passou por uma desaceleração. O México, por sua vez, ainda não apresentou a recuperação esperada pela companhia.O efeito combinado foi uma redução da rentabilidade das operações internacionais.“Quando eu comento que a Argentina teve um arrefecimento, quando eu comento que o mercado mexicano ainda não despontou, tudo isso traz uma rentabilidade menor para empresa”, disse Armaganijan.A leitura do CEO é que a receita pode se manter, mas com uma composição menos favorável, puxada por produtos de menor valor agregado. Nesse cenário, a margem tende a cair.Companhia faz ajustes e preserva caixaApesar do ambiente menos favorável, a Marcopolo afirma estar mantendo disciplina sobre custos.Armaganijan diz que as despesas, como proporção do negócio, permaneceram controladas mesmo com a queda do resultado. A empresa também mantém um nível baixo de endividamento.Nos mercados que sofreram maior retração, como Argentina, México e África do Sul, a companhia realizou ajustes de estrutura. No caso argentino, o trimestre foi afetado inclusive pelos custos de desligamento de funcionários.A estratégia é adaptar a estrutura ao tamanho atual dos mercados sem interromper os investimentos em produtos e tecnologia, afirma o CEO da Marcopolo.O que esperar do segundo semestreA principal mensagem do CEO é que a Marcopolo não espera necessariamente uma deterioração abrupta dos negócios, mas reconhece que a rentabilidade deve enfrentar um ambiente mais difícil enquanto o mix permanecer concentrado em produtos de menor margem.A companhia pretende compensar parte dessa pressão, segundo ele, com novos produtos, recuperação de mercados e expansão internacional.A tese de longo prazo continua apoiada em inovação, novas tecnologias e diversificação geográfica, afirma o executivo. No curto prazo, porém, o desafio é administrar um mercado mais enxuto sem perder participação e sem comprometer a rentabilidade.Política de dividendosA Marcopolo não prevê mudanças em sua política de distribuição de proventos no curto prazo. Segundo André Armaganijan, CEO da companhia, a empresa pretende manter a distribuição de cerca de 50% do lucro aos acionistas. O executivo também destacou que a companhia mantém caixa positivo e baixo nível de endividamento, mesmo diante de uma pequena queda no resultado. Para Armaganijan, a geração de caixa continua saudável e sustenta a manutenção da política atual. Questionado sobre o perfil da ação, o CEO afirmou ainda que, no momento, considera a Marcopolo mais uma “ação de dividendos” do que um papel de crescimento.Em 19 de agosto, a companhia anunciou ao mercado o pagamento de R$ 0,13 por ação em dividendos, além de um novo programa de recompra de até 49 milhões de ações preferenciais.A recompra de ações tem sido usada por empresas listadas na B3 como uma ferramenta de alocação de capital e remuneração indireta dos acionistas, especialmente quando as companhias avaliam que seus papéis estão descontados ou que não há alternativas de investimento com retorno mais atrativo.