Mudanças anunciadas pela Meta são insuficientes, afirma denunciante

Wait 5 sec.

Uma das principais testemunhas do processo em que a Meta é acusada de deixar jovens viciados em redes sociais, o ex-Engenheiro de Segurança da big tech, Arturo Béjar, contestou o acordo feito pela empresa que levou ao encerramento do julgamento. Para ele, a decisão não aborda, de forma significativa, os problemas denunciados.“Este acordo pode simplesmente oficializar grande parte do 'teatro da segurança' que a Meta vem praticando nos últimos anos. O Instagram será usado um pouco menos, mas não será mais seguro”, afirmou o denunciante, como noticiou a Reuters na quinta-feira (27), um dia após a decisão que ainda precisa ser homologada pela justiça dos Estados Unidos.Na ocasião, a companhia liderada por Mark Zuckerberg disse que o acordo permitirá a ela continuar com seus “esforços de longa data para capacitar os pais e apoiar os adolescentes”.Por que o acordo seria insuficiente?Conforme a avaliação de Béjar, as medidas negociadas pela dona do Instagram e do Facebook não tratam do funcionamento das plataformas nem dos problemas causados por elas, focando somente nos sintomas. Com isso, mudanças profundas nos algoritmos não serão exigidas.Esse tema representa uma das várias denúncias feitas pelo ex-funcionário, argumentando que a tecnologia determina o que os adolescentes consomem e quanto tempo permanecem nas redes sociais;Ao estabelecer um limite de tempo para usar tais serviços, a big tech não resolve o problema, uma vez que eles continuam sendo desenvolvidos para engajar, na opinião dele;O denunciante também criticou a falta de mecanismos de fiscalização independentes mais robustos;Além disso, apontou a ausência de métricas objetivas para averiguar se as mudanças propostas vão reduzir os danos aos menores.Arturo Béjar já denunciou a Meta em outras ocasiões. (Imagem: Jemal Countess/Getty Images)Segundo o Procurador-Geral da Califórnia, Rob Bonta, “ainda há muito a ser feito pelos legisladores e pela indústria”, em relação aos pontos denunciados por Béjar. Porém, ele acredita que o acordo resultará em “mudanças reais e aplicáveis”, tornando as redes sociais menos perigosas para crianças e adolescentes.Entre as mudanças, a Meta definiu limite diário de duas horas, desativação da reprodução automática de vídeos, bloqueio de acesso durante a madrugada e ocultação de curtidas e reações nas contas de adolescentes. Elas ainda não têm prazo para entrar em vigor e, a princípio, deverão ficar restritas aos EUA.Ao TecMundo, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) confirmou que a Meta solicitou reunião com o órgão após o acordo e a multa bilionária aplicada pela justiça americana.