Nove pessoas foram acusadas em Taiwan de ajudar a enviar para a China servidores de inteligência artificial equipados com chips avançados da Nvidia. O caso envolve ex-funcionários da Nvidia e da Super Micro Computer e uma compra de 130 servidores.A investigação acontece em meio às restrições dos Estados Unidos à exportação de chips avançados para a China. Segundo o The Wall Street Journal, 74 servidores acabaram no país por rotas que passaram por Hong Kong, Japão e Indonésia. Outros 56 foram interceptados em Taiwan.Nove pessoas foram acusadas em Taiwan de ajudar no envio de servidores de IA equipados com chips avançados da Nvidia para a China. Imagem: William Potter/ShutterstockCompra foi aprovada com informações falsasDuas das pessoas acusadas teriam apresentado informações falsas para obter autorização de compra dos servidores da Super Micro. Aos responsáveis pela aprovação, disseram que os equipamentos permaneceriam em uma instalação em Taiwan.Os envolvidos ainda declararam que os servidores não seriam vendidos ou enviados a entidades sob sanções americanas. Afirmaram, também, que a operação respeitaria as regras de exportação dos Estados Unidos.A acusação aponta que um funcionário da Super Micro vazou procedimentos internos usados na análise das vendas. Ele teria procurado um funcionário da Nvidia para conseguir cotas dos servidores.Esse funcionário da Nvidia, segundo os promotores, sabia do plano. Mesmo assim, informou aos gestores que as inspeções no local haviam sido aprovadas. Havia um problema: a instalação não tinha espaço suficiente para os racks, nem energia e banda larga necessárias.Servidores seguiram rotas alternativasDos 130 equipamentos, 74 foram enviados para a China passando por Hong Kong, Japão e Indonésia. A alfândega de Taiwan conseguiu interceptar os outros 56, que seriam enviados ao Japão.Leia mais:Nvidia aposta US$ 6 bilhões em IA aberta contra rivais chinesesNvidia diz não ter planos de lançar chip de IA na China ainda este anoChina abre seus modelos de IA e acende um alerta no Vale do SilícioO processo envolve diferentes acusações. Oito dos investigados respondem por crimes que incluem quebra de confiança e falsificação. Um nono acusado teria desviado dinheiro de uma empresa relacionada ao caso.Para os promotores, os envolvidos conheciam as regras de controle de exportação e agiram em busca de lucro.“Motivados exclusivamente pelo lucro”, os acusados teriam “conspirado para exportar servidores de ponta, aumentando os custos de conformidade para as empresas”.Os servidores percorreram Hong Kong, Japão e Indonésia antes de chegar à China. A rota virou peça central da investigação em Taiwan. – Imagem: Saulo Ferreira Angelo/ShutterstockSuper Micro diz que não é alvoA investigação começou em maio e ganhou força em junho. A Super Micro informou que coopera com autoridades de Taiwan e de outras jurisdições para proteger sua tecnologia e propriedade intelectual.A companhia não é alvo da investigação e não foi acusada de irregularidades. Uma apuração interna recente, segundo a empresa, concluiu que sua equipe de conformidade agiu de boa-fé.Os principais números do caso são:130 servidores de IA envolvidos na compra investigada;servidores equipados com chips avançados da Nvidia;74 servidores enviados à China;56 servidores interceptados pela alfândega de Taiwan;nove pessoas acusadas pelas autoridades taiwanesas.A Super Micro afirmou que pretende reforçar seu programa de conformidade e continuar combatendo esse tipo de operação. O caso coloca em evidência a dificuldade de impedir que servidores com tecnologias restritas cheguem à China por caminhos indiretos.O post Servidores de IA com chips Nvidia chegam à China por rota indireta apareceu primeiro em Olhar Digital.