Um novo padrão de interface para áudio e vídeo criado na China promete desafiar a dominância do cabo HDMI na conectividade de smart TVs, consoles, computadores e outros dispositivos, oferecendo uma série de vantagens e melhorias. Estamos falando do GPMI, anunciado em 2025.A isenção da cobrança de royalties para os fabricantes é um dos benefícios do cabo chinês, tornando a tecnologia mais acessível que o seu principal concorrente, que adota um modelo de licenciamento diferente. Ele também se destaca pela maior largura de banda e a oferta de recursos adicionais, mas a disputa com os padrões já estabelecidos não será fácil.O que é o cabo GPMI e por que ele foi criado na China?O General Purpose Media Interface (GPMI), ou Interface de Mídia de Propósito Geral, na tradução livre, é um padrão de conexão com fio de última geração que reúne transmissão de áudio, vídeo, dados e energia em um único cabo. Esse tipo de combinação não existe nas soluções HDMI, DisplayPort e USB atuais.Dessa forma, a interface desenvolvida pela Aliança de Cooperação da Indústria de Vídeo UHD de Shenzen (SUCA) simplifica a conectividade, dispensando cabos separados para TVs, monitores, terminais inteligentes, sistemas automotivos e sistemas industriais com IA. PCs, videogames e dispositivos de streaming também podem usá-la.O cabo chinês tem capacidades mais avançadas que o HDMI atual. (Imagem: Yori Meirizan/Getty Images)O novo protocolo foi projetado pelo consórcio composto por órgãos governamentais chineses e apoiado por grandes empresas locais, entre as quais Huawei e TCL, como substituto do HDMI. A proposta também objetiva reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras e envolve questões financeiras.Por conta da ausência dos royalties de tecnologia, fabricantes adotam o padrão sem pagar taxas adicionais, fortalecendo o protagonismo da indústria chinesa. No caso do HDMI, o licenciamento inclui pagamentos anuais de aproximadamente US$ 10 mil (R$ 51,7 mil pela cotação atual) e cobranças por unidade vendida.Como funciona a transmissão de dados no padrão GPMIA tecnologia da China é baseada na sinalização diferencial multicanal, parecida com a usada no Thunderbolt e no DisplayPort, porém otimizada para maior largura de banda e estabilidade de sinal. Cada canal faz a alocação de largura de banda de maneira dinâmica, conforme o tipo de dado transferido.Com essa arquitetura flexível, o padrão chinês fornece sinal de vídeo de altíssima resolução, como a transmissão 8K, mantendo desempenho consistente mesmo com energia elétrica, sinal de internet e outros tipos de dados passando pelo cabo simultaneamente.O protocolo também se destaca pelos pinos de alta densidade, oferecendo taxa de transferência total acima de 80 Gbps, permitindo saída de vídeo não comprimido de 8K a 12K com HDR integrado e sincronização adaptativa. Baixa latência e interferências em longas distâncias de cabo minimizadas são outras características da interface.A tecnologia da China também transmite sinal de internet, dispensando o cabo de rede convencional. (Imagem: Cunaplus_M.Faba/Getty Images)GPMI vs HDMI: Quais são as principais diferenças técnicas?Para conhecer um pouco mais sobre o cabo chinês e as suas vantagens, confira esse comparativo com o padrão mais popular do mercado:Função principalGPMI: interface unificada para a transmissão de multimídia, energia e dados, com uso em diferentes aplicações;HDMI: áudio e vídeo para TVs, monitores, consoles e outros dispositivos domésticos.Largura de banda e resoluçãoGPMI: largura máxima de até 192 Gbps e resolução superior a 10K com altíssimas taxas de atualização, dependendo da versão;HDMI: largura de 48 Gbps no HDMI 2.1 e de 96 Gbps na versão mais recente, 2.2, e e resolução de até 16K no HDMI 2.2.Transmissão de energiaGPMI: até 480W no cabo tipo B e 240W no cabo tipo-C;HDMI: corrente baixa e limitada, que não substitui a fonte de alimentação convencional.Dados e rede integradosGPMI: canais de dados e Ethernet integrados;HDMI: canal Ethernet opcional.Compatibilidade de protocoloGPMI: é capaz de encapsular os protocolos HDMI, DisplayPort e USB, mantendo a retrocompatibilidade com monitores e periféricos mais antigos;HDMI: apenas o próprio padrão.Com o GPMI, os dispositivos vão precisar de apenas uma porta de conexão, o que pode reduzir custos para fabricantes. (Imagem: William Luque/Getty Images)Formato do conector e compatibilidade com USB-C e DisplayPortO substituto do HDMI projetado na China possui dois formatos diferentes de conector. O GPMI Tipo B é o mais avançado, com largura de banda de 192 Gbps, transmissão 8K a 120 Hz ou mais, suporte a 10K e taxas de atualização ainda mais altas e fornecimento de até 480W de energia.Essa versão utiliza layout proprietário de 40 pinos para máxima integridade de sinal e eficiência de resfriamento. O formato é maior e voltado para monitores, smart TVs, GPUs de desktops e estações de trabalho de alto desempenho.Já o GPMI Tipo-C oferece largura de banda máxima de 96 Gbps, resolução de vídeo 8K a 120 Hz ou mais e fornece energia a até 240W. Com formato semelhante ao USB-C, é destinado a ultrabooks, tablets e outros dispositivos portáteis, oferecendo a mesma multiconectividade do modelo mais avançado.O formato Tipo-C do cabo chinês possui compatibilidade com o USB-C, o que facilita a transição em dispositivos atuais, permitindo aproveitar maior largura de banda e a operação multiprotocolo. Isso também o faz funcionar como um cabo DisplayPort via USB-C, indiretamente, usando adaptadores ou dispositivos com chips de conversão.Uma das versões do cabo desenvolvido na China tem formato compatível com USB-C. (Imagem: Lord_Ghost/Getty Images)GPMI pode realmente substituir o HDMI no mercado mundial?Considerando a diferença entre GPMI e HDMI 2.1, com o protocolo chinês apresentando grande superioridade técnica e a vantagem do “tudo em um”, muitas pessoas teorizam que a novidade possa se tornar o próximo padrão global de conectividade. Ou pelo menos ganhar espaço como alternativa aos protocolos atuais.No entanto, o cabo chinês precisa superar vários obstáculos para se aproximar dessas situações, como os desafios técnicos para alcançar estabilidade e eficiência em taxas de dados extremamente altas. Também é necessário lidar com o gerenciamento da alimentação de energia para evitar superaquecimento e gerenciar mudanças dinâmicas de tensão.A indústria precisaria adotar o padrão, o que exige mudanças para integrar adaptadores GPMI em seus produtos, certificar cabos e realizar diferentes testes. Por outro lado, o HDMI já está presente em bilhões de dispositivos e não existe retrocompatibilidade entre eles.Dessa forma, é mais provável que o cabo GPMI cresça regionalmente e focado em nichos de mercado, se tornando a interface dominante nos carros autônomos chineses, por exemplo. Seria algo semelhante ao que aconteceu com o DisplayPort em computadores e monitores profissionais.Após o crescimento na China, um dos maiores mercados do mundo, o protocolo poderia ganhar impulso global devido à sua compatibilidade com o USB-C, as melhorias para padrão de vídeo avançado e o fornecimento de energia, mas sem ameaçar a dominância do HDMI, de acordo com especialistas da indústria.Quando os primeiros dispositivos com GPMI começam a chegar ao mercado?No momento, essa nova solução que reúne conectividade de vídeo, sinal de internet e energia elétrica no mesmo cabo ainda não está disponível comercialmente. O consórcio responsável pelo protocolo não divulgou um cronograma oficial, mas a chegada ao mercado deve acontecer em etapas, após a validação da tecnologia.Estima-se que o setor de entretenimento doméstico será um dos primeiros a receber dispositivos com a nova porta rival do HDMI e do DisplayPort. Smart TVs, decodificadores, box TV e outros equipamentos estão entre os principais cotados para estrear a novidade na China.O mercado de monitores deverá ser um dos maiores beneficiados com o novo padrão de conectividade. (Imagem: Milan_Jovic/Getty Images)A porta GPMI também deverá chegar, em breve, ao mercado de monitores, sistemas veiculares, dispositivos com IA integrada e aplicações industriais, igualmente de maneira restrita ao gigante asiático. Já a disponibilidade internacional depende de validações e da superação dos desafios citados.E você, acredita que o padrão GPMI conseguirá desafiar o HDMI globalmente ou ficará restrito à China? Comente nas redes sociais do TecMundo e siga conferindo as novidades da tecnologia por aqui, como o LineShine, igualmente desenvolvido no país asiático e apontado como o supercomputador mais rápido do mundo.