A prefeita de Miracema, Maria Alessandra Leite Freire (foto em destaque), e o secretário municipal de Governo, Sérgio Terra de Souza Rocha, são alvos de uma ação de responsabilização por improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A Promotoria aponta irregularidades na contratação de uma empresa para instalação e manutenção de câmeras de segurança no município, em um contrato estimado em R$ 60 mil.A ação foi proposta pela 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Santo Antônio de Pádua e também tem como réus outras duas pessoas e duas empresas. Segundo o MPRJ, a contratação pode ter sido utilizada para beneficiar uma empresa que não poderia prestar diretamente o serviço à Prefeitura de Miracema por possuir débitos com o município. Leia também Mirelle PinheiroPiloto de paramotor é atingido no ar por linha de pipa e morre após queda Mirelle PinheiroPCC: Justiça mantém prisão preventiva de Marcola e familiares Mirelle PinheiroEmpresa de máquinas pesadas é alvo da PF por esquema de R$ 406 milhões Mirelle PinheiroMãe de menina achada morta com coleira de cachorro no pescoço é presa De acordo com a investigação, o caso teve origem em uma representação encaminhada à Ouvidoria do MPRJ. A denúncia apontava que a empresa vencedora da contratação havia sido criada pouco antes de ser escolhida pela Prefeitura e teria sido utilizada como uma espécie de empresa de fachada. Na prática, segundo a Promotoria, os serviços seriam executados pela H-FORT TEC, empresa pertencente a Hevariston da Rocha Cordeiro, marido da proprietária da contratada.Ainda segundo o MPRJ, a H-FORT TEC tinha débitos com a Prefeitura de Miracema e, por esse motivo, não poderia ser habilitada para contratar diretamente com o município.Empresa tinha 34 dias de funcionamentoConforme a ação, o processo administrativo para contratação dos serviços previa valor global de R$ 60 mil, dividido em 12 parcelas de R$ 5 mil. A Prefeitura realizou a contratação por dispensa de licitação, com apenas duas empresas apresentando propostas.A empresa vencedora, de propriedade de Thais Oliveira Benedito Cordeiro, tinha apenas 34 dias de funcionamento quando foi contratada, segundo a Promotoria. O MPRJ afirma ainda que a Prefeitura não exigiu documentos capazes de comprovar a qualificação mínima ou a capacidade técnica da empresa para executar os serviços.Diligências realizadas pelo Grupo de Apoio aos Promotores de Justiça (GAP/MPRJ) também identificaram, segundo a investigação, que a empresa contratada não funcionava no endereço informado à Receita Federal.No local, os investigadores encontraram identificação da H-FORT TEC, empresa pertencente a Hevariston da Rocha Cordeiro, marido de Thais.Improbidade administrativaNa ação, o MPRJ atribui aos réus a prática de atos de improbidade administrativa por suposta violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa. A Promotoria também aponta possível frustração do caráter competitivo do procedimento de contratação, com o objetivo de beneficiar terceiros.A ação foi recebida pelo Juízo da 2ª Vara da Comarca de Miracema, que dará prosseguimento ao processo.