O presidente da Argentina, Javier Milei, falou pela primeira vez, neste sábado (22/8), sobre a prisão de seu ex-assessor Fernando Cerimedo, acusado de mandar matar a companheira na Bolívia.Milei tentou se descolar do marqueteiro argentino que participou de sua campanha vencedora nas eleições de 2023.“Você sabe quantas pessoas se envolvem na política, indo e vindo o tempo todo. […] Cerimedo é alguém que não faz parte do grupo, não tem vínculo de nenhum tipo conosco. Nos desvinculamos em 2023”, disse o presidente em entrevista à rádio Mitre, da Argentina.Sem apresentar provas, Milei insinuou que por trás do processo contra Cerimedo poderia estar uma suposta “quadrilha de [deputada argentina Marcela] Pagano, [Franco] Bindi, Evo Morales, Castro-Chavismo, Lula”. “Tudo faz parte da mesma rede”, segundo o argentino.Na mesma entrevista, Milei falou sobre a repercussão da venda de carne de burro na Argentina, e atribuiu a divulgação da notícia a um “estudante de publicidade da equipe de Lula”.“Um dos que gerou a história de que na Argentina se come carne de burro, uma mentira [..] Quem propôs isso foi um estudante de publicidade na Argentina, que é brasileiro e é da equipe de Lula”, alegou o presidente argentino.3 imagensFechar modal.1 de 3Presidente da Argentina, Javier Milei Gabriel Luengas/Europa Press via Getty Images2 de 3Ex-assessor de Javier Milei, Fernando CerimedoReprodução/Redes Sociais3 de 3Fernando CerimedoReprodução/Instagram/@cerimedofernandoEx-assessor preso na BolíviaFernando Cerimedo, ex-assessor de Javier Milei, foi preso na última terça-feira (19/8) na Bolívia, acusado de mandar matar a própria companheira, Nadia Beller, de 41 anos.Beller foi baleada três vezes na noite de segunda-feira (17/8), por dois homens, em um hotel em Santa Cruz de la Sierra. Ela conseguiu escapar da tentativa de homicídio após se fingir de morta.Cerimedo foi detido em um aeroporto de Santa Cruz de la Sierra no mesmo dia. A procuradoria boliviana o acusa de ter tentado fugir após ter coordenado o crime remotamente, pelo celular.La noche del 17 de agosto, en un hotel de la zona Canal Isuto de Santa Cruz de la Sierra (Bolivia), dos sicarios disfrazados de repartidores de delivery le dispararon tres veces a quemarropa a la abogada y activista Nadia Shirley Beller Delgado, de 33 años.Ella se tiró al piso,… pic.twitter.com/Zb0vBxUpQv— Anxious Vids🔥 (@Anxiousvids) August 18, 2026Nessa sexta (21/8), a Justiça da Bolívia decretou prisão preventiva por 180 dias ao marqueteiro argentino. Leia também MundoAliado de Milei e Bolsonaro tem prisão preventiva decretada na Bolívia Igor GadelhaConsultor aliado ao clã Bolsonaro é preso após atentado contra esposa MundoMilei culpa legalização do aborto por baixa natalidade na Argentina MundoJavier Milei compara Lula e líderes de esquerda a “trem-fantasma” Ligação com o BrasilNo Brasil, o nome de Cerimedo ficou conhecido após as eleições de 2022. O argentino, fundador do “La Derecha Diario”, fez uma live na qual divulgou informações falsas sobre o processo eleitoral brasileiro e alegou que teria documentos que comprovariam fraude.À época, a transmissão foi repercutida por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno, e chegou a ser utilizado por um general do Exército brasileiro para alegar fraude nas urnas.A Polícia Federal (PF) investigou o caso e indiciou Cerimedo no inquérito que apurou a tentativa de golpe de Estado. Contudo, a Procuradoria-geral da República (PGR) considerou que a investigação não esclareceu se Cerimedo atuava com o grupo na tentativa de golpe ou apenas buscava engajamento virtual, e ele não foi denunciado neste inquérito.Em julho deste ano, o argentino voltou a descredibilizar as urnas eletrônicas e o processo eleitoral do Brasil, em uma live feita com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL).2 imagensFechar modal.1 de 2Fernando Cerimedo e Eduardo BolsonaroReprodução/Redes Sociais2 de 2Cerimedo foi premiado como "melhor consultor político do ano" em evento conservador na Flórida. Eduardo Bolsonaro esteve presenteReprodução/Instagram