A projeção da Nvidia de elevar a receita em cerca de 70% no próximo ano fiscal, bem acima dos cerca de 44% que o consenso de mercado esperava, devolveu fôlego ao rali de inteligência artificial e voltou a fazer as ações da gigante subirem depois de meses de acomodação. O papel avançou no aftermarket após a divulgação do balanço na quarta-feira (26) e já acumulava alta de 6,80% até as 6h35 desta quinta no mercado futuro.Mas o investidor deve crer que a companhia finalmente calou os céticos da IA e voltar a comprar a ação? Ao menos se depender da avaliação dos analistas, o papel ainda deve ter fôlego para andar. Após o resultado, Goldman Sachs reiterou recomendação de compra e elevou o preço-alvo de 12 meses para US$ 300, o que embute alta de 43% sobre o fechamento de quarta. Já o JPMorgan manteve recomendação equivalente e subiu o alvo para US$ 320, com prazo mais longo, até dezembro de 2027.A Nvidia apresentou a projeção como limitada pela capacidade de produção, e não pela demanda, algo que o JPMorgan considerou cauteloso demais. É “uma leitura que consideramos provavelmente conservadora, dado o ritmo de adoção da IA agêntica e o momento dos investimentos soberanos no mundo”, diz o banco em relatório, que cita ainda a capacidade adicional que a empresa vem destravando junto a parceiros da cadeia de fornecimento.Leia tambémDow Jones futuro avança após Nvidia reforçar otimismo com inteligência artificialNvidia afasta temor de bolha de IA ao sinalizar que demanda por chips segue acelerandoOs analistas apontam os mesmos pontos de atenção. O primeiro é o custo de memória, que pressiona a margem bruta, que deve cair dos atuais 75% para uma faixa entre 72% e 73% no próximo ano fiscal. Para o Goldman, essa revisão tende a encerrar as dúvidas mais agudas dos investidores com custo de insumo e pode funcionar como o gatilho que destrava o papel, um evento que limpa o caminho da ação.O segundo ponto é o volume de garantias e compromissos financeiros que a Nvidia oferece aos próprios clientes, na casa das centenas de bilhões de dólares, o que mantém aberto o debate sobre financiamento circular no setor. O JPMorgan diz concordar com a defesa apresentada pela companhia, mas registra que a discussão deve seguir viva.No caso otimista do Goldman, a ação valeria US$ 424. No pessimista, US$ 175, o que representa queda de 16,5% em relação ao preço atual. É um papel que continua caro em expectativa, e o risco de execução não desapareceu com um bom trimestre.Onde o rali pode se espalharPara quem quer o tema sem depender de um único papel, o Goldman avalia que a projeção da Nvidia sinaliza um ambiente sólido de gastos com IA e beneficia a cadeia de semicondutores como um todo, com destaque para Broadcom, AMD, Marvell, ARM e Intel.O UBS, em relatórios da véspera do balanço, já recomendava seletividade dentro do setor após a forte valorização acumulada, e elevou para atrativas as ações de Taiwan e o setor de tecnologia da informação europeu.O banco sugere diversificar as fontes de retorno, porque o crescimento de lucros deixou de ser exclusividade das maiores empresas de tecnologia. A recomendação inclui industriais, financeiro, consumo discricionário e saúde, além de Europa, Japão, Índia, China e emergentes. O UBS elevou a projeção de crescimento dos lucros do S&P 500 para 25% em 2026 e os alvos do índice para 8.100 pontos em dezembro e 8.400 em junho de 2027.“Agora não é hora de os investidores manterem exposição a ações pequena demais em relação a seus planos de longo prazo”, afirma o estrategista Matthew Carter no relatório.O UBS trabalha com 60% de chance para o cenário em que o investimento em IA segue firme e o S&P 500 chega a 8.400 pontos em junho de 2027, e 20% para um cenário ainda melhor, com o índice em 9.500.Leia também: Apetite por risco de assessores de investimento cai ao menor nível desde 2023Do outro lado, atribui 10% de probabilidade a um mercado de baixa em inteligência artificial, que levaria o índice a 5.500 pontos. O tamanho do investimento planejado no setor é inédito, e por isso “qualquer sinal de que o investimento está desacelerando ou de que os retornos não estão se materializando provavelmente teria implicações muito além do setor de tecnologia”, diz o relatório. Outros 10% ficam com um cenário de reprecificação de juros, que derrubaria o S&P 500 para 7.000 pontos.Para participar da alta sem se expor por inteiro a esses desfechos, a sugestão do banco é substituir parte da posição em ações por estratégias de preservação de capital e reforçar títulos de qualidade. A mensagem central, porém, permanece a mesma, permanecer investido e reduzir concentração, não sair da bolsa.Como comprar a partir do BrasilHá três caminhos de investir na Nvidia ou outras empresas de IA a partir do Brasil. BDRs negociados na B3 dão exposição em reais e dispensam conta no exterior, com a contrapartida de liquidez menor. A conta em corretora internacional permite comprar a ação diretamente na Nasdaq, com exposição integral ao papel e ao câmbio, e exige atenção à tributação e à declaração de bens no exterior. Já os ETFs listados aqui que replicam o S&P 500 e índices de tecnologia carregam a Nvidia com peso relevante e diluem o risco de empresa única, que é justamente o ponto levantado pelos analistas.Leia também: Mercado dá primeiros sinais concretos de retorno da tese de dólar fracoThe post Nvidia calou os céticos? O que fazer com as ações de IA agora appeared first on InfoMoney.