Por que o telescópio Roman não vai substituir o James Webb — e sim fazer algo diferente

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A NASA está prestes a lançar um novo observatório espacial que poderá mudar a maneira como os astrônomos estudam o Universo. O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman está programado para decolar em 30 de agosto, a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, e terá capacidade de observação diferente da oferecida atualmente pelo Hubble e pelo James Webb.Embora os três telescópios tenham objetivos científicos em comum, o Roman foi projetado para observar uma área muito maior do céu de uma só vez. Essa característica permitirá realizar grandes levantamentos astronômicos e estudar populações inteiras de galáxias e estrelas, em vez de concentrar a observação em regiões relativamente pequenas.O telescópio terá aproximadamente 12,7 metros de comprimento e será colocado em região do espaço próxima ao ponto de Lagrange 2, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra.Um campo de visão muito maiorA principal diferença do Roman em relação ao Hubble e ao James Webb está no tamanho da área do céu que ele consegue observar simultaneamente;O instrumento terá um campo de visão pelo menos 100 vezes maior que o do Hubble. Isso permitirá que o Roman examine grandes regiões do Universo em períodos muito menores do que seriam necessários para observatórios com campos de visão mais estreitos;A capacidade será especialmente importante para pesquisas que dependem da análise de grandes quantidades de objetos celestes;Em vez de observar apenas uma galáxia ou uma pequena região do céu em detalhes, os astrônomos poderão usar o Roman para mapear grandes áreas e identificar objetos que posteriormente poderão ser estudados com mais profundidade pelo Hubble, pelo James Webb ou por outros telescópios;A NASA estima que o Roman poderá medir a luz de até um bilhão de galáxias durante sua missão.Roman e James Webb terão funções diferentesO Roman também observará o Universo em infravermelho, assim como o James Webb. Isso permitirá investigar objetos extremamente distantes e observar regiões que podem ser difíceis de estudar em outros comprimentos de onda.A diferença é que o James Webb foi desenvolvido para realizar observações extremamente detalhadas de determinados objetos, enquanto o Roman terá como uma de suas principais vantagens a capacidade de fazer levantamentos amplos. Na prática, os dois telescópios poderão trabalhar juntos.O Roman poderá examinar enormes regiões do céu e identificar fenômenos ou objetos interessantes. Depois, os pesquisadores poderão direcionar o James Webb para alguns desses alvos e realizar observações mais detalhadas.A própria NASA descreve o Roman como um observatório que complementará outros grandes telescópios espaciais, e não como um substituto para eles.À esquerda, Hubble; à direita, Roman – Imagem: Centro de Voos Espaciais Goddard da NASALeia mais:Telescópio em construção enxerga o fim de uma estrela de pertoMissão falhou: NASA desiste de resgatar observatório Swift e aguarda queda em 2026Proliferação de satélites pode comprometer observações astronômicasInvestigação da energia escuraUma das principais missões do Roman será ajudar os cientistas a compreender a energia escura, um dos maiores mistérios da cosmologia.A expansão do Universo está acelerando, mas os cientistas ainda não sabem exatamente o que provoca esse fenômeno. A energia escura é o nome dado àquilo que poderia estar por trás dessa aceleração.Ao observar enormes quantidades de galáxias e medir como elas estão distribuídas e evoluíram ao longo do tempo, o Roman poderá fornecer dados importantes para investigar essa questão.O telescópio também estudará a matéria escura, que não emite nem reflete luz, mas cuja presença pode ser percebida pelos efeitos gravitacionais que provoca sobre outros objetos.Os levantamentos realizados pelo Roman poderão ajudar os pesquisadores a compreender melhor como a matéria está distribuída pelo Universo e como as estruturas cósmicas se formaram e evoluíram.Busca por exoplanetasOutro objetivo importante será procurar planetas fora do Sistema Solar. O Roman utilizará, entre outras técnicas, o fenômeno conhecido como microlente gravitacional. Ele ocorre quando a gravidade de uma estrela ou de outro objeto atua como uma lente e amplia temporariamente a luz de uma estrela mais distante. Esse fenômeno pode revelar a presença de planetas que seriam difíceis de detectar por outros métodos.A expectativa é que o Roman encontre milhares de novos exoplanetas durante sua missão. O telescópio também terá capacidade de investigar alguns desses mundos de maneira mais detalhada.Novo olhar para o UniversoA chegada do Roman representará, portanto, uma mudança de escala nas pesquisas astronômicas.O Hubble revolucionou a observação espacial ao fornecer imagens extremamente detalhadas do Universo em diferentes comprimentos de onda. Décadas depois, o James Webb ampliou essa capacidade ao observar principalmente no infravermelho e investigar algumas das primeiras galáxias formadas após o Big Bang.O Roman seguirá uma direção diferente: observar grandes áreas do céu rapidamente e reunir enormes quantidades de dados.Essa capacidade permitirá aos astrônomos construir mapas muito mais amplos do Universo, acompanhar sua evolução e encontrar fenômenos que podem passar despercebidos quando a observação está concentrada em regiões menores.O lançamento do observatório está previsto para 30 de agosto de 2026, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida (EUA), em um foguete Falcon Heavy da SpaceX. Depois de deixar a Terra, o Roman viajará até o ponto de Lagrange 2, onde deverá realizar sua missão científica.O post Por que o telescópio Roman não vai substituir o James Webb — e sim fazer algo diferente apareceu primeiro em Olhar Digital.