A geração mais frequentemente associada à impulsividade e ao apetite por risco vem se comportando de forma oposta quando o assunto é investimento. A Geração Z, formada por quem nasceu entre 1997 e 2012, acumula ativos de maneira consistente, recorre menos à alavancagem e adota uma abordagem mais seletiva nas negociações do que as faixas etárias mais velhas, segundo levantamento da Binance Research, braço de pesquisa da exchange.A leitura do estudo é de que esse público combina entrada precoce no mercado com viés de longo prazo na gestão dos próprios recursos, um perfil sustentado pelo maior acesso à educação financeira. O comportamento aparece com clareza nos instrumentos que o grupo evita.Os ETFs alavancados representam apenas 5,9% do volume total negociado pela Geração Z, a menor participação entre todas as gerações analisadas. Entre os chamados “Usuários da Próxima Geração”, perfil formado por jovens de mercados emergentes com saldo baixo em carteira e primeiro contato com mercados globais, o padrão é ainda mais cauteloso, com frequência de negociação inferior à da base geral de usuários da plataforma.Mesmo com aportes menores, o grupo pesa no volume total. A Geração Z contribuiu com aproximadamente US$ 80 bilhões em negociação de ativos tradicionais na plataforma até julho de 2026, com crescimento mensal composto próximo de 24%, apesar de ter o menor capital de investimento por usuário entre todas as gerações. A escala e a regularidade dos aportes compensam os saldos mais baixos, em uma combinação que o estudo descreve como menos dependente de movimentos episódicos.Leia tambémMark Cuban: Empresas deveriam dar ações a funcionários ou pagar mais impostosBilionário defende que companhias compartilhem os ganhos com todos os empregados e alerta para os riscos da crescente desigualdade de rendaCasas Bahia: os sinais vermelhos que o mercado já identificava antes do pedido de RJEnquanto balanços oficiais apontavam desalavancagem, debêntures da varejista sofreram “apagão” de preçosEducação financeira explica a diferençaO relatório associa o perfil mais cauteloso ao contato maior com conteúdo sobre finanças, tanto em redes sociais quanto no ensino formal. Mais de 77% dos investidores da Geração Z relatam ter recebido educação financeira formal, contra 69% dos Millennials, nascidos entre 1981 e 1996, e 58% da Geração X, de 1965 a 1980.A entrada no mercado também acontece antes. Dados do Fórum Econômico Mundial reunidos pela Binance Research, com corte em 26 de março de 2025, mostram que cerca de 30% dos investidores da Geração Z fizeram seus primeiros investimentos ainda na universidade ou no início da vida adulta, o dobro da taxa dos Millennials. A proporção supera com folga os 9% da Geração X e os 6% dos Baby Boomers, nascidos entre 1946 e 1964, gerações que concentraram a entrada no mercado financeiro quando começaram a trabalhar ou bem depois.Mas a menor exposição à alavancagem convive com forte concentração setorial. Na base total de usuários de ações da plataforma, a alocação em Tecnologia da Informação e Serviços de Comunicação chega a aproximadamente 60%, com cerca de 26% em semicondutores, uma inclinação temática voltada ao complexo de inteligência artificial.Entre os usuários da próxima geração, as primeiras negociações se concentram em companhias consolidadas e amplamente acompanhadas pelo mercado, com a Nvidia (NVDA) presente em 20% dos casos, seguida pela Micron (MU), com 8%, além de nomes como Tesla, Apple e o ETF QQQ, que replica o Nasdaq 100.A base de usuários de produtos tradicionais na exchange é majoritariamente de países emergentes, onde estão mais de 90% dos usuários de todas as gerações, com variação de 92% entre os Millennials a 96% entre os Baby Boomers. No caso da Geração Z, o percentual é de 95%.The post Geração Z investe mais cedo e é mais conservadora do que se imagina, diz estudo appeared first on InfoMoney.