Mercedes-Benz acima de R$ 2 milhões e Porsches, mais em conta, em torno de R$ 1,5 milhão dominam a lista dos veículos mais valiosos declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por políticos candidatos nas eleições de 2026. São máquinas cujo Imposto Sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) anual chega a R$ 80 mil, preço de um carro popular zero-quilômetro no Brasil, como os modelos de entrada Citroën C3, Fiat Mobi ou o Renault Kwid. Se cerca de 40% dos candidatos declararam algum veículo, com uma média de R$ 154 mil por automóvel, a garagem de alguns postulantes nas eleições 2026 concentra uma frota que ultrapassa R$ 6 milhões, segundo o sistema DivulgaCandContas do TSENo topo da lista nacional de valores declarados em automóveis está Flávia do Maguito (PSDB-GO). Viúva do ex-governador de Goiás Maguito Vilela, morto por Covid-19 em janeiro de 2021, ela disputa uma vaga de deputada federal e declarou à Justiça Eleitoral R$ 103.733.556,02 em bens. Desse total, R$ 6,27 milhões estão em sua garagem.A grande estrela de sua frota é um Mercedes-Benz AMG G 63 com valor declarado de R$ 2,25 milhões. Com alíquota de IPVA em 3,75%, o imposto anual estimado em Goiás para o veículo é de R$ 84.375,00. Entre outros veículos, Flávia ainda declarou outro veículo da Mercedes, sem descrição do modelo, mas com valor de R$ 1,65 milhão e ambos integram a lista dos dez mais caros entre os candidatos. Também de Goiás vem outro supercarro nessa relação. Ex-deputado federal e ex-ministro das Cidades Alexandre Baldy (PP-GO), principal da executivo da BYD no Brasil, disputa uma vaga de primeiro suplente ao Senado e, entre os R$ 2,75 milhões em veículos está um Porsche 911 Turbo S, avaliado em R$ 1,9 milhão, com R$ 71.250,00 de IPVA recolhidos por ano. Na garagem de Baldy, claro, também estão vários “carros da firma”, como os modelos BYD King, Song Plus e Dolphin.Mistério no topo da listaO carro mais caro declarado, segundo apuração do UOL Carros, é um mistério. Com valor de R$ 2,5 milhões, o veículo pertence ao empresário Alessandro Bronze Toniza (PL-AM), também candidato a suplente de Senador, mas marca e o modelo não foram informados. Toniza, cujo patrimônio total declarado é de R$ 23,4 milhões, também informou outro veículo misterioso ao TSE, de R$ 1,85 milhão.Na tentativa de voltar ao Senado por Rondônia e com um patrimônio geral de R$ 15 milhões, Acir Gurgacz (PDT-RO) declarou R$ 2,91 milhões em veículos de transporte terrestre. Seu principal automóvel é um Porsche 911, ano 2023, avaliado em R$ 1,514 milhão. Com uma alíquota de 3% de IPVA para carros de passeio, o imposto estimado anual para manter esse esportivo alemão regularizado é estimado em R$ 45.300,00. A lista do candidato é completada por BMW 745 LE híbrido avaliado em R$ 638 mil, cujo IPVA é estimado R$ 19.140,00, e por um utilitário elétrico Denza B5 de R$ 436 mil.Candidato a suplente de senador, Odilio Balbinotti Filho (PL-MT) possui o maior patrimônio total do grupo de líderes analisados, acumulando R$ 359.743.243,37. Em sua declaração, o empresário declarou R$ 3,05 milhões em utilitários esportivos (SUVs) de alto padrão como Mercedes-AMG GLE 63 S, BMW X5 e Range Rover Velar. Em Mato Grosso, onde os veículos estão registrados, o IPVA é de 2% para carros de passeio, ou R$ 61.080,00 com o tributo da frota.O candidato a segundo suplente de senador Roberto Franca (PSB-PB) declarou R$ 9,24 milhões em bens totais, com R$ 2,3 milhões em veículos, com destaque um luxuoso Porsche Cayenne E-Hybrid. Além disso, o engenheiro declarou quadriciclos de alto rendimento, como o Can-Am Maverick R e o Polaris RZR Pro XP, além de uma picape Ram. O frotistaO produtor rural Maurício Buffon (PL-TO), que concorre a uma vaga de deputado federal com patrimônio de R$ 48.485.115,44, é o detentor da maior garagem em termos absolutos, somando 24 veículos. Sem o luxo dos outros candidatos, a frota pessoal do candidato é voltada inteiramente para a atividade logística e para o agronegócio. São 18 caminhões comerciais pesados de carga e utilitários. Em termos de custo operacional e planejamento tributário, embora o Tocantins cobre 2% de IPVA sobre carros normais de passeio, a legislação brasileira oferece uma alíquota reduzida de apenas 1% para veículos de transporte de carga pesada, o que permite manter a frota operacional com despesas fiscais substancialmente otimizadas.*Sob orientação de Gustavo Porto