A China anunciou o adiamento da missão Chang’e-7, um dos projetos espaciais mais ambiciosos do país — e os Estados Unidos não vão reclamar.O lançamento da missão Chang’e-7, que tem o objetivo de buscar gelo de água na Lua, estava previsto para acontecer entre a noite de domingo (23) e a manhã desta segunda-feira (24), no horário de Pequim. No entanto, ele deve ficar para o ano que vem.O comunicado veio do Escritório de Engenharia Espacial Tripulada da China e foi divulgado pela mídia chinesa.Por que a missão Chang’e-7 foi adiada?A razão exata que resultou no adiamento não ficou clara inicialmente. A informação divulgada pela mídia local é que a “sonda lunar não atende às condições de lançamento” e que a “avaliação foi conduzida seguindo os princípios de prudência, confiabilidade e sucesso absoluto da missão”.Nesta segunda-feira (24), Wiphu Rujopakarn, diretor executivo do Instituto Nacional de Pesquisa Astronômica da Tailândia (NARIT) especulou sobre o possível motivo pelo atraso da missão em entrevista à emissora norte-americana CNN.Segundo o diretor, a expectativa é que a missão ocorra no próximo ano, durante uma de duas janelas de lançamento na primavera ou no meio do verão. As atualizações vieram da equipe chinesa. O NARIT faz parte de sete parcerias internacionais que prepararam instrumentos científicos para a sonda.Wiphu explicou que o adiamento se deve à natureza tecnicamente complexa e “sem precedentes” da missão. Isso porque a sonda precisa entrar em uma órbita exata para posteriormente pousar no sul da Lua, algo nunca feito antes.Em sua visão, o atraso está relacionado ao clima e, para ele, “não é impossível que existam outras considerações”.Por que a China e os EUA querem chegar ao Sul da Lua?O grande objetivo da Chang’e-7 é (ou era) ser a primeira sonda a analisar diretamente a água na Lua para, quem sabe mais pra frente, o satélite natural se tornar residência para cientistas.Os EUA já haviam começado a estimar a quantidade de depósitos de gelo de água por meio de sensores remotos instalados em satélites em órbita.Porém, nunca conseguiram enviar uma sonda que perfurasse o local para obter o recurso, exatamente o que a tecnologia chinesa faria.As duas nações estão competindo para estabelecer assentamentos no polo sul da Lua. Isso porque compreender e utilizar os recursos hídricos da região são fatores considerados determinantes para o desenvolvimento lunar.O adiamento da Chang’e-7 também pode abrir espaço para os Estados Unidos avançarem na disputa pelo polo sul da Lua.Nos próximos meses, diversas missões americanas devem seguir para a mesma região. Entre elas está o módulo de pouso Griffin, da Astrobotic Technologies, previsto para decolar no fim de 2026.Já a Blue Origin, empresa espacial de Jeff Bezos, planeja lançar até duas missões robóticas à superfície lunar. Uma delas poderá transportar o rover VIPER, desenvolvido pela NASA para localizar depósitos de gelo e mapear recursos essenciais para futuras bases na Lua.A ideia é que os depósitos de água congelada sejam usados para a exploração do espaço profundo e para uma futura base lunar. Em teoria, eles podem ser convertidos em ar respirável, água potável e até combustível para foguetes.*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.*Com informações da BBC.