Os quatro presos na Islândia após uma abordagem da Guarda Costeira ao navio de ativistas contra a caça às baleias já estão no Brasil. Victor Calixto chegou em 18 de agosto; Lucas Barbosa e Rui Amorim, no dia 19; e Vitor Young, no dia 20.O grupo foi preso após uma abordagem da Guarda Costeira do país ao navio de ativistas contra a caça às baleias, realizada no último dia 30 de julho. A ação ocorreu durante um protesto contra a caça comercial do animal. Os manifestantes foram detidos no dia 31.Desde então, os brasileiros tiveram dificuldades de retornar ao país. Segundo apuração da CNN Brasil com fontes envolvidas no caso, o retorno dos ativistas dependeu do governo da Islândia e da disponibilidade de um voo direto para o Brasil. Leia Mais Brasileiros são presos na Islândia em protesto contra caça às baleias Criminosos procurados pela Interpol são presos durante operação no Marajó Baleia fez "gesto de gratidão" após ser salva: relembre o caso Isso ocorreu porque é necessário que um policial islandês acompanhe o preso até o destino final. Porém, enquanto isso, os outros 16 tripulantes de outras nacionalidades presos na Islândia já haviam sido deportados ou tiveram a saída do país encaminhada.Ato heroico?Segundo Lucas Barbosa, cozinheiro do barco, na volta para o país, ele e Rui Amorim conversaram com os policiais que os acompanharam no processo de imigração e notaram que algumas agentes mulheres achavam o ato heroico.“Eu percebi que elas achavam um ato meio heroico. Ficou bem claro isso pra mim. Elas não achavam que o que a gente tava fazendo ali era algo ruim, ou criminoso, ou algo do tipo. Mesmo elas achando que a caça das baleias faz parte da cultura do país delas, eu consegui perceber que elas também não estão de acordo com o que acontece lá”, disse Lucas. Veja:https://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2026/08/202608242159-1.mp4Entenda o casoUma embarcação auxiliar do navio dos manifestantes, conhecido como Bandero, foi lançada para interceptar a atividade do navio baleeiro, que acabou deixando a área. A abordagem teve início quando o Bandero localizou uma das duas últimas embarcações autorizadas a realizar a caça comercial de baleias-fin na Islândia.Temporada de baleias-jubarte aumenta turismo no Brasil | CNN PRIME TIMEApós essa ação, a Guarda Costeira islandesa iniciou uma operação com helicópteros e drones. Os agentes armados assumiram o controle do navio e conduziram a embarcação até Reykjavík, capital da Islândia.O Bandero participa da Operação 86, missão organizada pela ONG internacional Captain Paul Watson Foundation. A expedição reuniu 21 tripulantes de 11 países com o objetivo de monitorar e impedir a continuidade da caça comercial de baleias-fin na Islândia.Caça comercial de baleias-fin na IslândiaEnquanto isso, a situação que levou os brasileiros à Islândia permanece urgente. Ao todo, 45 baleias-fin foram mortas nesta temporada de caça, enquanto o Bandero, embarcação utilizada para tentar impedir os abates, permanece apreendido pelas autoridades islandesas e sem uma previsão para ser liberado.Para a bióloga Larissa Uema, o cenário é preocupante, pois a baleia-fin está listada pela União Internacional para a Conservação da Natureza como em perigo de extinção. Ela explica que o animal demora pelo menos seis anos para entrar em maturidade sexual e tem um intervalo de dois a três anos entre uma nova reprodução.A gestação desta espécie dura em torno de 11 a 12 meses e resulta, normalmente, em um único filhote.