Associação pede inelegibilidade de Tarcísio por ato em igreja

Wait 5 sec.

A Associação Movimento Brasil Laico solicitou ao Ministério Público Eleitoral (MPE) a abertura de uma investigação contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), além da Assembleia de Deus Ministério do Belém e dirigentes, por um ato de campanha realizado na igreja evangélica.  O pedido inclui inelegibilidade por oito anos e a cassação dos registros de candidatura.Protocolada na Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo (PRE-SP), a representação aponta o uso indevido de templo religioso em 17 de agosto, o primeiro dia útil da campanha eleitoral deste ano. Na igreja, para uma plateia de cerca de 2.500 religiosos, Tarcísio leu uma passagem bíblica, pediu oração para que “Deus abra os caminhos” e ainda participou de uma reunião de obreiros, ao lado de André e Derrite.Segundo a associação, Tarcísio usou linguajar bíblico para pedir votos “indiretamente”, fazendo menção ao pleito ao afirmar que teriam uma “jornada pesada até outubro”, declarou que “a vitória vem” e que Deus lhe deu a “missão de ser instrumento”.As principais ilicitudes apontadas são: propaganda irregular em bem de uso comum; inaplicabilidade das regras de pré-campanha; doação estimável em dinheiro de fonte vedada, já que igrejas são fontes proibidas de financiamento; e abuso de poder político e econômico.“Não se questiona, aqui, o direito de qualquer cidadão — candidato inclusive — de professar sua fé, frequentar templos, orar, ler as Escrituras ou pedir orações. Não se pretende censurar liturgia, sermão ou credo. Não se imputa ilicitude à religiosidade de quem quer que seja, nem se pede que a Justiça Eleitoral avalie a sinceridade espiritual de ninguém”, destacou a representação.O documento explica que se trata de objeto estritamente jurídico, “a utilização de um templo religioso como palanque de campanha”.“A liberdade religiosa não afasta a incidência das normas eleitorais quando utilizada para fins de promoção eleitoral, nem pode ser invocada como escudo para a prática de atos vedados pela legislação de regência. O que se protege, ao vedar propaganda em templos, não é a religião contra a política — é o eleitor e a igualdade de chances contra o uso da ascendência espiritual como instrumento de disputa”, apontou.Procurados pelo Metrópoles, Tarcísio de Freitas, André do Prado e Guilherme Derrite não se pronunciaram até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.