A ação militar coordenada entre Estados Unidos e Equador no combate ao narcotráfico foi tema de análise do professor Augusto Teixeira, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), no WW nesta sexta-feira (21).Para o especialista em Relações Internacionais, as medidas belicosas adotadas, como o bombardeio de rotas e o corte de linhas de comunicação logística do tráfico, “pouco resolvem” os problemas estruturais associados ao tema.Ações militares e motivações políticas Leia Mais Análise: EUA sinalizam que pretendem testar limites de ações internacionais EUA avaliam operações terrestres contra traficantes na América Latina Acúmulo de frentes de tensões amplia desafios na relação entre Brasil e EUA Teixeira avalia que, do ponto de vista norte-americano, a estratégia tem sentido dentro de um cálculo político e eleitoral interno. Segundo ele, “ações cinéticas, em geral, estão associadas à popularidade e a votos, em grande medida.”O especialista contextualiza que, enquanto outras frentes — como as negociações em relação ao Irã e à Ucrânia — não apresentaram resultados concretos, o combate ao narcotráfico na região pode representar uma entrega política relevante para o eleitorado americano.Na perspectiva militar dos Estados Unidos, a concepção essencial, segundo Teixeira, é voltada à interdição naval das rotas do tráfico, especialmente dos países da América do Sul em direção ao México e aos próprios Estados Unidos.Essa estratégia se soma a sanções contra grupos e atores que, segundo a nomenclatura americana, seriam classificados como “narcoterroristas”.Dimensão estrutural do problemaPara Teixeira, no entanto, o enfrentamento efetivo do narcotráfico demanda muito mais do que operações militares. “Isso, em grande medida, envolve um esforço prolongado, essencialmente, na limpeza de instituições políticas e policiais que estão relacionadas ao sistema de justiça”, afirmou o professor.Ele destacou que, em vários países da região, essas instituições apresentam “gravíssimos problemas” e funcionam como um “apoio parasitário para a governança criminal” dos grupos narcotraficantes.O especialista ressalta que bombardear canais ou linhas de comunicação logística do narcotráfico não é suficiente para resolver questões de caráter estrutural e social.Para ele, o combate efetivo exige o fortalecimento das instituições estatais e o respeito ao Estado de Direito — algo que, segundo Teixeira, não é prioridade para os Estados Unidos, cujo foco principal é interromper o fluxo de drogas em direção ao seu território.Implicações para o Brasil e a América do SulTeixeira também aponta consequências geopolíticas para o Brasil. Segundo ele, a estratégia norte-americana representa uma pressão sobre o país, especialmente diante da concepção brasileira de autonomia estratégica dentro da América do Sul — percebida, nos últimos anos, como um objetivo geopolítico relevante para o Brasil.“Podemos estar caminhando várias casas para trás para o começo do século XXI”, concluiu o professor, sinalizando um possível retrocesso nas relações de poder na região. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.