Apple e Samsung desafiam crise dos smartphones e crescem na América Latina

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O mercado de smartphones da América Latina enfrentou segundo trimestre difícil em 2026. As remessas de aparelhos na região caíram 10% em relação ao mesmo período do ano passado, mas duas das principais fabricantes conseguiram seguir na direção contrária: Samsung e Apple registraram crescimento.De acordo com dados da Counterpoint Research, a Samsung aumentou suas remessas em 6% no segundo trimestre, enquanto a Apple avançou 5%. As duas foram as únicas entre as principais fabricantes a registrar crescimento no período.O resultado chama atenção porque fabricantes, como Motorola, HONOR e Xiaomi, apresentaram desempenho inferior no trimestre, acompanhando a retração geral do mercado latino-americano.A queda de 10% foi a maior retração anual registrada na região desde o terceiro trimestre de 2023, quando a combinação entre recessão econômica no período pós-pandemia e estoques elevados havia provocado redução de dois dígitos nas remessas.Apple cresce mesmo com cenário desfavorávelO avanço da Apple ocorreu principalmente graças à força do segmento premium;A empresa conseguiu manter a procura por seus smartphones mesmo diante de cenário marcado pelo aumento dos custos de produção;A estratégia da companhia envolveu absorver parte dos aumentos de custos dos iPhones, especialmente nos modelos iPhone 17 Pro Max e iPhone 17e, que estiveram entre os aparelhos mais procurados no período;No segmento premium de smartphones da América Latina, a Apple possui 51% do mercado, enquanto a Samsung aparece na segunda colocação, com 40%;O desempenho mostra diferença importante em relação ao comportamento das categorias de entrada e intermediária, que foram mais afetadas pela combinação de custos maiores e condições econômicas desfavoráveis.Apple lidera mercado global – Imagem: tang90246/iStockCrise de memória afeta fabricantesSegundo Tina Lu, analista da Counterpoint Research, a retração do mercado latino-americano está diretamente relacionada à crise de memória e ao aumento dos preços dos sistemas em chip (SoCs). “O mercado de smartphones da América Latina enfrentou um segundo trimestre desafiador em 2026. As crises de memória pioraram e o preço de SoC subiu ao longo do trimestre”, explicou a analista.Ao mesmo tempo, a valorização das moedas de diferentes países latino-americanos ajudou a amenizar parte dos aumentos de preços. Com isso, os fabricantes repassaram apenas parcialmente aos consumidores o aumento dos custos dos componentes.O impacto, porém, foi maior justamente nas categorias que concentram a maior parte das vendas. “Entretanto, o impacto foi mais sentido nas faixas de preço de entrada e intermediárias, que representam três em cada quatro celulares vendidos na região”, afirmou Lu.Além do aumento dos custos, outro fator que pressionou as remessas foi o excesso de estoque acumulado durante o primeiro trimestre.Fabricantes haviam aumentado seus estoques no início do ano diante da expectativa de novos aumentos de preços. A combinação entre esse estoque elevado e os desafios econômicos enfrentados pelos principais mercados da região acabou reduzindo os novos envios durante o segundo trimestre.“Além do mais, o excesso de estoque adquirido no primeiro trimestre do ano e os desafios econômicos entre os principais mercados reduziram os envios, levando [o trimestre] a uma queda de dois dígitos”, acrescentou a analista.Samsung também avançaA Samsung conseguiu aproveitar o cenário para aumentar suas remessas em 6% na comparação anual e reforçar sua liderança regional.A empresa recuperou a primeira posição em mercados, como Colômbia, Peru e Equador, movimento associado pela Counterpoint ao aumento do estoque disponível e a promoções agressivas nesses países. A estratégia ajudou a companhia a crescer mesmo enquanto o mercado latino-americano como um todo enfrentava retração significativa.Mercado global também favorece a AppleO desempenho da Apple na América Latina acompanha tendência observada em escala global. No segundo trimestre de 2026, a empresa registrou crescimento de 13% nas remessas globais em comparação com o mesmo período de 2025. A receita também aumentou 22%, fazendo com que a Apple respondesse por 49% do faturamento de todo o mercado mundial de smartphones no período.O resultado reforça a importância do segmento premium para a companhia, especialmente em momento no qual fabricantes enfrentam pressão provocada pelo aumento dos custos de componentes.Na América Latina, essa estratégia permitiu que a Apple crescesse justamente no trimestre em que o mercado regional apresentou uma das maiores retrações dos últimos anos.Enquanto o mercado como um todo perdeu 10% em volume de remessas, a Apple avançou 5% e a Samsung cresceu 6%, mostrando que as fabricantes conseguiram encontrar espaço para crescer mesmo diante de um cenário de custos elevados, excesso de estoque e menor demanda nas categorias de entrada e intermediária.O post Apple e Samsung desafiam crise dos smartphones e crescem na América Latina apareceu primeiro em Olhar Digital.