“Como orientação geral, sugiro uma boa diversificação entre classes de ativos e países que tenham demonstrações de resultados e balanços sólidos e que não estejam enfrentando grandes conflitos políticos internos ou tensões geopolíticas externas. Também recomendo reduzir a exposição a ativos de dívida, como títulos, e aumentar a alocação em ouro e, em menor medida, Bitcoin“. A frase foi dita pelo bilionário, megainvestidor e gestor de hedge fund Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates.Em um texto publicado no X, antigo Twitter, Dalio comentou o recente movimento do Tesouro norte-americano de recompra dos títulos de longo prazo para elevar a liquidez dos mercados, algo que foi lido pelo mercado de maneira mista.https://t.co/VXVQj5NGAc— Ray Dalio (@RayDalio) August 21, 2026Se, por um lado, a liquidez elevada tende a valorizar ativos de maior risco — como bolsas e criptomoedas —, por outro, também é um forte sinal de que o governo dos EUA pode começar a ter dificuldades de pagar a sua dívida.Assim, Dalio aponta a convergência de três fatores que fizeram o mercado se questionar sobre a sustentabilidade de manter uma dívida superior aos US$ 40 trilhões.Em primeiro lugar, o governo japonês passou a vender parte de suas posições em títulos do Tesouro dos EUA para repatriar recursos, apoiar o iene e os mercados financeiros domésticos e, ao mesmo tempo, reduzir sua exposição à dívida americana sem precisar elevar os juros além do desejado para sustentar a moeda.O segundo fator são os rendimentos dos Treasuries, que atingiram novas máximas, especialmente nos vencimentos mais longos, em um movimento acompanhado pela fraqueza do dólar. Por fim, a recompra dos títulos e o anúncio de novas aquisições no futuro formam a tríade dos problemas norte-americanos.“[Isso] levou muitas pessoas a me perguntarem se esses eventos são consistentes com o modelo clássico apresentado em meu livro. A resposta é sim”, comenta ele, em referência ao livro How Countries Go Broke: The Big Cycle (Como países quebram: O Grande ciclo, em tradução livre), escrito em por ele em junho de 2025.O ciclo da dívida dos Estados Unidos, segundo Ray DalioDalio entende que os EUA caminham para uma situação insustentável dos passivos e serviço da dívida, que superam os US$ 40 trilhões.“Depois de considerar a recém-aprovada lei de reconciliação orçamentária, a maioria dos analistas independentes projeta que, em 10 anos, a dívida chegará a US$ 55 trilhões a US$ 60 trilhões — cerca de sete vezes a receita — porque haverá US$ 25 trilhões a US$ 30 trilhões em novos empréstimos. Naturalmente, daqui a 10 anos, isso deixará essa organização com pagamentos ainda maiores do serviço da dívida, comprimindo os gastos, e com um risco maior de não haver demanda suficiente pela dívida que ela precisará vender, caso não exista um plano para lidar com essa situação”.“A partir da minha análise”, conclui ele, “acredito que essa situação precisa ser enfrentada por meio do que chamo de solução de 3% em três partes. A proposta seria reduzir o déficit orçamentário para 3% do PIB, equilibrando três formas de redução do déficit: 1) cortar gastos; 2) aumentar a receita tributária; e 3) reduzir as taxas de juros”.Além disso, para o investidor, Dalio recomenda alocar parte dos seus investimentos em ativos que não estejam atrelados a dívidas soberanas, como ouro e criptomoedas.