‘Pai do RenovaBio’ rebate fala de Flávio Bolsonaro sobre etanol: ‘Defender uso de fóssil é contra a renda do brasileiro’

Wait 5 sec.

As críticas do candidato a presidente da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, ao aumento da mistura do etanol à gasolina, trouxeram a reação imediata do setor produtivo e do principal idealizador do RenovaBio, a política nacional para o setor de bicombustíveis.“É preciso entender que o uso de biocombustíveis tem um efeito multiplicador em varias áreas do agronegócio. Defender o uso de (combustíveis) fósseis não é só estar desalinhado com o problema climático, como é contra a geração de renda para os próprio os brasileiros”, afirmou ao Money Times Miguel Ivan Lacerda Oliveira, ex-diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério das Minas e Energia (MME) e idealizador do RenovaBio.Segundo Oliveira, que também dirigiu o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) durante o governo de Jair Bolsonaro, a ampliação o uso de renováveis na matriz energética do País “é estratégica, traz renda e desenvolvimento regional e é uma plataforma de redução da dependência externa em caso de choques externos como guerras ou crises mundiais”.Em julho, uma resolução do CNPE elevou para 32% o porcentual obrigatório do anidro à gasolina por 180 dias, prorrogáveis por igual período. A medida foi tomada para mitigar os efeitos da alta do petróleo ocorrida após a guerra entre Estados Unidos e Irã e para favorecer a indústria brasileira, que reclamava dos preços pouco remuneradores e dos altos estoques.Na sua live semanal, nesta quinta-feira (21), Flávio Bolsonaro disse que a elevação de 30% para 32% do anidro à gasolina terá de ser discutida em seu eventual mandato como presidente e atacou o governo federal, comandado pelo seu adversário, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).“Vai comprar um rolo de papel higiênico, que era de 40 metros, hoje tem 36. Caixa de Bis, que vinha com 20, agora vem com 16. Dúzia de ovos passou a ter dez. A gasolina virou etanol. Nem o combustível esse governo tá poupando”, afirmou.ReaçãoA União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e outras entidades do setor do biocombustível divulgarão um comunicado conjunto ainda nesta sexta-feira (21) repudiando as falas de Flávio Bolsonaro.Dados da Unica divulgados em junho, quando a mistura do anidro ainda estava em 30%, apontavam que a elevação para 32% evitaria a importação de 450 milhões de litros de gasolina por ano.No seu plano de governo, divulgado há uma semana, o candidato do PL defendeu o aumento de investimentos na produção de biocombustíveis para manter o Brasil como protagonista global no mercado.Único candidato do agronegócio Na Agrishow deste ano, principalmente em eventos mais reservados do setor produtivo, ficou claro que a bandeira e a união do agronegócio giravam em torno de um único nome na corrida ao Planalto: Flávio Bolsonaro.Durante o AgroTalk Show 2026, o ex-presidente e atual secretário do Sindicato Rural de Ribeirão Preto (SP), Paulo Junqueira, apoiador declarado de Bolsonaro e cuja fazenda, no município paulista, recebeu diversas vezes o ex-presidente Jair Bolsonaro, reforçou o apoio a Flávio Bolsonaro como seu candidato ao Palácio do Planalto.Além disso, o advogado e produtor rural fez um apelo aos presentes no evento, que antecedeu a Agrishow 2026, para que priorizassem o uso de etanol em vez da gasolina. Segundo Junqueira, pagar mais caro pelo biocombustível seria justificável diante dos benefícios ambientais e do impacto positivo do etanol sobre a cadeia produtiva nacional.No mesmo evento, em abril deste ano, Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia e ex-secretário de Política Econômica no governo de Jair Bolsonaro, também defendeu a candidatura de Flávio Bolsonaro.“Vamos ganhar a eleição e, em um ano e meio, arrumamos o Brasil”, afirmou o ex-ministro, que, nesta semana, foi integrado à equipe de campanha do candidato do PL à Presidência.Sachsida também reforçou, na ocasião, a necessidade de aproximar mais a Faria Lima do agronegócio.Aliados em alertaAliados de Flávio Bolsonaro ouvidos pela reportagem classificaram o candidato como mal informado sobre a questão do biocombustível e, assim como representantes do setor, lamentaram as falas do senador. “Faltou alguém para explicar para ele entender”, disse um ex-ministro de Jair Bolsonaro a um interlocutor. “Faltou assessoria e bom senso”, reforçou.