A expansão coloca o país ao lado de mercados como a Malásia, Indonésia, Finlândia, Arábia Saudita, Filipinas, Dinamarca, Índia, Austrália e França, num movimento que traduz a crescente procura global por infraestruturas capazes de suportar a economia digital e, sobretudo, a rápida expansão da inteligência artificial.A região EMEA ganha particular expressão neste crescimento. Além de Portugal, quatro outros mercados europeus e do Médio Oriente integram os dez primeiros lugares. A Finlândia surge em terceiro, com um crescimento de 57%, a par da Arábia Saudita. A Dinamarca ocupa a sexta posição, com uma expansão de 38%, enquanto a França aparece em nono, com 28%.O crescimento, contudo, deve ser lido à luz da dimensão de cada mercado. A Savills sublinha que muitos destes países continuam a apresentar uma capacidade instalada relativamente reduzida quando comparados com os grandes polos mundiais. É precisamente essa menor escala que permite, em alguns casos, ritmos de expansão mais acelerados.Os Estados Unidos permanecem, por larga margem, o principal mercado mundial. O país dispõe de cerca de 50 GW de capacidade instalada e registou um crescimento de 19% desde 2024. A China surge logo depois, enquanto Japão, Reino Unido, Alemanha, Irlanda e Países Baixos continuam a concentrar uma parte significativa da infraestrutura global de data centres.Os mercados e um novo mapa energéticoNestes mercados mais maduros, porém, a expansão começa a encontrar obstáculos cada vez mais difíceis de contornar. O acesso à eletricidade tornou-se um dos principais constrangimentos à construção de novas instalações, a par dos custos, da disponibilidade de terrenos e de outras limitações associadas ao desenvolvimento de grandes infraestruturas.É neste novo mapa energético que os países nórdicos começam a ganhar particular relevância. A combinação entre eletricidade de baixo custo e origem renovável, temperaturas mais baixas — que favorecem a eficiência dos sistemas de arrefecimento — e disponibilidade física para grandes projetos está a transformar a região num dos destinos mais procurados para infraestruturas associadas à inteligência artificial.«Os países nórdicos, com destaque para a Finlândia, a Dinamarca e a Noruega, apresentam-se como uma das propostas de implementação mais evidentes a nível mundial», afirma Rupert Duckworth, Associate Director da área de EMEA Data Centre Advisory da Savills. Segundo o responsável, a região está a afirmar-se como um polo de desenvolvimento de grande escala orientado para a IA, com vários campus de grandes dimensões já em construção.Portugal procura agora posicionar-se nesse novo mapa global. A localização, a conectividade internacional e a existência de projetos de grande dimensão têm contribuído para aumentar a visibilidade do país junto de investidores e operadores internacionais.«Portugal ganhou uma enorme visibilidade junto dos grandes investidores e operadores mundiais de data centres», afirma Tiago Cortez, Associate Director de Industrial, Logistics & Data Centres da Savills Portugal. Para o responsável, os projetos já em curso e as novas intenções de investimento poderão colocar o país entre os principais destinos mundiais para grandes centros de dados.O crescimento português surge, assim, num momento em que a infraestrutura digital deixou de ser apenas uma questão tecnológica. Com a inteligência artificial a exigir quantidades crescentes de capacidade computacional, os data centres passaram a disputar os mesmos recursos que sustentam qualquer economia industrial: energia, território, água, redes e capacidade de ligação.A corrida hoje consubstancia-se essencialmente em encontrar os lugares onde será possível alimentar, arrefecer e ligar à rede a próxima geração de inteligência artificial. E Portugal começa a destacar-se nesse mapa.O conteúdo Portugal ganha terreno na corrida mundial pela infraestrutura da inteligência artificial aparece primeiro em Revista Líder.