Inadimplência do aluguel cai ao menor nível em 3 anos, mas melhora é desigual

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A inadimplência dos aluguéis voltou a cair em julho e atingiu o menor nível em três anos, mas o alívio ainda ocorre de forma desigual. A taxa nacional passou de 3,20% em junho para 3,05% em julho, com todas as regiões do país apresentando redução. A melhora, porém, não eliminou as principais dificuldades, que são os imóveis comerciais em contratos de menor valor, que continuam registrando índices bem superiores à média, conforme dados do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), da Superlógica.Entre os imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1 mil, por exemplo, a inadimplência recuou de 7,40% em junho para 7,27% em julho. Nos residenciais da mesma faixa, caiu de 6,27% para 5,99%. Ou seja, os segmentos mais vulneráveis também apresentaram melhora, mas continuam muito distantes do comportamento médio do mercado.A pesquisa da Superlógica é elaborada a partir de informações anônimas de mais de 800 mil locatários. O levantamento considera inadimplentes boletos que permanecem sem pagamento por mais de 60 dias ou que foram quitados com atraso superior a esse período.A redução de 0,15 ponto percentual entre junho e julho ganha relevância quando observada em uma perspectiva mais longa. Os 3,05% registrados em julho representam o menor índice desde junho de 2023, quando a taxa havia sido de 3,03%. Há um ano, em julho de 2025, a inadimplência estava em 3,76%, o que significa uma queda de 0,71 ponto percentual em 12 meses.O comportamento do primeiro semestre já indicava algum alívio. A inadimplência média ficou em 3,24% nos seis primeiros meses de 2026, abaixo dos 3,71% registrados na segunda metade de 2025 e também dos 3,30% observados no primeiro semestre do ano passado.Os resultados permitem falar em um movimento recente de melhora, mas ainda não em uma tendência consolidada. Para Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, o recuo representa um alívio para as famílias, embora seja necessário observar o comportamento dos próximos meses.“Em um cenário de juros ainda elevados e de pressão sobre o custo de vida, famílias com menor margem no orçamento tendem a sentir mais o impacto do aumento de despesas essenciais, como alimentação e transporte, o que pode reduzir a capacidade de absorver imprevistos e manter compromissos como o aluguel em dia. Por isso, é importante acompanhar a evolução desse recorte nos próximos meses”, disse.Pressão sobre pequenos negóciosA análise por faixa de preço revela que a melhora da média nacional não significa que todos os locatários estejam atravessando a mesma situação financeira. Nos imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1 mil, a inadimplência de 7,27% em julho continua sendo a maior entre as faixas pesquisadas e equivale a mais que o dobro dos 3,05% registrados pelo mercado como um todo.A queda diante dos 7,40% de junho mostra que a situação não está se agravando, mas revela uma resistência maior da inadimplência nesse segmento, mesmo em um momento de melhora geral. O comportamento pode ser particularmente relevante para pequenos negócios. Diferentemente de despesas que podem ser reduzidas quando o faturamento cai, o aluguel é um custo fixo que precisa continuar sendo pago independentemente do desempenho das vendas.No mercado residencial, a base também permanece mais pressionada. Entre os imóveis com aluguel de até R$ 1 mil, a taxa caiu de 6,27% em junho para 5,99% em julho. A redução de 0,28 ponto percentual foi superior à observada na média nacional, mas o índice ainda é quase duas vezes maior.O contraste fica evidente nas faixas intermediárias. Nos imóveis residenciais com aluguel entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, a inadimplência ficou em apenas 1,74%, a menor registrada nesse segmento. A leitura, portanto, poderia sugerir que quem paga os aluguéis mais baratos está melhorando, mas parte de uma situação financeira muito mais desfavorável.Leia Mais: Vai alugar sem fiador? Entenda as diferenças entre as garantias disponíveisImóveis comerciais resistem A evolução entre junho e julho também foi diferente conforme o tipo de imóvel. Nas casas, a inadimplência caiu de 3,45% para 3,29%, redução de 0,16 ponto percentual, praticamente acompanhando a melhora da média nacional. Já entre os apartamentos, a mudança foi pequena, de 2,16% para 2,14%. O mesmo ocorreu nos imóveis comerciais, onde a taxa passou de 4,19% para 4,17%.Assim, apesar do recuo nacional, o segmento comercial permanece como o de maior inadimplência entre os três tipos de imóveis analisados. Sua taxa de 4,17% é quase o dobro dos 2,14% registrados nos apartamentos.Os números também mostram que o problema não está exclusivamente na base do mercado. Nos contratos acima de R$ 13 mil, a inadimplência chegou a 4,84% nas casas, 4,55% nos imóveis comerciais e 3,58% nos apartamentos, segundo o recorte por faixa de preço apresentado pelo levantamento. Isso indica que as maiores dificuldades aparecem principalmente nos contratos de baixo valor, mas voltam a crescer em algumas faixas mais altas.Inadimplência cai nas cinco regiõesOutro sinal positivo de julho é que a queda não ficou concentrada em uma única parte do país. As cinco regiões registraram redução da inadimplência entre junho e julho. As maiores quedas ocorreram justamente onde os índices eram mais elevados.No Nordeste, a taxa passou de 5,15% para 4,88%, recuo de 0,27 ponto percentual. No Norte, caiu de 4,30% para 4,04%. O Centro-Oeste apresentou redução de 3% para 2,80%, enquanto o Sudeste passou de 2,96% para 2,78%. No Sul, onde a inadimplência já era a menor do país, houve uma queda mais discreta, de 2,71% para 2,67%.A melhora generalizada, entretanto, não alterou a geografia da inadimplência. Nordeste e Norte continuam apresentando as maiores taxas, enquanto Sul e Sudeste permanecem na outra ponta, como mostra o levantamento.A diferença não surgiu agora. No primeiro semestre, o Nordeste apresentou inadimplência média de 4,83%, seguido pelo Norte, com 4,33%. Centro-Oeste registrou 3,16%, Sudeste, 3,10%, e Sul, 2,69%.Fotografia do mercadoOs números de julho produzem, portanto, duas fotografias do mercado de locação. Na primeira, mais ampla, o cenário é favorável, indicando uma inadimplência em queda pelo segundo mês observado, alcançando o menor patamar em três anos e recuando nas cinco regiões.Na segunda, aparecem as diferenças. Pequenos negócios e locatários dos imóveis mais baratos continuam apresentando dificuldade muito maior para manter os pagamentos em dia, enquanto os imóveis comerciais registram inadimplência superior à dos residenciais.A avaliação do movimento para os próximos meses será importante para mostrar se julho representa a continuidade de uma melhora mais duradoura ou apenas uma fase favorável do indicador. Com juros e inflação ainda pressionando o orçamento, a queda da média é uma boa notícia, mas a distância entre os 3,05% do mercado como um todo e os 7,27% dos imóveis comerciais mais baratos mostra que o alívio ainda não chegou com a mesma intensidade a todos os locatários.The post Inadimplência do aluguel cai ao menor nível em 3 anos, mas melhora é desigual appeared first on InfoMoney.