O ponto que interessa: Lula sabia das atividades de Lulinha em Brasília?

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O jornalista André Shalders, colega de Metrópoles, publicou uma reportagem sobre mais um efeito do magnetismo animal de Lulinha.É sempre impressionante: bastava conhecer o rapaz, ainda que por interposta pessoa, a lobista Roberta Luchsinger, e uma empresa inexpressiva passava a gozar da razão da simpatia, do poder, do algo mais e da alegria junto ao governo do seu pai, multiplicando grandes contratos regados a dinheiro público.Na história levantada pelo jornalista, a empresa dedica-se a design e a coreografia. Faz pensar que pertence, sei lá, a uma sílfide esvoaçante, mas não.O seu dono é o senhor Marcelo Checon. Até Lula iniciar o seu terceiro mandato como presidente da República, a empresa MChecon tinha um único contrato com o governo federal, no valor de R$ 197 mil, assinado em 2022, durante a gestão de Jair Bolsonaro.O talento para o design e para a coregrafia de Marcelo Checon só foi devidamente reconhecido depois que o pai de Lulinha voltou ao Palácio do Planalto.De lá para cá, a empresa desse senhor fechou 13 contratos governamentais que totalizam R$ 63,4 milhões. Para quê? “Entre outros trabalhos, a empresa produziu a Casa Brasil em Belém, durante a COP30, no fim do ano passado, e a Casa Brasil em Paris, durante os Jogos Olímpicos de 2024”, relata André Shalders.Na vida real, segundo o jornalista, os R$ 63,4 milhões fechados no papel renderam R$ 84,2 milhões em pagamentos à MChecon Design e Coreografia. Leia também Milena TeixeiraAdvogado de Lulinha reage a pedido de investigação no MP da Espanha Milena TeixeiraEustáquio e advogado de Zambelli levam caso de Lulinha ao MP da Espanha BrasilJustiça preserva dados, mas não derruba vídeo de Flávio sobre Lulinha O nome de Marcelo Checon veio à tona porque Roberta Luchsinger afirmou, em mensagem obtida pela PF,  ter dito a Lulinha que a despesa mensal de R$ 100 mil com a casa alugada para ele em Brasília a impedia de continuar lhe proporcionando passagens aéreas internacionais.Contrariado, o filho do presidente da República teria respondido, de acordo com a lobista, que iria “ficar pedindo pro Cleber (Ribas) e para o Checon”. O primeiro é outro empresário alcançado pelo magnetismo animal de Lulinha.Naquele design e coreografia habituais, Lula afirma nunca ter tido conhecimento das intensas atividades de Lulinha e de Roberta Luchsinger em Brasília, mas fato é que o seu então chefe de gabinete, Marcola, funcionário de extrema confiança do chefão petista, recebia dinheiro da sócia do filho do presidente para abrir portas no governo federal.Mais: em 2024, a própria lobista afirmou a um interlocutor, em outra mensagem de WhatsApp obtida pela PF, que recusou um convite de Lula para integrar o governo, deixando claro que preferia continuar na sociedade com Lulinha e o indefectível Fernando Bittar.“Sabe, fui das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. Eu disse: onde eu tô. Na minha sociedade com Fábio (Lulinha) e Fernando (Bittar)”, escreveu literalmente Roberta Luchsinger.Repita-se: é preciso investigar se Lula sabia mesmo da sociedade oculta de Lulinha e do suposto tráfico de influência feito pelo rapaz— esse é o nome que se dá a magnetismo animal no Código Penal. Tudo o mais é secundário.