Belo Horizonte – Minas Gerais concentra quase uma em cada três barragens de mineração em situação de alerta ou emergência no Brasil. Das 87 estruturas classificadas nessas condições pela Agência Nacional de Mineração (ANM), 28 ficam no estado. Entre elas está a Serra Azul, em Itatiaiuçu, única barragem do país no Nível de Emergência 3, o mais grave previsto na legislação.Das 28 estruturas mineiras, seis estão em nível de alerta e 22 em emergência: 16 no nível 1, cinco no nível 2 e uma no nível 3. A classificação indica a necessidade de acompanhamento e medidas de segurança, mas não significa, por si só, que haverá rompimento.Histórico ruimO estado foi palco das duas maiores tragédias envolvendo barragens de mineração da história do país: em novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (região Central), matou 19 pessoas e deixou 32 feridos, além de provocar um desastre ambiental que atingiu toda a bacia do Rio Doce. Já em janeiro de 2019, o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (Grande BH), causou a morte de 272 pessoas e deixou centenas de atingidos, tornando-se a maior tragédia trabalhista do Brasil.Como funciona a classificaçãoNo país, existem 909 barragens de mineração cadastradas, mas só 467 estão enquadradas na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB). Em Minas, são 191. Na prática, elas fazem parte da PNSB porque, devido ao porte, às características ou à localização, precisam seguir regras mais rigorosas de fiscalização e monitoramento.Já os níveis de alerta e emergência funcionam como um termômetro de risco: o nível de alerta indica que a barragem precisa de acompanhamento mais próximo. Já os níveis de emergência (1, 2 e 3) apontam situações mais graves, que exigem medidas de segurança cada vez mais rigorosas.Em Minas, 28 barragens estão atualmente nessas condições: seis estão em nível de alerta e 22 em nível de emergência — sendo 16 no nível 1, cinco no nível 2 e uma no nível 3, o mais grave.Nível máximoA Barragem Serra Azul, da ArcelorMittal Brasil, em Itatiaiuçu, é a única estrutura do país classificada em Nível de Emergência 3, o mais alto previsto na legislação.A barragem entrou em situação de emergência em 2019, quando a ANM declarou Nível de Emergência 2, levando a empresa a acionar o Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM) e retirar os moradores da Zona de Autossalvamento (ZAS).Em maio de 2025, um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC 2) foi firmado entre o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a ArcelorMittal, representantes dos atingidos e a Prefeitura de Itatiaiuçu.O acordo previa a destinação de cerca de R$ 436,7 milhões para reparar os danos coletivos e difusos causados às comunidades de Pinheiros, Vieiras e Lagoa das Flores, afetadas pelo risco de rompimento da barragem.Das barragens de mineração de Minas Gerais listadas no documento, 12 são da Vale e tem estruturas que aparecem em situação de alerta ou emergência.Desse total, quatro estão em Nível de Emergência 2 (Forquilha I, Forquilha II, Forquilha III e Sul Superior), três em Nível de Emergência 1 (Barragem 7A, Pontal e Xingu) e cinco em Nível de Alerta (Dicão Leste, Forquilha IV, Barragem III, Norte/Laranjeiras e Sul Inferior).Medo constante e a “lama invisível”Segundo Guilherme Camponêz membro da Coordenação Estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens, os impactos para as comunidades começam já no nível 1 de emergência, quando são necessárias intervenções na barragem que alteram a rotina dos moradores. A partir do nível 2, porém, a legislação determina a retirada de todas as famílias da Zona de Autossalvamento (ZAS).“Além da evacuação de quem mora dentro da ZAS, toda a vizinhança passa a ter a circulação limitada. As pessoas não podem permanecer nos locais de ZAS e têm sua circulação limitada. “Segundo o movimento, o medo constante de um rompimento faz parte da rotina das comunidades afetadas e é chamado de “lama invisível”.“Em geral, as comunidades não possuem informações confiáveis sobre a estabilidade das barragens e são feitos sucessivos acordos de postergação do prazo de desativação delas. Vivem com medo constante de um possível rompimento que afeta saúde elevando casos de doenças mentais, passam por transtornos como ter que fazer treinamentos de evacuação, conviver com testes de sirenes, disparos acidentais de sirenes, que causam pânico e desorientação e inúmeras notícias falsas”, disse.Além disso, as atividades econômicas mudam a dinâmica. “Isso porque, com a saída de muitas pessoas das áreas de ZAS, a vida econômica dessas comunidades é severamente atingida. São perdidos laços econômicos de arrendamento, caseiros, feiras, trocas, produção de alimentos compartilhada. Em muitos casos, inclusive, a cadeia de turismo é danificada como em Macacos (Nova Lima). Além disso, os imóveis são desvalorizados porque ninguém mais quer residir em áreas próximas a zonas de emergências”, acrescentou.Segundo o movimento, as remoções também provocam a desestruturação das comunidades, já que muitas famílias deixam o local e não retornam.“São laços comunitários que não tem mais como ser reconstruídos. Esse dano aos modos de vida da comunidade muitas vezes geram aumento nos casos de depressão, abuso de álcool, o que gera inclusive o aumento de conflitos familiares”, disse. As remoções levam, também, ao fim de tradições como o congado, as cavalgadas e as feiras comunitárias.O outro ladoA reportagem procurou todas as empresas responsáveis pelas barragens — Emicon Mineração e Terraplenagem, Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Mineração Germinal, Green Metals Nova Era Soluções Ambientais, Extrativa Metalurgia e Mineração Santa Cruz — para comentar a situação das estruturas. O espaço permanece aberto para manifestação.Em nota, a Vale afirmou que todas as suas estruturas são monitoradas continuamente, que mantém obras e investimentos para reforçar a segurança e descaracterizar estruturas. Veja na íntegra “A Vale reforça que a segurança de suas estruturas geotécnicas é sua prioridade absoluta. Todas as barragens e diques da companhia são submetidos a rigorosos protocolos de gestão de risco, que incluem monitoramento contínuo, inspeções regulares em campo, auditorias independentes e avaliações técnicas permanentes.Como resultado dos investimentos e das medidas implementadas nos últimos anos, a Vale não possui atualmente nenhuma estrutura em nível 3 de emergência, o mais alto previsto pelos órgãos reguladores.As barragens Sul Superior, Xingu, Forquilhas I, II e III e os diques do Sistema Pontal integram o Programa de Descaracterização de Barragens a Montante da Vale e estão em fase de obras ou de preparação para sua execução. Todas são estruturas inativas e permanecem sob monitoramento ininterrupto pelo Centro de Monitoramento Geotécnico (CMG), que opera 24 horas por dia, sete dias por semana. Até o momento, a companhia já concluiu as obras de descaracterização de 19 das 30 estruturas contempladas pelo programa.As barragens Norte/Laranjeiras e 7A, por sua vez, não foram construídas pelo método de alteamento a montante, mas também vêm recebendo investimentos para aprimoramento de suas condições de segurança. No caso da barragem 7A, as obras de descaracterização foram concluídas em junho e, portanto, a estrutura deve ter sua descaracterização reconhecida pelos órgãos competentes e a consequente retirada de nível em breve. Já a barragem Norte/Laranjeiras teve seu nível de emergência encerrado pela Agência Nacional de Mineração (ANM) no início de 2026, após a conclusão de obras de reforço e a comprovação das condições de estabilidade das estruturas. As demais estruturas citadas – Dicão Leste, Forquilha IV, Barragem III e Sul Inferior – possuem Declaração de Condição de Estabilidade. A Vale segue atuando de forma transparente e em alinhamento com os órgãos fiscalizadores, mantendo investimentos contínuos em monitoramento, gestão de riscos, obras de engenharia e descaracterização de estruturas, sempre com foco na proteção das pessoas e do meio ambiente.”Em nota, a ArcelorMittal informou que a barragem Serra Azul está desativada desde 2012, é monitorada 24 horas por dia e passa por processo de descaracterização acompanhado pelos órgãos de controle. Veja na íntegra”A ArcelorMittal esclarece que a barragem da Mina de Serra Azul, localizada em Itatiaiuçu (MG), está desativada e não recebe rejeitos desde 2012. Todos os indicadores de segurança permanecem inalterados desde o acionamento do Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM), em fevereiro de 2019. A barragem conta com instrumentos de leitura automatizada e os indicadores são monitorados continuamente por técnicos no Centro de Monitoramento, 24 horas por dia, sete dias por semana. No local também foi instalada uma Estrutura de Contenção a Jusante (ECJ), projetada para reter todo o rejeito na hipótese de rompimento.A descaracterização da barragem foi iniciada em agosto do ano passado. O processo consiste na retirada de todo o material contido no interior e faz parte de um acordo firmado entre a ArcelorMittal e os órgãos públicos de controle e justiça (Agência Nacional de Mineração, Estado de Minas Gerais e Ministérios Públicos Federal e de Minas Gerais), que acompanham o seu cumprimento.”Em nota, a Morro Agudo Minerais informou que as barragens 1, 2 e 3 permanecem em Nível de Emergência 1, mas afirmou que a classificação ocorreu por pendências documentais e regulatórias e não por problemas nas estruturas. Segundo a empresa, as barragens estão estáveis, são monitoradas continuamente e não oferecem risco às comunidades próximas.A mineradora acrescentou que as estruturas não estão em operação de lavra e que uma Revisão de Inspeção de Segurança Extraordinária (RISE) será emitida ainda em agosto para subsidiar a análise dos órgãos competentes e uma possível retirada do nível de emergência ainda neste mês. Veja nota na íntegra “A Morro Agudo Minerais, no exercício de seu compromisso permanente com a segurança, a transparência e a estrita observância da legislaçãoaplicável, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos acerca da situação de suas estruturas de barragem. A Empresa confirma que as Barragens 1, 2 e 3 foram classificadas em Nível de Emergência 1, medida adotada em caráter estritamente preventivo, em conformidade com as determinações legais e regulatórias que disciplinam a segurança de barragens, notadamente a Lei no 14.066/2020 e a Resolução ANM no 95/2022.A classificação decorre exclusivamente de pendências de natureza documental, a serem apresentadas aos órgãos competentes dentro dos respectivos prazos, e não está associada a qualquer anormalidade, dano ou comprometimento das estruturas físicas das barragens. Trata-se de providência precaucional expressamente prevista na legislação de regência.A Empresa esclarece que não há risco às comunidades ou aos moradores das áreas próximas. As estruturas encontram-se estáveis e sob monitoramentocontínuo, sem qualquer anormalidade identificada. Conforme os resultados dos RIS/RISR do 1o ciclo de 2026, a Barragem B1 apresentou DCE positiva, enquanto as Barragens B2 e B3 apresentaram DCE negativa, classificações estas estabelecidas de forma conservadora e preventiva, não tendo sido identificadas evidências de comprometimento da integridade estrutural global das estruturas.Em decorrência das DCEs negativas das Barragens B2 e B3, foram elaborados, nos 30 dias subsequentes, planos de ação específicos para a Morro Agudo Minerais, contemplando as ações necessárias para evidenciar as condições de estabilidade e entrega documental. As ações previstas foram integralmente cumpridas, encontrando-se, atualmente, em elaboração a Revisão de Inspeção de Segurança Extraordinária (RISE) das estruturas, com o objetivo de avaliar as condições atuais e subsidiar a reversão das DCEs negativas para positivas.O acompanhamento das barragens é realizado de forma sistemática e contínua, contemplando inspeções visuais diárias, monitoramento dos instrumentos esistemas de controle com frequência semanal e avaliações mensais das condições de estabilidade das estruturas.Os trabalhos são conduzidos por profissionais qualificados, incluindo o Responsável Técnico pelas estruturas da Morro Agudo Minerais, com acompanhamento e avaliação técnica pela Engenheira de Registro (EOR), representadas pela consultoria especializada contratada da Morro Agudo Minerais (GBM Engenharia), incluindo o suporte às obrigações e interfaces junto aos órgãos reguladores estaduais e federais.A unidade dispõe, ainda, de estações de monitoramento automatizado, sistema de câmeras e sistema de sirenes, que complementam as rotinas de inspeção emonitoramento das estruturas, em atendimento às exigências aplicáveis.Em decorrência das DCEs negativas das Barragens B2 e B3, a Morro Agudo Minerais, em conjunto com a equipe técnica responsável e o EOR Engenheiro de Registro (GBM Engenharia), adotou as providências necessárias ao atendimento das recomendações e ao restabelecimento das condições de segurança das estruturas.Foram elaborados planos de ação específicos para as Barragens B2 e B3, contemplando medidas emergenciais, corretivas e de monitoramento, cujas ações foram integralmente cumpridas. Em decorrência do cumprimento das medidas estabelecidas, encontra-se em elaboração a Revisão de Inspeção de Segurança Extraordinária (RISE) das referidas estruturas, com o objetivo de subsidiar tecnicamente a reversão das DCEs negativas para positivas.No que se refere à Barragem B1, destaca-se que a estrutura não apresentou DCE negativa no 1o ciclo de 2026, tendo sua condição de estabilidade sido consideradapositiva pelo EOR, e não se encontrava em nível de emergência. Posteriormente, no mês de julho de 2026, a estrutura foi enquadrada em nível de emergência pela Agência Nacional de Mineração (ANM), para solicitação de informações técnicas e documentais.Em atendimento às solicitações da ANM, a Morro Agudo Minerais, com o suporte de sua equipe técnica e do EOR, está providenciando a compilação e apresentaçãodas informações e documentações requeridas, bem como as demais medidas necessárias, com o objetivo de subsidiar a análise do órgão regulador e promover a reversão do nível de emergência da Barragem B1, a qual de igual forma, destaca- se, não apresenta nenhum risco estrutural, sendo apenas pendência documenta.Esclarece-se que as estruturas não se encontram em operação de lavra: a Empresa não está realizando a extração ou movimentação de material nas barragens, limitando-se ao monitoramento diário das estruturas, tal como sempre procedeu, em observância à legislação e em prol da segurança.As Barragens 1, 2 e 3 permanecem, no momento, em Nível de Emergência 1, exclusivamente em razão de pendências documentais e regulatórias, cuja regularização vem sendo tratada junto aos órgãos competentes.No decorrer do presente mês de agosto de 2026, o EOR emitirá a Revisão de Inspeção de Segurança Extraordinária (RISE) das estruturas, contemplando a avaliação das condições atuais das barragens e a verificação das medidas adotadas para o atendimento às recomendações e pendências anteriormente identificadas.A emissão da RISE constituirá importante etapa para subsidiar a análise técnica pelos órgãos competentes e, uma vez reconhecido o atendimento às exigências aplicáveis, possibilitará a reversão das condições que determinaram a classificação em Nível de Emergência 1, com a consequente normalização da situação das estruturas.Esclarece-se, ainda, que as estruturas não se encontram em operação de lavra. A Empresa não está realizando atividades de extração ou movimentação de material nas barragens, mantendo-se exclusivamente as atividades de monitoramento, inspeção e acompanhamento das condições de segurança das estruturas, realizadas de forma contínua e em conformidade com os requisitos legais e normativos aplicáveis, tendo como prioridade a segurança das estruturas e das áreas potencialmente afetadas.Por fim, é importante destacar que a classificação em Nível de Emergência é comunicada pelo próprio Engenheiro de Registro (EOR), vinculado à consultoria independente contratada e remunerada pela própria Empresa.Vale dizer: em atendimento à legislação e por seu compromisso com a segurança e a estabilidade das estruturas, a Empresa custeia a auditoria e o monitoramento permanentes por consultoria especializada, a qual, ao identificar qualquer pendência ou desconformidade, promove a elevação do nível de emergência como medida de transparência e precaução.No presente caso, o Nível de Emergência 1 foi adotado exclusivamente em razão de pendências documentais que demandavam esclarecimento e cuja regularização não seria possível dentro do prazo determinado pela legislação.Diante disso, procedeu-se à classificação e, de imediato, à adoção das providências necessárias à sua regularização, com vistas à desclassificação das estruturas, o que se espera concretizar possivelmente ainda no presente mês.A Morro Agudo Mineirais LTDA. reafirma seu compromisso com a segurança de suas operações e com a tranquilidade das comunidades. Não há qualquer risco às estruturas, às operações ou às comunidades.Todas as questões relacionadas às barragens são acompanhadas de forma séria, permanente e diária por profissionais qualificados, permanecendo a Empresa integralmente à disposição dos órgãos reguladores e da população para os esclarecimentos que se fizerem necessários.”Em nota enviada por e-mail em 20 de julho, a Topázio Imperial Mineração Comércio e Indústria Ltda, informou que a solicitação da reportagem foi encaminhada às equipes técnicas responsáveis pela Barragem Água Fria para levantamento e validação das informações.A empresa afirmou que enviará um posicionamento oficial sobre a situação da estrutura, as medidas de monitoramento e segurança e eventuais atualizações até a próxima segunda-feira (27/7). A reportagem será atualizada assim que a resposta for encaminhada.Em nota, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) afirmou que mantém monitoramento contínuo das barragens da Unidade em Descomissionamento de Caldas (UDC) e que os níveis indicados pela ANM não representam, necessariamente, instabilidade estrutural ou risco iminente. A empresa detalhou a situação das barragens D4, Nestor Figueiredo (BNF) e de Rejeitos (BAR), além das medidas de adequação às normas da ANM que estão em andamento. Leia a nota na íntegra:A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) informa que mantém monitoramento contínuo das estruturas, com inspeções, acompanhamento técnico, controle das condições de segurança e comunicação com os órgãos reguladores.As estruturas possuem características próprias, histórico técnico específico e medidas de adequação em andamento, e não apresentam, necessariamente, condição de instabilidade estrutural ou risco iminente. Veja na íntegra”Com relação às barragens da Unidade em Descomissionamento de Caldas – UDC e os níveis indicados no relatório da Agência Nacional de Mineração (ANM), a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) informa que mantém monitoramento contínuo das estruturas, com inspeções, acompanhamento técnico, controle das condições de segurança e comunicação com os órgãos reguladores.As estruturas possuem características próprias, histórico técnico específico e medidas de adequação em andamento, e não apresentam, necessariamente, condição de instabilidade estrutural ou risco iminente.É importante destacar que a ANM passou a regular e fiscalizar as estruturas de mineração das unidades da INB após a promulgação da lei 14.514 de dezembro de 2022, o que levou a INB a promover a adequação das estruturas aos requisitos legais e normativos específicos aplicados pelo órgão regulador. Até então, as estruturas estavam sujeitas à fiscalização da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), hoje substituída pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), cujos requisitos normativos são distintos daqueles estabelecidos pela ANM.A Barragem D4 foi originalmente concebida como uma bacia de decantação, sendo classificada como barragem de mineração em 2023. Desde então, foram realizados diversos estudos, incluindo campanhas de sondagens, investigações de campo e análises geológico-geotécnicas. A partir desses levantamentos, foi elaborado o projeto básico de adequação do barramento, com o objetivo de atender à normativa da ANM. Atualmente, encontra-se em fase de licitação a contratação do projeto executivo e da execução das obras, medidas que subsidiarão a reavaliação do atual nível de emergência pelos órgãos competentes.Em relação à Barragem Nestor Figueiredo (BNF), é importante destacar que se trata de uma estrutura de pequeno porte, que somente foi classificada como barragem pela ANM em razão da presença de sedimentos acumulados em seu reservatório. Após essa classificação, a INB realizou a remoção e transporte de todo o sedimento contido em seu interior, além de manter a estrutura permanentemente vazia. Para sua regularização perante a legislação da ANM, será necessária uma obra de adequação. Após a realização de uma campanha de investigações geológico-geotécnicas, o projeto básico está em desenvolvimento, tratando-se de intervenção de pequeno porte.Sobre a Barragem de Rejeitos – BAR, a INB esclarece que a estrutura atende aos requisitos de fator de segurança geotécnico e de segurança hidrológica, não estando enquadrada em nenhum nível de emergência. Em razão de novas exigências normativas, tornou-se necessária a implantação de um sistema de alerta e a realização de adequações complementares no plano, requisitos ainda em processo de atendimento e que resultaram na emissão de Declaração de Conformidade e Operacionalidade (DCO) negativa perante a ANM. O sistema de alerta da Barragem de Rejeitos encontra-se atualmente em fase de contratação. Ressalta-se que esse nível de alerta não possui relação com a condição estrutural ou com a segurança hidrológica da barragem.A INB reforça que segue trabalhando nas ações de adequação e melhoria contínua, visando atender integralmente às exigências legais e reforçar ainda mais a segurança e a estabilidade das estruturas sob sua responsabilidade.”