O deputado estadual André do Premium (União Brasil-GO) está sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) por suspeita de transferir dois supermercados para nome de “laranjas”, além de registrar as empresas em lotes baldios e em locais onde funcionam órgãos públicos para esconder bens e supostamente evitar o pagamento de dívidas.As empresas registradas são a Premium Comércio de Alimentos Ltda., que foi ativa entre 2015 e 2022 em Senador Canedo (GO), e a Atacadão Premium Comércio de Alimentos Ltda, empresa ativa desde 2022, em Santo Antônio do Descoberto, no Entorno do DF. Juntas, as empresas acumulam uma dívida fiscal de mais de R$ 24,6 milhões.As investigações do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de Goiás (CIRA-GO) apontam também que os estabelecimentos estariam em nome de Shaiane Ferreira Ferraz e Giulene Pereira da Silva. O relatório aponta que as duas mulheres não possuíam capacidade financeira ou gerencial para dirigir as empresas e que seriam utilizadas como “laranjas”. Leia também BrasilPaulinho da Força dirá a Dino que indicou emendas como deputado Minas GeraisDário 4e20 está de volta e “acende” campanha para deputado em MG Grande AngularEx-deputado que negou palanque com Bolsonaro pede perdão a Michelle O padrão de vida das envolvidas ainda será investigado, mas o Metrópoles apurou que Shaiane aparece como beneficiária de um programa de aluguel social do Estado de Goiás mesmo figurando como dona de uma das empresas com capital social de R$ 100 mil.A denúncia anônima, feita em 2024, que motivou a abertura das investigações alega que o endereço registrado em Senador Canedo fica em um local onde tem um terreno baldio com mato alto e o endereço registrado no nome de Shaiane seria num local onde funciona a Saneamento de Goiás S.A (Saneago), empresa responsável pelo serviço de água e esgoto em Goiás.A testemunha disse ainda ter encontrado Giulene Pereira em um endereço em Santa Maria (DF), mas o noivo da mulher teria dito que é “impossível” ela ser “dona” pelo fato dela não ter recursos financeiros suficientes.Como as suspeitas envolvem a atuação empresarial privada de André do Premium e não têm relação direta com o mandato na Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) mandou o caso para a Justiça comum, na Comarca de Goiânia. No último dia 8 de agosto, o juiz André Nacagami determinou que a investigação seja feita Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT)Agora, a Polícia Civil vai abrir um inquérito policial para destrinchar a movimentação financeira, analisar o padrão de vida dos envolvidos e intimar o deputado e os gerentes a prestarem esclarecimentos.Quem é André do PremiumAndré Luiz Gomes Gontijo, amplamente conhecido como André do Premium, é deputado estadual em Goiás, com base eleitoral focada principalmente na região do Entorno do Distrito Federal e no município de Santo Antônio do Descoberto, cidade onde construiu sua base política e de onde obteve a grande maioria dos votos que o elegeram para o seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Estado (Alego).3 imagensFechar modal.1 de 3Deputado André do Premium confessou ameaçar jornalista Redes Sociais/Reprodução2 de 3Deputado é casado com prefeita de Santo Antônio do DescobertoRedes Sociais/Reprodução3 de 3Redes Sociais/ReproduçãoEm meio à investigação, André ganhou notoriedade por ser dono do Atacadão Premium e até por isso usa o nome do mercado como seu nome de guerra na política. O deputado é casado com a prefeita de Santo Antônio do Descoberto, Jéssica do Premium (União Brasil-GO).O deputado está concorrendo à reeleição como deputado estadual. André declarou ao Tribunal Superior Eleitoral duas casas e 12 carros que somam valor total R$ 2,3 milhões.Em maio do ano passado, o Metrópoles mostrou que André do Premium chegou a ameaçar o jornalista Ronaldo Chaves. Em mensagens, o deputado falou que iria para cima do jornalista “com gás ou veneno”.“Faça mais uma matéria, só mais uma”, disse o parlamentar na troca de mensagens. O parlamentar confessou as ameaças à época, mas disse não ter feito nada contra o jornalista.O outro ladoAndré do Premium foi procurado para se manifestar sobre a investigação contra ele, mas até o fechamento desta matéria não se pronunciou. Acusadas de serem laranjas, Shaiane e Giulene não tiveram suas defesas encontradas pela reportagem. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.