O Pix vai ampliar de 30 para 80 dias o prazo para contestar transferências fraudulentas. A mudança começa em 1º de setembro e busca ajudar quem demora a descobrir que foi vítima de um golpe.Outra alteração, já em andamento, amplia o rastreamento do dinheiro depois que uma fraude é identificada. A intenção é acompanhar o valor mesmo quando ele passa por várias contas.Uma mudança no Pix tenta seguir o dinheiro mesmo quando ele passa de uma conta para outra. – Imagem: Siker Stock / ShutterstockPrazo para contestar sobe para 80 diasA principal mudança para o usuário começa em 1º de setembro. Até então, havia 30 dias para contestar uma transferência fraudulenta. O período passará para 80 dias.A ideia é considerar casos em que a vítima não percebe imediatamente a fraude. O alerta pode surgir dias depois, inclusive por meio de outra pessoa. O prazo maior também dá aos bancos mais tempo para localizar o dinheiro e tentar recuperá-lo.Dinheiro poderá ser seguido por várias contasA outra mudança acontece nos bastidores. Desde 10 de agosto, os bancos passaram a rastrear de forma mais ampla os valores movimentados por Pix após uma sinalização de fraude.O sistema usa uma marcação associada à transação. Se o dinheiro sair de uma conta e passar por outras, essa identificação acompanha o valor.a fraude é sinalizada ao banco;a transação recebe uma marcação;o dinheiro pode ser acompanhado em novas contas;o caminho percorrido pelos valores pode ser identificado;o rastreamento ajuda na tentativa de recuperação do dinheiro.A ampliação está relacionada ao MED 2.0, segunda versão do Mecanismo Especial de Devolução. Antes, o sistema mapeava apenas a primeira conta que recebia o dinheiro.Golpe do Pix duplo acende alerta para pequenos comerciantesA mudança também visa combater uma fraude recorrente que vem prejudicando lojistas e pequenos empresários: o abuso do Mecanismo Especial de Devolução (MED). Conhecido como “golpe do MED”, o esquema faz com que a vítima perca o dinheiro duas vezes na mesma transação.A fraude funciona em três etapas simples:O falso engano: O criminoso entra em contato com o comerciante fingindo ser um cliente que fez um Pix por engano e pede o dinheiro de volta.A devolução direta: O lojista confere o saldo, vê o valor na conta e, de boa-fé, faz um novo Pix para devolver o montante.A jogada dupla: Logo após receber a transferência manual do comerciante, o golpista aciona o sistema oficial do banco (o MED) alegando ter sido vítima de fraude na primeira transação.Como resultado, o banco bloqueia e devolve o valor original ao golpista, enquanto a transferência feita pelo comerciante continua garantida na conta do criminoso — deixando o empresário com o prejuízo dobrado.Se o dinheiro passa por várias contas, a nova marcação do Pix pode ajudar os bancos a acompanhar esse caminho. Imagem: Layse Ventura via Gemini / Olhar DigitalRastreamento não elimina todos os riscosDepois de receber o dinheiro, o golpista pode distribuí-lo entre várias contas, dificultando a investigação. A marcação permite acompanhar essa sequência e tentar identificar as contas usadas na movimentação.Leia mais:Pix reduz tempo de reação dos bancos e aumenta papel da IA contra fraudesPix pode atravessar fronteiras em novo passo do Banco CentralGolpes com IA usam voz e rosto de vítimas como uma máscara, mostra estudoHá um limite, porém. Se o criminoso sacar o dinheiro, o rastreamento pode chegar a um “beco sem saída”.As mudanças ampliam o tempo para denunciar uma fraude e tornam mais abrangente a busca pelo dinheiro depois que um golpe é identificado.O post Pix amplia rastreio de fraudes para seguir dinheiro entre contas apareceu primeiro em Olhar Digital.