O Nubank (NU;ROXO34) passou por uma enxurrada de notícias nada positivas para a ação. De aumento na inadimplência à troca de executivos, com a saída do CFO Guilherme Lago.O resultado foi um tombo que chegou a 35%. Passada a tempestade, porém, investidores podem colher bons frutos do roxinho, pelo menos na visão do Bradesco BBI.Os analistas elevaram o preço-alvo do BDR de R$ 14,50 para R$ 15,50, potencial de alta de 20%. Segundo o banco, a conta é simples: a cautela com o papel já está precificada.Mais do que isso, o BBI também aumentou as projeções de lucro antes de impostos em 4,6% para 2026 e 4,3% para 2027, enquanto as estimativas de lucro líquido avançaram 3,4% e 4,3%, para US$ 4,2 bilhões e US$ 5,3 bilhões, respectivamente.Não custa lembrar que o banco vem de um resultado bem recebido por analistas, com números acima do esperado, o que fez o papel disparar mais de 12% somente na sessão pós-balanço.De qualquer forma, nos cálculos do BBI, o Nubank negocia a 13,8 vezes o lucro estimado para 2027, abaixo da média histórica de 21 vezes. Ou seja, mesmo considerando as provisões maiores e a piora da qualidade de crédito, a ação segue barata.Nubank: forcinha do governoOutro fator que joga a favor do Nubank é o Desenrola, embora os analistas notem uma intensidade menor que no trimestre anterior, diante da desaceleração dos volumes em julho e agosto e do encerramento do programa nesta semana.“Estimamos que aproximadamente US$ 150 milhões em créditos renegociados no 2T26 tenham elevado em cerca de 4 p.p. a formação de créditos classificados no estágio 3, aumentado em 1 p.p. o índice do estágio 3 e contribuído com aproximadamente US$ 160 milhões para as recuperações.”Para o terceiro trimestre, o BBI projeta aproximadamente R$ 350 milhões em novas operações relacionadas ao Desenrola, abaixo dos cerca de R$ 800 milhões do 2T26, com benefício estimado de US$ 37 milhões sobre o custo de risco líquido.O próprio Nubank indicou que cerca de quatro quintos do impacto esperado do programa já foram reconhecidos no segundo trimestre, ficando a parcela restante para o trimestre atual.“Além do benefício residual do Desenrola no 3T26, possíveis avanços na expansão do Nubank no México, os primeiros indicadores da operação nos Estados Unidos e uma aceleração do crédito consignado privado representam riscos positivos para as estimativas, especialmente em 2027 e 2028.”