A BrasilAgro (AGRO3) deve apresentar resultados fracos no quarto trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em junho, segundo prévia do Itaú BBA. Para o banco, porém, os números do período tendem a ficar em segundo plano diante das primeiras projeções da companhia para a safra 2026/27.O Itaú BBA projeta um Ebitda ajustado de R$ 56 milhões no 4T26, levando o indicador a aproximadamente R$ 100 milhões no acumulado do ano fiscal. O resultado deve combinar um desempenho sólido das operações de grãos com contribuições mais fracas da cana-de-açúcar e a ausência de vendas de fazendas.Apesar da expectativa de um balanço morno, o banco avalia que a fraqueza do ano já está refletida no preço das ações. O Itaú BBA conta com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 24 para a ação, o que implica potencial de valorização de 25,8% ante a cotação de R$ 19,08 considerada no relatório. new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "AGRO3", "AGRO3" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "a996f1a"} ); “O guidance para o próximo ano-safra será o principal fator para a tese”, afirmam os analistas Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama.Soja deve sustentar o trimestreNo segmento de grãos, o banco não espera grandes surpresas. A soja deve representar a principal contribuição no período, apoiada pelo crescimento dos volumes vendidos na comparação anual e pelo avanço da comercialização em direção ao volume produzido.A avaliação é menos favorável para a cana-de-açúcar. O Itaú BBA reduziu suas estimativas para o segmento diante do ritmo mais lento de moagem observado ao longo da safra, movimento que também apareceu nos resultados de outras empresas do setor.Parte desse impacto ainda pode ser transferida para os próximos trimestres, dependendo da evolução da colheita. Por isso, os analistas esperam que os investidores concentrem as atenções nas premissas de produção, na definição do mix de culturas e nos riscos climáticos para os próximos meses.As despesas operacionais mais elevadas também devem pressionar as margens, refletindo o aumento dos custos de frete e das despesas de carregamento. Além disso, os juros ainda elevados devem manter as despesas financeiras como um obstáculo aos resultados.Vendas de fazendas perdem protagonismoA ausência de vendas de propriedades no trimestre não deve surpreender o mercado, segundo o Itaú BBA. O volume de transações com terras desacelerou de maneira relevante em toda a indústria diante dos juros altos e de uma postura mais cautelosa na alocação de capital.Na visão do banco, esse movimento deve ser encarado como um ajuste saudável, e não como uma preocupação estrutural para o modelo de negócios da BrasilAgro.Leia também: BrasilAgro (AGRO3) está ‘sempre pronta’ para um negócio imperdível: ‘Estamos mais compradores do que vendedores’Embora as vendas de terras sejam uma parte importante da estratégia da companhia, o tema provavelmente receberá menos atenção dos investidores do que nos trimestres anteriores.Safra 2026/27 vira o principal gatilhoMais do que os números do 4T26, o Itaú BBA considera que as primeiras indicações para a safra 2026/27 serão determinantes para as ações da BrasilAgro.O mercado deve acompanhar especialmente as projeções de produção, as decisões sobre o mix de culturas e os possíveis impactos do El Niño nas principais regiões em que a empresa opera.O banco destaca que o histórico de execução da administração oferece à BrasilAgro uma proteção maior para atravessar um ambiente operacional mais volátil. Ainda assim, enquanto não houver clareza sobre a intensidade dos efeitos climáticos, muitos investidores podem preferir permanecer de fora da ação.Outro ponto de atenção será a estratégia comercial da companhia. A recuperação recente dos preços do algodão, acompanhada por ganhos mais moderados da soja, aumenta a importância das decisões de comercialização e hedge.Os investidores devem procurar sinais de que a BrasilAgro está aproveitando o movimento para garantir preços mais favoráveis para a próxima colheita. A combinação entre melhores preços de venda e uma compra eficiente de insumos pode favorecer a recuperação dos resultados e das margens no ano fiscal de 2027.A BrasilAgro divulga seus próximos resultados, referentes ao quarto trimestre da safra 2025/2026 (4T26), em 3 de setembro de 2026.