Reportagem publicada pelo jornal Clarin (Foto: Reprodução)O presidente da Argentina, Javier Milei, não pretende fazer mudanças relevantes em seu programa econômico, apesar da crescente preocupação entre empresários, economistas e integrantes do próprio entorno do governo com o desempenho da atividade e o ambiente político antes da eleição presidencial de 2027.A avaliação aparece em uma apuração publicada pelo jornal argentino Clarín, assinada pelo jornalista Santiago Fioriti, que relata conversas privadas do presidente e de pessoas com acesso à residência oficial de Olivos.Segundo o jornal, interlocutores que tentaram discutir ajustes ou mesmo pequenas mudanças de abordagem encontraram resistência de Milei. A reportagem afirma que o presidente reage de forma intensa às críticas ao modelo e, em um dos casos relatados, continuou por WhatsApp uma discussão iniciada presencialmente, enviando argumentos e estatísticas após o fim da reunião.Ainda de acordo com a apuração, Milei interpreta parte das críticas como uma tentativa coordenada de desgastar seu governo antes da próxima disputa presidencial. O presidente considera que setores da sociedade e do empresariado não reconhecem a dimensão da situação econômica herdada em dezembro de 2023 nem os resultados que atribui ao seu programa de estabilização.Leia tambémO que falta para crescimento da Argentina? Para analistas, recuperação segue frágilMesmo com comércio exterior e disciplina fiscal, mercado de trabalho e demanda ainda parecem fracosEconomia cresce menos e inflação segue pressionadaA resistência a alterações ocorre em um momento de desaceleração de alguns indicadores econômicos destacados pelo Clarín. Segundo dados do Indec citados pelo jornal, a atividade econômica argentina cresceu 1,9% no primeiro semestre de 2026, ritmo inferior ao registrado no ano anterior.A inflação acumulada nos primeiros 6 meses do ano chegou a 19,3%, acima dos 17,3% observados no mesmo período de 2025. O resultado refletiu, principalmente, aumentos de preços mais fortes que o esperado no primeiro trimestre.Leia também:Perdas de empregos são a maior ameaça para Milei na Argentina, dizem especialistasAlberto Fernández chama Milei de “delirante” e questiona sua “condição psiquiátrica”O jornal também afirma que Milei dizia a integrantes de seu governo, no fim de 2025, que a economia cresceria pelo menos 6% em 2026. A informação é atribuída pela reportagem a conversas internas e não a uma previsão pública formal do governo.Outros indicadores citados pelo Clarín reforçam as preocupações com a economia voltada ao mercado doméstico. A consultoria Equilibra apontou queda mensal de 0,5% e anual de 6,9% na renda registrada de 14,5 milhões de pessoas em junho.Já a Associação de Industriais Metalúrgicos da República Argentina, a Adimra, registrou em julho a 20ª contração mensal consecutiva do setor, com recuo de 4,4% na comparação anual. O consumo de massa, segundo dados da Scentia reproduzidos pelo jornal, acumula retração de 2,9% em 2026.Ao mesmo tempo, setores como agronegócio, mineração e energia apresentam desempenho mais favorável, mas, segundo a análise publicada pelo Clarín, ainda não compensam as dificuldades enfrentadas pelas empresas mais dependentes do consumo interno.Governo mantém estratégiaA apuração indica que pessoas próximas a Milei não esperam uma mudança de direção. Um consultor influente da La Libertad Avanza, ouvido pelo jornal sem identificação, afirmou que o presidente está convencido de que não existe caminho alternativo nem atalhos para o programa atual.Outro interlocutor próximo resumiu ao Clarín a disposição presidencial afirmando que “Milei vai ser Milei até o último dia”.O presidente também mantém apoio a integrantes de sua equipe econômica, entre eles Federico Sturzenegger, mesmo diante de críticas internas relatadas pelo jornal.A postura ocorre enquanto cresce a atenção do empresariado argentino sobre o cenário até a eleição de 2027. Segundo o Clarín, parte desse grupo deixou de discutir apenas as chances de reeleição de Milei e passou a avaliar como a Argentina chegará à disputa presidencial diante do atual ambiente econômico e político.No campo oposicionista, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, já se movimenta em torno de uma eventual candidatura presidencial. O jornal também relata movimentações de nomes de fora da política tradicional, embora ainda sem anúncios formais de candidaturas.The post “Milei vai ser Milei”: presidente argentino resiste a mudar plano econômico appeared first on InfoMoney.