Um drone totalmente guiado por inteligência artificial teria matado três pessoas na cidade de Zaporizhzhia, na Ucrânia, durante um ataque enviado pela Rússia, conforme revelou o The New York Times na segunda-feira (24). Este pode ser um dos primeiros casos documentados de óbitos causados por aeronaves autônomas.A ação militar envolvendo um drone equipado com o minicomputador Jetson Orin da Nvidia aconteceu no último dia 6 de julho. O dispositivo foi programado para ir até um posto de combustível na cidade ucraniana, segundo a análise de destroços recuperados pelas Forças Armadas de Kiev, mas a decisão de atacar o alvo não envolveu intervenção humana.IA escolheu alvos e deu ordem para o ataqueDe acordo com a reportagem, operadores humanos pré-programaram a aeronave não tripulada para se deslocar até o local escolhido. Além disso, o sistema alimentado por IA foi treinado para reconhecer certos tipos de objetos por meio da análise de imagens das câmeras do equipamento.A investigação acredita que a tecnologia identificou os tanques de propano do posto como alvo e tomou a decisão de atacá-los por conta própria;Em seguida, o drone mergulhou em direção ao estabelecimento, causando uma forte explosão ao ser detonado antes de alcançar os alvos, espalhando estilhaços por toda a área;Um grupo de pessoas que procurava abrigo em um prédio próximo, para se proteger após ouvir explosões anteriores causadas por outras aeronaves, foi atingido pelos destroços;No incidente, uma jovem de 19 anos morreu no local, enquanto uma pessoa de 41 anos e outro de 48 morreram momentos depois, no hospital, em decorrência dos ferimentos, conforme o jornal.O ataque pode ser o primeiro registrado com drones militares agindo por conta própria. (Imagem: onurdongel/Getty Images)Militares ucranianos afirmaram que o drone russo não possuía antenas para comunicação com operadores humanos, permitindo o controle à distância. Este é um dos indícios destacados pelos investigadores de que a aeronave era gerenciada autonomamente pela IA.Relatos sobre ataques com aeronaves usando IA por tropas russas e ucranianas surgem com frequência. No entanto, os sistemas registrados até então eram menos complexos, exigindo que um operador humano tomasse a decisão em relação à escolha do alvo.Chip não é vendido diretamente à RússiaProcurada pela publicação, a Nvidia confirmou que os chips encontrados junto aos destroços dos drones são os modelos fabricados por ela. Porém, a gigante dos semicondutores ressaltou que não vende o componente para o mercado russo.A big tech destacou que o Jetson Orin é destinado a estudantes, desenvolvedores e startups, atendendo a uma ampla gama de aplicações. A empresa acredita que a Rússia tenha acesso ao equipamento por meio de revendedores.Várias entidades criticam o uso de armas autônomas com a IA, mencionando os riscos relacionados à tecnologia. A ONU é uma delas e tenta regular a categoria.