Juros dos EUA mais elevados impactam mercados emergentes, mas não precisam ser lidos como negativos; entenda

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O UBS GWM segue com visão construtiva sobre as ações de mercados emergentes (EM) e mantém o preço-alvo para junho de 2027 em 1.920 pontos para o MSCI Emerging Markets Index.“Nossa visão é sustentada por um sólido momentum de lucros, um cenário macroeconômico resiliente, a continuidade da demanda relacionada à inteligência artificial (IA) e uma melhora na amplitude do mercado. A correção observada nas últimas semanas também melhorou o conjunto de oportunidades em ações de mercados emergentes”, afirma o UBS.Na avaliação do banco, as taxas de juros mais altas nos países desenvolvidos estão de volta ao centro do debate do mercado. No entanto, os rendimentos mais elevados não implicam automaticamente em um efeito negativo para os mercados emergentes. Ainda assim, o UBS considera que um conjunto de fatores pode tornar essa classe de ativos mais resiliente aos juros norte-americanos e às condições de financiamento externo do que no passado, incluindo crescimento estruturalmente maior dos lucros, mercados de capitais mais profundos, estruturas fiscais aprimoradas e uma composição diferente dos índices. “A força dos lucros continua sendo o principal colchão de proteção. O crescimento estrutural de tecnologia, a ampliação do momentum dos lucros e valuations justos devem ajudar as ações de mercados emergentes a absorver uma alta ordenada dos juros”, diz o banco.Dólar entra na contraPara o UBS GWM, as ações de mercados emergentes historicamente apresentaram uma relação mais forte com a força ampla do dólar do que com as mudanças nos juros nominais norte-americanos.“Isso sugere que a composição do movimento dos juros é mais importante do que a simples variação do Treasury de 10 anos“, explica o banco.O dólar é, portanto, um importante canal de transmissão, enquanto os lucros continuam sendo o principal fator determinante dos retornos das ações de mercados emergentes, avalia o UBS.Os diferentes regimes de dólar e juros reais ilustram esse ponto. De acordo com o banco, nos últimos 10 anos, as ações de mercados emergentes apresentaram um retorno mensal médio de +2,3% quando os juros reais norte-americanos (TIPS) subiram, mas o dólar (índice DXY) caiu, em comparação com -2,4% quando tanto o dólar quanto os juros reais subiram.“Portanto, historicamente, as ações de mercados emergentes têm conseguido absorver melhor juros reais mais altos quando o dólar permanece estável ou enfraquece”, afirma.Seletividade entre emergentesOs períodos recentes de forte alta dos juros do Treasury norte-americano de 10 anos produziram resultados diferentes entre os mercados emergentes.“Nos dois últimos episódios de choque nos juros, China e Taiwan foram relativamente resilientes, enquanto Coreia do Sul, ASEAN e mercados latino-americanos apresentaram desempenho inferior de forma mais consistente”, observa o UBS.Na avaliação do banco, isso sugere que a vulnerabilidade a juros mais altos é específica de cada mercado e depende não apenas das taxas norte-americanas, mas também do dólar, do momentum dos lucros, da composição do mercado e dos fundamentos locais.De acordo com a análise do UBS, os mercados com maior exposição ao dólar e aos juros reais provavelmente sofrerão maior pressão caso os juros continuem subindo, especialmente quando esse movimento for acompanhado por uma valorização do dólar.“Por outro lado, mercados com lucros mais resilientes, valuations atrativos, demanda doméstica forte e menor dependência de financiamento externo em dólar podem estar mais bem posicionados para absorver juros mais altos”, considera.Diante desse cenário, o UBS avalia que isso favorece uma abordagem seletiva dentro dos mercados emergentes.Por dentro dos mercadosReceba gratuitamente as newsletters do Money TimesOBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.