Anthropic lança padrão para conectar IA a equipamentos físicos

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A Anthropic deu o primeiro passo em direção à chamada inteligência artificial (IA) física com o lançamento de um padrão para conectar modelos de linguagem a equipamentos do mundo real. O Modelo de Hardware Padrão (MHS, na sigla em inglês) foi apresentado na quinta-feira, 27, como uma prévia de pesquisa e permite integrar sistemas como o Claude a máquinas industriais, microscópios e outros dispositivos.Segundo a Anthropic, o objetivo é reduzir o tempo necessário para incorporar IA a equipamentos. Em vez de projetos personalizados que podem levar “semanas, senão meses”, empresas poderiam fazer a integração em “horas ou minutos”, afirmou a companhia. A tecnologia também permitiria a criação de fluxos de trabalho autônomos, especialmente em áreas como pesquisa científica e manufatura.Padrão busca conectar diferentes equipamentosO MHS funciona como uma interface comum para que equipamentos possam receber comandos de modelos de linguagem e também se comunicar entre si. Um dispositivo poderia, por exemplo, entender um comando como “ler” e executá-lo, permitindo que diferentes máquinas participem de uma mesma operação automatizada. O sistema é baseado no Model Context Protocol (MCP), padrão aberto lançado pela Anthropic em 2024 para conectar modelos de IA a fontes de dados e softwares.Segundo Alek Kemeny, integrante da equipe técnica da Anthropic, o MCP funciona “como uma espécie de USB para a conexão entre IA e software”. O MHS, porém, não é limitado aos modelos da própria Anthropic: a empresa afirma que o padrão é independente do modelo e pode ser usado com sistemas de outras companhias, como a OpenAI, além de modelos de código aberto.A adoção ainda depende de mudanças nos próprios equipamentos. Kemeny afirmou à Fortune que nem todas as máquinas existentes podem ser conectadas imediatamente ao MHS porque algumas não possuem uma interface de programação. A Anthropic diz estar trabalhando com fabricantes para desenvolver novos equipamentos já preparados para o padrão e também para adicionar a conexão a produtos existentes.Para Jonah Cool, chefe de parcerias e implementação científica da Anthropic, equipamentos de pesquisa frequentemente “sofrem com soluções proprietárias muito frágeis e que muitas vezes não atendem às necessidades dos cientistas”. Segundo ele, o MHS pretende criar uma interface padronizada para que pesquisadores possam conectar diferentes modelos de IA aos equipamentos. “Queremos evitar a dependência de um único fornecedor para os cientistas”, disse Cool.O MHS foi desenvolvido em parceria com o HHMI Janelia Research Campus, centro de pesquisa biomédica localizado na Virgínia, nos EUA. Entre as organizações que tiveram acesso antecipado durante o desenvolvimento estão Genentech, Universidade Carnegie Mellon, QuEra, Universal Robots, Amazon Web Services, Doosan Robotics, Danaher e Hugging Face. A iniciativa ocorre em meio ao avanço do interesse da indústria por IA combinada à robótica, segmento que também tem sido defendido pela Nvidia.