Uma sala trancada, um saco de lixo recheado com celulares, armas pertencentes a pessoas de fora da Polícia Civil e quase R$ 20 mil em espécie dentro de um cofre.Foi esse o cenário encontrado pela Corregedoria da Polícia Civil durante uma diligência no 1º DP de Barueri, na Grande São Paulo. A vistoria ocorreu no contexto de uma apuração aberta após uma denúncia anônima recebida em 11 de outubro de 2024, sobre uma carga de celulares apreendida por policiais da unidade. O registro do flagrante foi formalizado no dia seguinte.9 imagensFechar modal.1 de 9Em mensagem, advogado fala sobre pagamento de "acerto" com policiais Reprodução/MPSP2 de 9Advogado Sidiclei da Costa AlmeidaReprodução/MPSP3 de 9Investigador José Adriano Pereira da Silva Nishi Reprodução/MPSP4 de 9Policial Civil Bruno Moreno dos SantosReprodução/MPSP5 de 9Viatura escolta carga em rodovia de SPReprodução/MPSP6 de 9Carro a Polícia Civil durante escolta de carga de descaminhoReprodução/MPSP7 de 9Parte da propina era paga em dinheiro vivoReprodução/MPSP8 de 9Policial civil Vagner RamalhoReprodução/MPSP9 de 9Empresário Thiago Marcel MagnaboscoReprodução/InstagramCelulares no saco de lixoDentro de um saco de lixo, em uma sala trancada, os corregedores localizaram 49 celulares lacrados. Segundo os documentos, obtidos pela coluna, os aparelhos eram dos mesmos modelos e marcas daqueles relacionados a uma carga formalmente apreendida pela delegacia.A sala era vinculada ao investigador-chefe Marcos Vinicius de Souza Melo (imagem em destaque), preso nesta sexta-feira (28/8) em uma operação conjunta do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da da Corregedoria Geral da Polícia Civil. Leia também Alfredo Henrique“Caixinha da alegria” de advogado a policiais bancava liberação de cargas Alfredo Henrique“É uma máfia”: vítima relata sequestro por grupo ligado a policial foragido Alfredo HenriqueAlvo do Gaeco, líder de quadrilha que pagava policiais civis segue foragido São PauloQuem são policiais e advogado presos por esquema de cobrança de propina Sobre a mesa dele havia outros seis celulares também lacrados. Chamado para acompanhar a vistoria, Marcos Vinicius não compareceu pessoalmente. De acordo com a investigação, ele se limitou a fornecer, de forma remota, a senha eletrônica necessária para que os corregedores entrassem no ambiente.Armas no cofre e R$ 19 milOs achados não terminaram nos aparelhos. No cofre de armamento daquela mesma sala, a Corregedoria encontrou dois revólveres calibre 38 pertencentes a terceiros, estranhos à unidade policial, além de R$ 19.577 em espécie, quantia para a qual, segundo os autos, não foi apresentada justificativa. A apreensão das armas resultou inclusive em registro por posse irregular de arma de fogo.Em outra sala, usada pela equipe do policial Vagner Ramalho — foragido até a publicação desta reportagem — , os corregedores encontraram as luzes acesas, o ar-condicionado ligado e um computador com o WhatsApp Web aberto e desbloqueado. Na mesa havia ainda cerca de R$ 4 mil em dinheiro e três celulares.Para o Gaeco, os achados reforçam as suspeitas de que policiais utilizavam a própria estrutura estatal em um esquema envolvendo apreensões incompletas de cargas de eletrônicos e cobrança de propina para devolução das mercadorias.Até o momento, foram presos sob a suspeito e compor o esquema de desvio de cargas os policiais civis Bruno Moreno dos Santos, José Adriano Pereira da Silva Nishi e Marcos Vinicius de Souza Melo, o advogado Sidiclei da Costa Almeida e o empresário Jonathan Renan Vieira.A defesa deles não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.