Jensen Huang diz ser a favor de impostos, mas rejeita taxar robôs

Wait 5 sec.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou ser favorável à cobrança de impostos sobre os mais ricos, mas rejeitou a proposta do cofundador da Microsoft, Bill Gates, de criar uma tributação específica sobre robôs e sistemas de inteligência artificial (IA). Em entrevista ao programa The Claman Countdown, da Fox Business, Huang disse que há diferentes formas de distribuir a riqueza gerada pelo avanço da IA, mas que não vê a automação da mesma maneira que Gates.Gates voltou a defender nesta semana a criação de um imposto sobre robôs e tecnologias de IA. Em ensaio, o empresário argumentou que o sistema tributário atual pode estimular empresas a substituir trabalhadores por máquinas, já que a contratação de funcionários envolve impostos sobre a folha de pagamento, enquanto a aquisição de um robô pode ser registrada como despesa. “Um imposto diminuiria um pouco o ritmo de abandono do trabalho humano e arrecadaria dinheiro para requalificação profissional e uma rede de proteção social mais robusta”, escreveu Gates.Huang, porém, apresentou uma visão mais otimista sobre o impacto da IA no mercado de trabalho. “Eu adoro o Bill… mas não vejo o que ele vê. Vejo algo muito, muito diferente. E, portanto, minhas soluções serão um pouco diferentes”, afirmou à Fox Business. “Sou a favor de impostos. E acho que… para qualquer pessoa produtiva, é uma ótima maneira de contribuirmos para a sociedade e a economia. Mas a verdade é que provavelmente existem muitas maneiras diferentes de abordar isso”.Para Huang, o aumento da produtividade provocado pela tecnologia tende a estimular a expansão das empresas, em vez de necessariamente provocar demissões em massa. “Quando as empresas são mais produtivas, elas não demitem pessoas, elas contratam mais. A razão para isso é que as empresas têm ambições… e eu diria que a grande maioria das empresas do mundo… tem ambições de crescimento”, disse. Segundo ele, a IA deverá alterar muitos empregos, mas poderá gerar um saldo positivo de vagas em uma escala inédita.ReindustrializaçãoA avaliação de Huang também se estende aos empregos que exigem trabalho físico e qualificação técnica. O executivo afirmou que a construção de data centers para sustentar a expansão da IA deve aumentar a demanda por profissionais como encanadores e eletricistas. “Temos muitos trabalhadores de escritório, mas também teremos muita mão de obra qualificada. E ter uma grande população de trabalhadores qualificados, pessoas que constroem e fabricam coisas com as próprias mãos, é extremamente importante para os EUA”, afirmou.Em declarações feitas nesta semana, Huang associou o avanço da IA a uma nova fase de reindustrialização dos EUA. “Queremos reindustrializar os EUA. Queremos criar mais empregos. E tudo isso vai acontecer agora mesmo, enquanto conversamos, com a IA”.A posição contrasta com a avaliação mais cautelosa de Gates, que reconhece benefícios da tecnologia, mas alerta para riscos como perda de empregos, impactos no desenvolvimento infantil e aumento da criminalidade. A entrevista de Huang à Fox Business e o ensaio de Gates, publicados nesta semana, colocam os dois empresários em lados diferentes do debate sobre como distribuir os ganhos e administrar os custos da expansão da IA.