Ex-piloto diz que fortuna de US$ 150 mi veio de sapatos engraxados e pontualidade

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O piloto integrante do Hall da Fama da NASCAR, Jimmie Johnson, construiu sua carreira tomando decisões em frações de segundo a mais de 320 km/h. Mas o hábito que ele mais credita ao próprio sucesso não tem nada a ver com velocidade ou com conquistar o maior número de troféus — é chegar cedo.“Chegar 10 minutos antes de uma reunião é chegar na hora”, disse Johnson recentemente à Fortune. “Não consigo dizer quantas vezes isso causou uma boa impressão e fez com que eu me destacasse em meio à multidão, fosse em visitas a patrocinadores ou simplesmente ao chegar para uma entrevista de verdade.”É o tipo de conselho que Johnson agora oferece a trabalhadores da Geração Z que querem avançar na carreira: prestar atenção às pequenas coisas. Desde que se aposentou das corridas em tempo integral, em 2020, Johnson passou a atuar como proprietário de equipe e em outros negócios, construindo um patrimônio líquido estimado em mais de US$ 150 milhões. Ao longo do caminho, aprendeu que aparecer — e aparecer bem-apresentado — muitas vezes importa mais do que talento bruto.Johnson aprendeu essa lição sobre aparência quando tentava entrar para um clube de golfe. O presidente do comitê responsável por novos membros era pai de um amigo próximo e tinha um comentário imediato para fazer.“Filho, você está muito bem-vestido, mas, caramba, precisa engraxar esses sapatos”, Johnson se lembrou de ouvi-lo dizer. “Isso está horrível. Sempre engraxe seus sapatos. As pessoas reparam.”Ele levou o conselho a sério — e ainda engraxar os sapatos até hoje. E, embora o hábito de se vestir para o cargo que você deseja, e não para o que ocupa, possa parecer algo pequeno ou até clichê, Johnson diz que isso pode ajudar alguém a se destacar em um campo concorrido.“As pequenas coisas importam e ajudam você a se destacar em um espaço muito congestionado”, disse.Essa mentalidade ajudou a levá-lo a uma carreira no Hall da Fama: foram 83 vitórias na Cup Series, incluindo a Daytona 500, além de dividir o recorde da NASCAR de maior número de títulos, com sete, ao lado de Richard Petty e Dale Earnhardt. Em 2009, tornou-se o primeiro piloto a ser eleito Atleta Masculino do Ano pela Associated Press.De garoto de trailer a um dos maiores pilotos da NASCARJohnson cresceu em um parque de trailers em El Cajon, na Califórnia — uma pequena cidade a nordeste de San Diego —, com o pai trabalhando na construção civil e a mãe dirigindo um ônibus escolar. O mais velho de três irmãos, começou a andar de moto aos 5 anos e já colecionava troféus antes de chegar aos 10.“Meus pais se sacrificaram para que eu e meus irmãos pudéssemos experimentar a alegria das corridas”, disse Johnson. “Não tínhamos a casa mais bonita, os carros mais bonitos… mas tínhamos motos novas e viajávamos pelo país, levando as motos de trilha conosco o tempo todo.”O hobby acabou se transformando em carreira. Depois de concluir o ensino médio, ele não foi para a faculdade e entrou diretamente no automobilismo profissional — começando pelas motos, passando para carros de corrida off-road e, finalmente, chegando à NASCAR.Johnson diz que seus pais nunca o pressionaram a seguir carreira nas corridas; em vez disso, mantinham uma regra simples: “Se não estivermos nos divertindo primeiro, não vamos fazer isso”.Aos 30 anos, Johnson conquistou seu primeiro campeonato da NASCAR Cup Series, em 2006, pilotando o Chevrolet Lowe’s nº 48. Ele ganharia outros seis títulos na década seguinte, consolidando-se como um dos pilotos mais bem-sucedidos da história da NASCAR.Sua carreira não foi definida apenas pelas vitórias. Johnson enfrentou acidentes, pneus estourados e outros contratempos, mas diz que essas derrotas foram tão importantes para sua formação quanto as conquistas.“Todos os fracassos, erros e tudo isso me moldaram”, afirmou. “Eu sou, na verdade, alguém moldado pelo fracasso. Pela minha experiência, é mais fácil aprender as lições dessa maneira.”Mesmo em uma semi-aposentadoria das pistas, Jimmie Johnson ainda tenta equilibrar trabalho e vida pessoalDepois de centenas de milhares de quilômetros ao volante, Johnson decidiu que as exigências das corridas estavam cobrando seu preço. Em 2019, anunciou que se aposentaria das competições em tempo integral ao fim da temporada seguinte e lembrou que seu “medidor de diversão estava ligado a aparelhos”.A pandemia tornou sua última temporada ainda mais incomum, com corridas realizadas sem público. Mas deixar as pistas deu a Johnson uma nova perspectiva sobre aquilo que havia sacrificado pela carreira. Mais tarde, ele e sua família passaram dois anos morando em Londres, o que lhe deu mais tempo longe dos circuitos — e mais tempo para refletir sobre o que havia perdido.Ele admitiu que gostaria de ter estado mais disponível emocional e fisicamente, observando que perdeu casamentos e até funerais por causa de seu compromisso com as corridas.“Estou fora do carro e, sim, minha agenda está cheia, mas havia uma camada de pressão constante que eu não conseguia reconhecer enquanto atleta de elite — e o egoísmo necessário para isso — e digo tudo isso com o total apoio da minha esposa, com um apoio que você não acreditaria.”Em 2023, Johnson tornou-se acionista majoritário da Legacy Motor Club, uma equipe da NASCAR Cup Series, acrescentando mais um trabalho exigente à sua rotina.Agora, enquanto assume um papel mais executivo na expansão do grupo — e planeja até mesmo fazer uma última corrida na NASCAR, na Daytona 500 de 2027 —, ele diz que a busca pelo equilíbrio entre trabalho e vida pessoal voltou à pauta.“Estou fracassando nisso neste momento”, disse.“Há momentos que surgem… em que penso: cara, estou muito fora de equilíbrio”, acrescentou Johnson. “Preciso colocar alguma intenção nisso. Então acho que é uma jornada.”Esta reportagem foi publicada originalmente no Fortune.com.The post Ex-piloto diz que fortuna de US$ 150 mi veio de sapatos engraxados e pontualidade appeared first on InfoMoney.