Raramente falo sobre política neste espaço, mas uma data passou despercebida nesta semana: a renúncia de Jânio Quadros (1917-1992) completou 65 anos. Em 25 de agosto de 1961, ele tomava a atitude extrema e citava, em carta, as tais “forças ocultas” para deixar o Palácio do Planalto, depois de quase sete meses da posse. O vice, João Goulart, só assumiu o cargo em meio a uma longa negociação para que fosse implantado o sistema parlamentarista. Entretanto, um referendo, em janeiro de 1963, fez com que o país voltasse ao presidencialismo. A história seguiu e Jango foi derrubado pelos militares em 31 de março de 1964.Décadas depois, em 1985, Jânio da Silva Quadros, político da Vila Maria, bairro da zona norte de São Paulo, disputou a prefeitura da capital pelo PTB. Ele e Fernando Henrique Cardoso, do então PMDB, brigavam voto a voto. As pesquisas e os jornais indicavam a vitória de FHC que, antes da hora, chegou a se sentar na cadeira do gabinete da administração municipal, que ainda era no Parque do Ibirapuera.Entretanto, a reportagem da Jovem Pan fazia enquetes com a população sobre a intenção de voto. O modelo, hoje proibido pela justiça eleitoral, não tinha nada de científico, mas trazia o calor das ruas. O diretor de jornalismo da emissora, Fernando Vieira de Melo, resolveu bancar a informação e determinou que a vitória de Jânio Quadros fosse anunciada antecipadamente. As urnas confirmaram o resultado.Jânio Quadros era polêmico e tinha um discurso afiado. O jingle de campanha era “varre, varre vassourinha”, uma referência ao combate à bandidagem e à corrupção. Ao tomar posse na prefeitura, o primeiro ato foi desinfetar a cadeira da mesa de trabalho, a mesma em que Fernando Henrique Cardoso tinha se sentado, dando a eleição como ganha.Ouça no “Memória da Pan” duas reportagens especiais: uma sobre a renúncia de Jânio, em 1961, e outra que detalha a vitória dele na campanha eleitoral de 1985.