A artista japonesa Yayoi Kusama morreu aos 97 anos. Conhecida como a “rainha das bolinhas”, Kusama construiu uma carreira marcada pela ousadia e chegou a usar nudez e até “orgias” em performances e protestos.A artista morreu em 14 de agosto em um hospital de Tóquio, no Japão, segundo anúncio divulgado nas redes sociais nessa quarta-feira (26/8). A causa da morte não foi divulgada.5 imagensFechar modal.1 de 5Yayoi Kusama comparece à prévia para a imprensa da exposição "I Who Have Arrived In Heaven" (Eu, que cheguei ao céu), de Yayoi Kusama, na galeria de arte David Zwirner, em 7 de novembro de 2013, na cidade de Nova YorkAndrew Toth/Getty Images2 de 5A artista japonesa Yayoi Kusama em sua exposição retrospectiva no Whitney Museum of American Art. Kusama veste Louis VuittonSteve Eichner/WWD/Penske Media via Getty Images3 de 5A artista em 2012, no evento de lançamento da primeira collab com a Louis Vuitton. Há anos Yayoi vive em um hospital psiquiátrico, onde pinta diariamente Dimitrios Kambouris/WireImage via Getty Images4 de 5A Louis Vuitton é famosa por suas fachadas que mais parecem instalações artísticas. Em 2012, espalhou bonecas de Yayoi pelo mundoRob Kim/FilmMagic via Getty Images5 de 5Além dos quadros, chama atenção no trabalho da japonesa as esculturas que convidam o público a interagir Roy Rochlin/Getty Images Leia também MundoMorre aos 97 anos a artista japonesa Yayoi Kusama, a “rainha das bolinhas” CelebridadesYayoi Kusama: como alucinações deram origem às famosas bolinhas da artista HappeningsYayoi Kusama se mudou para Nova York em 1958 e, além de pinturas e instalações, passou a realizar os chamados Happenings. Geralmente improvisadas e de caráter teatral, essas performances contavam com a participação do público e, muitas vezes, abordavam temas políticos e sociais.Com o crescimento dos protestos contra a Guerra do Vietnã, a artista levou as performances para as ruas. Nos chamados Anatomic Explosions, Kusama pintava os corpos nus dos participantes diante de locais simbólicos, como a Bolsa de Nova York e a sede da Organização das Nações Unidas (ONU).A japonesa também realizou um protesto com nudez após a eleição de Richard Nixon.Em 3 de abril de 2001, Yayoi Kusama assina uma paredePerformance não autorizadaEm 1969, Yayoi Kusama organizou uma performance com pessoas nuas no Jardim de Esculturas do Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York. A ação não autorizada ficou conhecida como Grand Orgy to Awaken the Dead (“Grande Orgia para Despertar os Mortos”).Na ação realizada no MoMA, Kusama orientou os participantes, completamente nus, a se abraçarem e interagirem com as esculturas expostas no jardim.Ao colocar corpos vivos e nus em contato com esculturas estáticas, a japonesa também fazia uma crítica ao museu como um espaço dedicado à arte “morta”, defendendo maior presença e participação de artistas vivos.A “Grande Orgia para Despertar os Mortos” aconteceu em 24 de agosto de 1969 e estampou a primeira página do Daily News no dia seguinteO que era a nudez para Yayoi KusamaPara a artista japonesa, a nudez não tinha apenas um sentido sexual. Segundo ela, o corpo nu funcionava como instrumento de libertação, protesto político e questionamento das convenções sociais.Além disso, a nudez estava ligada com a ideia de “auto-obliteração”, na qual “as fronteiras entre o indivíduo e o ambiente seriam apagadas.”Em entrevista concedida em 1999, Yayoi Kusama afirmou que, apesar de comandar performances com modelos nus, ela própria não ficava nua. A artista se descreveu como uma espécie de “sacerdotisa”, responsável por pintar bolinhas coloridas nos corpos dos participantes.