As empresas de tecnologia são consideradas “ativos de longa duração”, já que seu valor está mais concentrado em momentos distantes no futuro. Isso as torna mais correlacionadas ao juro e, portanto, mais ameaçadas a depender das decisões do Federal Reserve. A análise é de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad. Em sua visão, a redução da taxa de desconto eleva de forma desproporcional o valor esperado nesses lucros para companhias do setor, em especial no contexto de novos aberturas de capital (IPOs, na sigla em inglês) em futuro próximo. A expectativa de que a Anthropic se torne pública eleva dúvidas em relação à sua precificação e, entre os riscos, está uma potencial elevação da taxa de juros pelo Federal Reserve, dos 3,50% a 3,75% atualmente praticados. “Se a inflação segurar o Fed, as ofertas precificadas na expectativa de juro menor são as primeiras a sofrer”, diz. Como explica a estrategista, a transmissão para o mercado de IPOs acontece de três maneiras. Em primeiro momento, é através de custo de capital do emissor. Nesse caso, o juro em queda amplia a janela e a elegibilidade daqueles que consegue lista. “Com a expectativa de um retorno do ciclo de cortes tendo sido essencial para a reabertura da janela, embora a perspectiva agora seja diferente do início do ano”, afirma Paula. Além disso, o apetite a risco também é essencial para a janela de IPOs, já que a expectativa de corte também antecipa a demanda. E, segundo a estrategista, as janelas para novas listagens abrem em ciclos de afrouxamento e fecham rapidamente quando o ciclo vira. Por fim, o terceiro ponto é o múltiplo de mercado, que já penalizou o S&P até agora com a expectativa de juros mais altos. Nesse caso, um mega-IPO, que seria o caso da Anthropic, poderia ser considerada uma estrutura mais sensível, já que combina valution esticado, ausência de histórico público e, ainda por cima, conta com lock-up que vence em cerca de 6 meses. “A assimetria que importa é que essa janela está construída sobre um corte que o mercado ainda não recebeu, e a própria IA entrou na conta de inflação do Fed, já que o investimento em infraestrutura pressiona energia e tecnologia”, diz. Fed pode “matar” ciclo?A visão de que o Fed pode “matar” o ciclo de mercado já foi apresentada em outro momento pelo economista-chefe do Andbank, Alex Fusté, em entrevista ao InfoMoney. Saiba mais: Nem SpaceX, nem OpenAI: onda de IPOs não assusta Wall Street; veja os motivosNa época do IPO da Spacex, em junho de 2026, o economista mencionou que a indicação do momento era que o banco manteria juros. Ainda assim, se as condições se alterassem e o Federal Reserve fosse obrigado a cogitar uma nova alta de juros, o mercado (e seus IPOs de tecnologia) sofreria. O contexto, atualmente, se confirma, já que a ata da última reunião do Federal Open Market Comittee do Federal Reserve mostra que participantes não descartam uma nova alta se a inflação não chegar ao patamar esperado (2%). Dados divulgados na quarta (26) mostram que a inflação “preferida do Fed”, o PCE, apresenta ainda alta anualizada de 3,7%. Leia mais: Ata do FOMC: Apoio para alta de juros dos EUA foi maior que os três votos dissidentesParte do Fed vê que necessidade de subir juros se inflação não cair, mostra ata“O Fed é o que mata o ciclo de mercado. Pode durar três anos ou pode durar 12 anos. Não morre de velho um ciclo de mercado. Morre porque o Fed o mata subindo juros”, afirmou Fusté em junho. The post Federal Reserve pode brecar o ciclo de IPOs de tecnologia nos EUA? appeared first on InfoMoney.